Comerciário ainda na infância, funcionário público, professor, consultor jurídico de várias instituições, diretor jurídico do Fluminense, vereador e advogado respeitado, Mário Gomes Moreira foi uma figura querida na cidade pela cordialidade com que a todos tratava, tornando simples a sua intelectualidade.
Foi vereador de apenas um mandato (1973/1977), pois, embora extremamente capacitado e cercado de enorme popularidade e respeito na comunidade, não se sentia político partidário. Para ele era tão fácil fazer amigos que talvez não se encaixasse em debates e polêmicas que a atividade política muitas vezes proporciona. Mário Gomes Moreira preferiu a advocacia, onde militou boa parte de sua vida de forma correta, mantendo os valores éticos e morais de forma inquebrantável, mas, antes disso, exerceu diversas outras atividades com a mesma qualidade.
Filho do comerciante Lídio Barros Moreira e Vestina Gomes Moreira, Mário nasceu na Rua de Aurora (Desembargador Filinto Bastos), em 6 de junho de 1934, época em que as famílias tradicionais que ali residiam, como as de Alcides Fadigas, Domingos Araújo, Miguel Dórea e Dimas Simões, dentre outras, já pensavam no festejo junino que viria um mês depois. A Rua de Aurora — para muitos ainda assim chamada — era uma das partes mais aprazíveis de Feira de Santana, marcada pela amizade que existia entre os moradores, considerados festeiros, mas religiosos.
Vale lembrar que o saudoso Manoel de Emília (Manoel Fausto dos Santos), um dos precursores da Micareta com o bloco As Melindrosas, garantia que a festa de Momo em Feira começou mesmo na Rua de Aurora. “Foram os meninos da família Fadigas que começaram a festa. Em 1937, quando o Carnaval não deu certo, a festa da Rua de Aurora foi transformada em Micareta”, dizia sempre. Assim, Mário Moreira teve uma infância descontraída, própria da época, com futebol nos campos do Horto, do Tiro de Guerra e outros próximos, cinema e música, embora ficasse com o irmão Geraldo a parte mais forte do lado musical, já que Geraldo integrou o Trio Os Divinais, cuja afinação era similar à do Trio Irakitan, considerado até hoje o melhor do país. O Trio Os Divinais originalmente era formado por Dida, Missinho e Geraldo Pacopaco (irmão de Mário).
Muito cedo, Mário demonstrou interesse pelo trabalho e, como na época não existia lei que impedisse o menor de trabalhar, aos 10 anos ele já estava na Loja Barros auxiliando o pai, sem que isso impedisse o lazer e os estudos na Escola João Florêncio — escola para meninos — na Avenida Senhor dos Passos, hoje Arquivo Público Municipal. Dois anos depois, foi trabalhar na loja de tecidos do comerciante Hesychio Dantas Carneiro, pai do ex-deputado federal Jairo Carneiro, localizada na Praça da Bandeira. Trabalhou também na Casa Sarkis, de Nicolau Sarkis, que ficava na confluência da Praça da Bandeira com a Rua Sales Barbosa.
Ainda muito jovem, foi para a cidade de Ubatã, onde trabalhou em uma firma que comercializava cacau, foi tesoureiro da Prefeitura local e atuou ainda na Central Elétrica Rio de Contas, em Ilhéus, onde fez o curso de Direito, concluído em 1965, na atual Universidade Santa Cruz. Voltando a Feira, passou a fazer parte do escritório dos renomados advogados Fernando Pinto de Queiroz e Jorge Leal. Posteriormente, manteve escritório com o advogado Antônio Navarro Silva. Durante seis anos (1967/1973), foi vice-diretor do Colégio Municipal Joselito Falcão de Amorim. Lecionou Economia e Organização Social e Política do Brasil (OSPB) no Colégio Santanópolis.
Com a sua afabilidade e gosto pelo trabalho, foi consultor jurídico da Associação Comercial, da Santa Casa de Misericórdia e dos extintos Clube de Campo Cajueiro e Feira Tênis Clube. Desportista e interessado em tudo que pudesse elevar o nome da Cidade Princesa, em 1967 tornou-se membro da diretoria do Fluminense de Feira Futebol Clube (FFFC), com eficiente atuação no departamento jurídico, e assim permaneceu durante muito tempo. Em 1969, o Fluminense foi campeão baiano, e ele fez parte da vitoriosa campanha tricolor. Foi casado com a professora Magali Moreira Ribeiro e pai do engenheiro químico Daniel e da médica Wilma. Em reconhecimento ao seu trabalho, a Câmara Municipal de Feira, durante as comemorações do Dia Nacional do Vereador, em 5 de novembro de 2004, concedeu-lhe a Medalha Vereador Dival Figueiredo Machado. Depois de cumprir regiamente a missão de cidadão ético e querido pela comunidade, Mário Gomes Moreira expirou em 21 de novembro de 2022, aos 88 anos de idade.
Por Zadir Marques Porto




