
Com o objetivo de discutir a situação dos motoentregadores de aplicativo em Feira de Santana, uma Audiência Pública foi realizada, na Câmara Municipal, na manhã desta quinta-feira (04). O evento foi proposto pelo vereador Pedro Américo (Cidadania) e trouxe reflexões para o entendimento da dimensão dos problemas enfrentados por esses trabalhadores e buscar caminhos para enfrentá-los com ações concretas.
“Se gastou quase meio bilhão de reais em um ano só em tratamento de saúde de pessoas que se acidentaram. São 50 mil óbitos por ano em acidentes de trânsito,” afirmou o palestrante Bráulio Soledade de Araújo, gestor de Negócios e Projetos. Segundo ele, na década de 90, os óbitos com motociclistas representavam 3%. Em 2023 chegou a 40% e em 2024 foram 165 mil internações, representando 60% dos casos nos hospitais. Ele sugeriu que os investimentos com internação poderiam ser voltados para a prevenção. “Infelizmente não somos da prevenção, mas da correção”, disse, frisando que a mobilidade urbana de qualidade vai garantir que todas as pessoas possam se deslocar com segurança e dignidade.
Para o motoentregador Celso Santos da Silva, o serviço da categoria é essencial, porém precisa da abertura do Poder Público para reconhecer essa importância: “Se parar o serviço de motoboy, a cidade também para. É necessário que sejam abertos mais espaços para ouvir nossas demandas”, desabafou. O profissional reforçou que, “todos saem para trabalhar e levar sustento pra casa, mas os desafios são imensos”.
Já o motociclista de aplicativo, Ronaldo Silva Lima, relatou que um dos principais problemas da classe é a dificuldade de diálogo com as plataformas de transportes que não possuem escritório próprio em Feira de Santana e o contato ocorre somente via chat, através de robô. “Um colega sofreu acidente e não conseguiu indenização. O regulamento da empresa, prevê assistência, mas até hoje não conheci ninguém que conseguiu. Por isso solicitamos ajuda aos vereadores para tentar mediar as tratativas”, apelou.
FALTA DE SEGURANÇA E EXCESSO DE MULTAS
A falta de segurança, principalmente para as mulheres, foi citada por Patrícia Santana como o maior problema enfrentado pela categoria. “Nós somos assaltados, corremos risco no trânsito. O valor que vem para o bolso da gente é bem menor, porque o aplicativo tira uma parcela e quem não paga o MEI, não tem assistência nenhuma”, elencou a entregadora. Tudo que eles querem, conforme destacou, é sai para trabalhar com a certeza de retornar para casa.
O Tenente Pimenta, integrante do Esquadrão Asa Branca, reforçou que por utilizar motocicleta como instrumento de trabalho, entende as necessidades das categorias e se comprometeu em levar as demandas para os superiores da Polícia Militar. No mesmo sentido o secretário municipal de governo Neto Bahia, garantiu que irá encaminhar todos os pedidos e sugestões para a Secretaria de Mobilidade Urbana e Superintendência Municipal de Trânsito: “A evolução começa a partir do diálogo”, disse.
“Feira de Santana precisa parar e refletir sobre os motoentregadores e mototaxistas que servem à população todos os dias. O dono do restaurante está recebendo seu dinheiro, o cliente no conforto de casa e o profissional enfrentando todo o desafio para garantir suas entregas. Não tem como ignorar todas as dificuldades relatadas”, reforçou o vereador Pedro Américo, enquanto o vereador Luiz da Feira destacou os problemas de sinalização e multas excessivas.
Também presente na Audiência Pública, o vereador Ron do Povo (PP) sugeriu a criação de um setor na Municipal de Transporte e Trânsito para atender os profissionais de aplicativos e prestar esclarecimentos, principalmente sobre multas. Para o vereador Ismael Bastos (PL), os problemas maiores estão relacionados às multas recorrentes de embarque e desembarque de passageiros e mercadorias.
Compuseram a Mesa de Honra, o autor da Audiência Pública, vereador Pedro Américo (Cidadania); o secretário Municipal de Governo, Neto Bahia, representando o prefeito José Ronaldo; o Tenente Pimenta, representando o Major Sachdev ao lado do palestrante Braulio Soledade de Araujo e os motoentregadores Patrícia Santana dos Santos, Celso Santos da Silva e Ronaldo Silva Lima.
Fonte: Câmara de Feira de Santana




