O que ver e ouvir no distrito de Tiquaruçu, além do Reisado

O distrito de Tiquaruçu, além do seu Reisado, manifestação cultural secular, tem muito o que ser visto e admirado por quem o visita. Quem for a um dos mais antigos povoamentos de Feira de Santana, neste final de semana, para se divertir na Festa de Reis, entre uma atração e outra poderá observar o que “pedra grande” ou “pedra bruta”, seu nome em tupi, pode oferecer de curiosidade.

A começar pela sua arquitetura secular – muitas casas ainda mantêm algumas características do século XIX, quando provavelmente foram construídas, mesmo que o processo de reforma dos imóveis tenha sido iniciado há muitos anos. As cores fortes as destacam; as fachadas, portas e janelas são retratos fiéis de tempos passados.

O tempo se encarregou de mostrar como as casas eram estruturadas, feitas com barro, varas e madeira de lei, típicas casas de taipa. Sem manutenção, muitas caíram. Algumas paredes perderam o reboco. O piso, quando tem, geralmente é de cerâmica rústica. Mais recentemente, quem tinha condições financeiras colocou uma camada de cimento queimado nos cômodos.

O povoado, antes chamado São Vicente, cresceu em volta da igreja dedicada a São Vicente de Ferrer, padroeiro do local. Estima-se que o templo tenha sido construído no século XVIII. Por si, já é histórico. Mas uma placa em uma de suas laterais informa que naquela igreja Maria Quitéria de Medeiros foi batizada, provavelmente na chegada do século XIX.

Quem se interessar pelos mistérios do distrito deve visitar a Pedra do Judeu, um colosso arredondado de alguns metros de altura que fica a coisa de um quilômetro da sede – dá para ir caminhando. Moradores antigos dizem que o local é mal-assombrado e que frequentemente são vistas almas penadas rondando-a à noite.

Quem tem medo de alma evita passar pelas estradas que cruzam próximo à pedra, que, dizem, tem um som agudo, diferente, quando batida com algum objeto metálico. Afirmam que a Pedra do Judeu é oca, pelo som emanado, e que todos os anos observam que ela aumenta de tamanho. São muitas as histórias sobre a origem do nome – nenhuma comprovada.

O distrito tem alguns bares, mas o mais tradicional é o “Bar do Pinheiro”, com suas paredes largas, portas de madeira de lei e fachada colonial, de cor vibrante. Teria sido construído entre o final do século XIX e o início do século passado. Uma placa indica o ano de 1934, mas o dono do local, seu João, dizia que esta data teria sido uma reforma do prédio. Antes de se tornar dono, ele foi garçom do bar.

Com quase cem anos de vida e ainda na ativa, é agradável conversar com seu João, que tem muitas histórias para contar. Quem se interessa pelo passado pode visitar outros moradores quase centenários e passar a conhecer um pouco mais da história do distrito.

Tiquaruçu fica a cerca de 30 quilômetros de Feira de Santana. Chega-se até lá pela BR-116 Norte – percorrem-se quase 17 quilômetros na rodovia. A estrada que leva ao distrito tem cerca de 12 quilômetros de extensão.

Foto: Izinaldo Barreto arquivo

Fonte: Prefeitura de Feira de Santana

#FEIRA DE SANTANA

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