
Maior polo comercial do Nordeste, Feira de Santana marca sua notável história com invulgar sucesso nesse segmento econômico, e isso desde o seu surgimento como povoado. Assim, vale lembrar um pouco dessa trajetória através de um passeio pelo centro da Princesa 60/70 anos atrás, observando estabelecimentos comerciais daquela época, alguns talvez ainda existentes. Um passeio proporcionado pela memória.
Em 18 de setembro de 1833, o povoado surgido na localidade de Olhos D’Água e que, por conta da intensa presença de vaqueiros, tropeiros e criadores de gado, foi rapidamente transformado em polo de um pequeno e palpitante movimento de trocas e vendas de mercadorias básicas, obtinha a esperada independência de Cachoeira, tornando-se oficialmente Vila. Em 16 de junho de 1873, outro passo gigante era dado, com a elevação da Vila à
categoria de Cidade Comercial de Feira de Santana, mediante a lei provincial número 1320. Nada mais justo, dizia-se, e isso ninguém discutia, diante das evidências. Os ruralistas e moradores, de um modo geral, das comunidades próximas, passaram a comparecer ao movimento comercial, que surgiu de forma natural, garantindo o rápido crescimento do povoado.
Em 16 de junho de 1873, a lei provincial número 1320 elevava a progressista vila à Cidade Comercial de Feira de Santana. A expressão “Comercial”, acrescida ao topônimo do município, nada mais foi do que o reconhecimento oficial dos governantes a uma comunidade de acesso ao semiárido, hoje considerada Portal do Sertão, de tendência nata ao segmento comercial. Vender, comprar, trocar — atividades feitas com absoluta naturalidade, sem qualquer planejamento — propiciaram o desenvolvimento da urbe de uma maneira própria e pouco comum na região.
A expansão da cidade representou a expansão do comércio, ou vice-versa, tal a singularidade da terra batizada com o vocábulo que significa, de forma comum, a atividade mercantil. Evidente que, cumprindo ciclos, como tudo na vida, o comércio tem sido o acelerador do progresso feirense, também contemplado por componentes adicionais comuns na composição da economia, como a indústria, a agropecuária e os serviços. Até a década de 1950, o comércio estava mais voltado para o básico: produtos alimentícios, tecidos, calçados, ferramentas e insumos agrícolas. A cidade ainda tinha perfeita ligação com a zona rural, com efeito direto da feira-livre que ocorria às segundas-feiras.
A partir dos anos 1960, o comércio ganhou novos ares com a modernização das lojas e o uso do marketing. Basicamente, o varejo ocupava o “coração” da cidade, limitado entre as praças da Bandeira e João Pedreira e o amplo corredor das ruas Sales Barbosa e Marechal Deodoro, seccionado pelas duas praças, onde estavam os abrigos Predileto e Santana, que já não existe. Na Sales Barbosa localizavam-se as principais casas de varejo e, como seria impossível relatá-las integralmente, vale citar algumas: Suprema Móveis, Armarinho Tapajós, Seda Moderna, A Ideal, A Majestosa, Loja Sarkis, O Aladim, Café Tabajara, Armarinho da Sorte, Bar Meu Cantinho, Padaria da Fé, Galeria Caribé, Loja Fontes, Ideal Modas Masculina, Sapataria Bezerra, Le Biscuit, Joia Modas, Casa Princesa, Loja Ana Maria, Casa Sobral, Casa Pinto, Casa do Chapéu, Tecidos Nordeste, Tecidos Pirangy, Livraria Santana. Ali também estava localizado o prédio do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), no qual funcionou a Câmara de Vereadores.
No outro lado, na Rua Marechal Deodoro: Café Paulino, Café Paulista, Lobo Tecidos, Comercial de Tecidos Almeida, Comtec, Pneus King, Farmácia Natal, Cadernos Lelian, Ladrilhos São Cosme, Fermal, Frinorte, Frocave, Hotel Guanabara, Ilo Brasileiro Balas, J. A. Mascarenhas, Iramil Artes Gráficas, Padaria Super Tupy, Sadel, Supermercado Despensa do Seu Lar, Universal Móveis, Vidraçaria São Francisco, Visão Moda Masculina, Sodiscos, Casa Marques, A Cearense.
Na Praça da Bandeira, dentre outros estabelecimentos comerciais: Lojas Pernambucanas, Café São Paulo, Casa das Louças, Sapataria Costa, A Violeta, Marrocos, Casa Armado, Cícero Carvalho, Farmácia Bahiana, Casa Branca, Casa Estrela, Casa das Lâmpadas, Farmácia São Luiz, Refrigerantes Cajuína.
Na Praça João Pedreira: Lojão Sarkis, Lojas Caldas, Roma, Carmac, A Notável, Sorveteria Íris, Drogafarma, Ema Mecanização Agrícola, Supermercado Peg-Pague, Santa Clara. Ainda na mesma praça, tendo ao centro o Abrigo Santana, o Banco Bamerindus, os Diários Associados, o Mercado Municipal (hoje Mercado de Arte Popular) e a Lanchonete Le Gouter.
Na Avenida Senhor dos Passos: Hotel Solar Santana, Livraria e Papelaria Mirim, Loja Belo Brasil, Livraria Guanabara, Tecidos São Paulo, Casa das Canetas, Casa Ok, Farmácia Campos, Ótica Classic, Farmácia Pinto, Hotel Gruta Moderna, Disfer, Suíte Tapeçaria, Casa do Lavrador, Vidraçaria Princesa, Universal Móveis, Produtos Águia Central, Palácio das Blusas, Churrascaria O Boiadeiro, Palácio do Fogão, Farmácia Menezes.
Também no ciclo comercial, na Rua Conselheiro Franco (Rua Direita), ficavam: Cedep, Lavanderia Cisne, Joalheria Sempre Viva, Dengo Boutique, A Imperatriz, Móveis Havana, Dislar, Loja Pires, Hotel Umuarama, Tecidos Feirense, O Lápis de Ouro, Farmácia Bahia, Cerqueira Gonçalves, Casa Esportiva, João Marinho Falcão, Mandacaru Hotel, Casa Império, Marvan Lotérica, Casa da Fazenda, Viegas Móveis, Posto Chapéu de Couro, Grafinort, Casa das Ferragens.
As demais vias centrais da cidade, a partir da década de 1960, sofreram o mesmo processo de transformação, mas com a citação dessas empresas torna-se possível imaginar o cenário local há sessenta anos, já que esse é o espírito básico dessa retrospectiva.
Por Zadir Marques Porto






