Dia do dentista na Câmara: relação com a saúde, revisão do piso salarial e câncer bucal

Comemorado anualmente em todo o país no dia 25 de outubro, o dia do dentista foi celebrado, na noite desta quarta-feira (28), na Câmara Municipal. A sessão solene para comemorar a data foi proposta pelo vereador Professor Ivamberg (PT), que é dentista, após aprovação de requerimento voltado para este fim, por seus pares, em sessão ordinária. Na ocasião, diversos profissionais da área foram homenageados. O parlamentar também presidiu o momento.

Professor Ivamberg, durante o seu discurso, evidenciou a emoção de comemorar a data na Câmara. “Falar nesta Casa, como vereador, é uma honra. Mas falar como dentista é uma emoção. Porque, antes de ser parlamentar, eu sou dentista. É uma identidade que carrego com muito orgulho e gratidão”, disse.

O parlamentar assinalou que “ser dentista é muito mais do que cuidar de dentes. É cuidar de pessoas. É ouvir, acolher, aliviar dores e devolver sorrisos. É estar presente em momentos de vulnerabilidade, mas também em momentos de recomeço”.

Ele considera que a atuação da classe permite aprender, na prática, que o sorriso não é só estética. “É saúde, confiança e dignidade. Eu tive o privilégio de viver essa profissão em diferentes caminhos. Fui dentista do Exército, onde aprendi o valor da disciplina, da precisão e do serviço ao outro. Aprendi que cuidar da saúde bucal de um soldado era também garantir que ele tivesse condições físicas e emocionais de seguir firme em sua missão”, lembrou.

Continuou relatando que, ao longo da sua trajetória, se tornou professor. E, para Professor Ivamberg, ensinar jovens técnicos e futuros profissionais da saúde bucal tem sido uma das experiências mais transformadoras da sua vida. “Ver a paixão nascer em cada aluno e a dedicação com que estudam para cuidar bem do outro, me dá esperança e me faz acreditar ainda mais no poder da nossa profissão. A odontologia é uma ciência que não se limita à boca. A saúde bucal é a porta de entrada da saúde do corpo como um todo”, ressaltou.

E continuou: “Um problema na boca pode afetar o coração, estômago, sono e até o bem-estar emocional. Portanto, cuidar da boca é cuidar do corpo inteiro. É cuidar da vida”.

REVISÃO DO PISO SALARIAL DO CIRURGIÃO-DENTISTA NO PAÍS

Mas nem só de emoção foi composto o discurso do presidente da sessão solene ocorrida na noite de hoje. O vereador Professor Ivamberg também criticou a revisão do piso salário a nível nacional do cirurgião-dentista, visto que a lei que trata sobre o tema é da década de 1960. “É justamente por acreditar tanto na importância da nossa profissão que nós temos buscado atuar de forma firme na valorização da odontologia e dos profissionais da área”, assegurou.

Salientou que recentemente tem intermediado um diálogo junto ao deputado federal Zé Neto na articulação de projetos de lei que tratem da revisão e do ajuste do piso salarial, bem como de um projeto que defina a obrigatoriedade da presença de cirurgiões-dentistas em hospitais de médio e grande porte.

Além disso, afirmou que, através do seu mandato, é “autor de uma lei que está em tramitação nesta Casa, que regulamenta a profissão de cirurgião-dentista no município de Feira de Santana”. De acordo com Professor Ivamberg, iniciativas como essas “refletem o nosso compromisso com a categoria, mas também com a população, que merece ter acesso a um atendimento de saúde bucal digno, qualificado e completo”.

ODONTOLOGIA COMO PONTE ENTRE SAÚDE, INCLUSÃO E QUALIDADE DE VIDA

O palestrante da noite foi o dentista Marcio Campos Oliveira. Ele salientou a importância do reconhecimento da classe e tratou acerca da odontologia como ponte entre a saúde, a inclusão e a qualidade de vida, mais especificamente sobre o câncer bucal e os desafios das políticas públicas. Disse que o país só teve uma política voltada para a saúde bucal, de forma integral, a partir de 2004, com o programa “Brasil Sorridente”. Esse serviço passou a ser oferecido tanto na atenção básica quanto na atenção especializada, que envolve os centros de especialidades odontológicas e os laboratórios regionais de próteses dentárias.

Informou ainda que, ao longo dos anos, também surgiu o programa “Saúde na Escola”, que visa promover a prevenção e a promoção da saúde bucal em escolas públicas. E, há pouco tempo, em 2019, foi lançado o programa “Previne Brasil”, que prevê novos critérios de financiamento para a Atenção Básica e a criação dos Serviços de Especialidades em Saúde Bucal (SEBS) em municípios com menos de 20 mil habitantes.

“É importante ressaltar que as Políticas Públicas de Saúde Bucal só foram incluídas na lei orgânica do Sistema Único de Saúde (SUS) através da normativa n° 14.572/2023, que tornou obrigatória a oferta de serviços pelos municípios, e não mais por adesão. Antes essa era uma opção dada aos municípios, porém, a partir desta lei recente, tornou-se obrigatório”, explicou.

Ainda, explanou, durante a sua fala, de forma simplória, mas entendível, como funciona a rede de atenção à saúde bucal no SUS hoje em dia em todo o país. “Primeiro o paciente pode entrar tanto pelas unidades odontológicas móveis, ou através das Unidades de Saúde da Família (USF), ou, ainda, pela Unidade de Atenção Básica. A partir daí ele pode ir tanto para o centro de especialidades odontológicas, para receber atendimentos mais específicos – como próteses e periodontia, quanto para um atendimento hospitalar, se necessário. Também, o paciente pode receber atendimento em laboratórios de próteses dentárias”, destacou.

O palestrante relatou dados referentes à cobertura de assitência à população a nível de valores investidos e de porcentagem quanto à quantidade de pacientes atendidos a nível nacional. E explicou como o câncer bucal atinge a população em uma proporção muito maior do que se pensa. “Cerca de 77% dos casos ocorrem em países em desenvolvimento; 22,4% da incidência de casos ocorrem na América Latina (dados referentes aos anos compreendidos entre 2018 e 2025), e 24,1% do aumento na mortalidade também ocorre na América Latina. Vale ressaltar que este é o quinto tipo de tumor mais prevalente em homens no Brasil, com uma taxa de mortalidade em torno de 48%”, frisou.

O dentista Marcio Campos é graduado em Odontologia com especialização em Odontologia em Saúde Coletiva pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Ainda tem mestrado e doutorado em Patologia Oral pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atualmente é coordenador do Laboratório de Patologia Bucal e professor pleno da Uefs, no curso de graduação em Odontologia, no programa de pós-graduação em Saúde Coletiva (mestrado e doutorado) e no mestrado profissional em Saúde Coletiva.

MESA DE HONRA

Estiveram presentes na sessão solene desta noite e compuseram a Mesa de Honra o presidente do Conselho Regional de Odontologia da Bahia (CRO/BA), Marcel Lautenschlager Arriaga; a vice-diretora do Departamento de Saúde da UEFS, Nélia de Medeiros Sampaio; a coordenadora do curso de Odontologia da UEFS, Myria Conceição Cerqueira Félix; o delegado regional do CRO/BA, Wernner Christian Vasconcelos Bucker, além da reitora da UNEX (Centro Universitário de Excelência), Marcly Amorim Pizzani e o dentista e palestrante Marcio Campos Oliveira.

Fonte: Câmara de Feira de Santana

#FEIRA DE SANTANA

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima