Audiência Pública: reparação social é urgente e necessária para as mulheres negras

“A reparação social de nós, mulheres negras, é urgente e necessária para que não sejamos mais desumanizadas e sim, visibilizadas, inclusive nas obras literárias”. A afirmação foi feita por Delma dos Santos Silva, idealizadora da “Antologia Mulheres Negras”, durante a Audiência Pública realizada na manhã desta quinta-feira (25), na Câmara Municipal, para discutir a violência contra a mulher.

 

De acordo com ela, é preciso entender, também, que a raça é um determinante social que “mata corpos, sonhos, desejos”, e não se pode inviabilizar isso. “Se observarmos, ainda não temos uma vereadora negra em Feira de Santana. Nós somos e precisamos ocupar espaços de poder”, defendeu. Delma dos Santos Silva acrescentou que, dessa forma, “será possível que as políticas públicas nos enxerguem porque eu só posso falar para quem entende da minha dor e dos meus sonhos”.

Segundo a presidente do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Mulher, advogada Esmeralda Halana, no Anuário de Segurança Pública do país foi publicado que 64% das mulheres que sofrem violência doméstica e familiar são negras. “Este é o motivo de nós termos inserido esta Audiência Pública dentro dos 21 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres para refletimos, sobretudo, acerca da população negra”, disse.

 

 

A advogada ressaltou que as mulheres negras estão na base da pirâmide social, e, em sua grande maioria, desempregadas, em trabalhos subalternizados ou na informalidade. “E que também são chefes de família e, ainda assim, sofrem os mais diversos tipos de violência: em casa, na família, na rede de saúde – como é o exemplo da violência obstétrica etc. Então, a violência tem cor, rosto e um público-alvo”, frisou.

Conforme Esmeralda Halana, apesar de o Brasil ter passado por uma redemocratização e possuir uma Constituição Federal “que se diz cidadã, garantidora de direitos fundamentais”, mas a realidade prática, “aquela que a gente vive todos os dias”, é muito diferente de uma formalidade existente em uma letra fria da lei.

Neinha Bastos, ex-vereadora e secretária Municipal da Mulher, disse que lidar com a estrutura relacionada aos casos de violência contra a mulher não é fácil, especialmente quando mexem com os mais profundos sentimentos. “Nenhum pai, nenhuma mãe quer perder uma filha; nenhuma mulher quer perder outra mulher. O que queremos deixar claro, portanto, nesta Audiência Pública, é que chega, basta de silêncio. Não podemos nos calar, pois a violência contra a mulher dói, em todos os aspectos possíveis”, afirmou.

 

A secretária enfatizou ainda que Feira de Santana não pode ser uma “cidade-bolha”, onde a mulher pode ter um filho com a dose de anestesia menor “porque ela é negra”. Frisou que a pele não muda as pessoas e concluiu: mulher negra é, sim, sinal de luta, mas também de amor.

Também se manifestaram durante a audiência pública Marlene Lima, cuja filha foi vítima de feminicídio aos 15 anos; a Capitã Nina Marques, comandante da Ronda Maria da Penha – Portal do Sertão; Jozailma Ferreira, para falar sobre os 21 dias de ativismo; Luise Arapiraca, representando a Divisão de Promoção de Igualdade Racial de Feira de Santana; Vânia Silva, representante da Secretaria de Saúde; Sônia Lima de Carvalho; Valeska Naura, coordenadora do Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM) – Maria Quitéria; Ana Rita Costa; a presidente da Comissão de Proteção à Criança e ao Adolescente da OAB Subseção Feira de Santana, Fernanda Marques, e Mariângela.

Estiveram presentes na Audiência Pública ainda Faraildes Ribeiro, chefe da divisão de Igualdade Racial da Secretaria Municipal da Mulher; Renata Santos, chefe do apoio jurídico da mesma secretaria; Andréa Mascarenhas, representando o deputado Federal Zé Neto (PT); Ana Rita Costa, representando o Coletivo de Mulheres; Adriana Lima, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais; Laís Cerqueira, referência técnica da saúde da população negra da Atenção Básica; Vânia Freitas, enfermeira epidemiológica da VIEP, bem como os vereadores Pedro Américo (Cidadania) e Pastor Valdemir (PP).

 

 

 

Foto: Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres

Fonte: Câmara de Feira de Santana

#FEIRA DE SANTANA

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