
Fotos: Bruno Concha / Secom PMS
Reportagem: Nilson Marinho / Secom PMS
O caminho pela Cidade Baixa desde a Conceição da Praia até a Colina Sagrada, como manda a tradição da Lavagem do Bonfim, é sempre repleto de personagens das mais variadas idades, origens e com motivações diversas para percorrer os quase 7 km que levam até a Basílica de Nosso Senhor do Bonfim, uma das igrejas mais conhecidas de Salvador.
Andréia Borges, por exemplo, acompanhou o cortejo em uma cadeira de rodas ao lado do marido, Antônio Álvarez. O casal participa da Lavagem do Bonfim há cerca de três décadas. Há dois anos, Andréia faz o percurso de cadeira de rodas, após ter sido diagnosticada com esclerose lateral amiotrófica (ELA). “Eu faço essa caminhada há muitos anos, e este é o segundo ano que venho de cadeira de rodas. Estou aqui com muita fé”, comentou.
Os pequenos, que já começam a ser apresentados à tradição, vão no conforto dos braços dos papais e mamães ou nos carrinhos de bebê. O casal Júlia e Rodrigo Leão estavam com o filho Adriano, de apenas dois anos e cinco meses. O garoto estava com todas as proteções necessárias para enfrentar o sol em sua primeira participação na Lavagem.
“Está sendo ótimo. A gente veio preparado, trouxe água, comidinha, tudo direitinho para ele. Viemos todos de branco, em clima de festa”, contou Júlia, que também elogiou a organização do evento. “A gente está vendo que todo mundo está preocupado com a segurança e com a hidratação das pessoas. Está tudo muito bem organizado”, afirmou.
Entre os milhares de fiéis estavam também os que preferiram ir correndo até à Colina Sagrada. O empresário Cláudio Fernandes, morador de Brotas, fez o percurso saindo da Conceição da Praia e retornou para o ponto de partida, como parte de sua devoção. “É fé, é agradecer, sempre. Todo ano eu venho. Já fui, já voltei. Agora é curtir a festa”, afirmou.
A odontóloga Karina Velame veio da cidade de Serrinha, na região do nordeste baiano. Ela também correu até à Basílica. “É uma emoção sem tamanho, um momento extraordinário, onde posso reencontrar vários amigos que não vejo há anos. E hoje o Bonfim consegue reunir todo esse público, e estamos juntos em mais uma corrida”, disse Karina.
Pelo terceiro ano consecutivo, a Prefeitura de Salvador instalou pórticos ao longo do circuito da Lavagem do Bonfim onde os fiéis puderam se refrescar. A água que jorrava foi misturada com água benta, benzida pelo Padre Edson Menezes. A fonoaudióloga Lise Anjo Gentil, moradora de Piatã, aprovou.
“Achei maravilhosa a iniciativa, principalmente com esse calor de Salvador, que é diferente de qualquer lugar.Foi bem refrescante mesmo. Dá para amenizar o calor quando a gente passa, tanto subindo quanto descendo”, comentou.
A tradição da Lavagem do Bonfim também é marcada pelo encontro familiar. Dalva Costa da Silva mantém viva a tradição de preparar o feijão que reúne parentes durante a festa. “Todo ano vem umas vinte e tantas pessoas comer o feijão. Tenho que me preparar, porque é uma forma de manter a família unida”, contou.
Dalva explicou que, entre ela e o marido, somam-se 31 irmãos, e que seus sobrinhos vêm de diferentes bairros da cidade, como Patamares, Itapuã e Ribeira, para participar da celebração. “Obrigada, meu Deus, que me dá força todo ano”, disse.
Fonte: Prefeitura de Salvador




