
São 52 anos e ele continua firme operando seu premiado equipamento e falando para o mundo numa incansável rotina. O potiguar Ávido Medeiros, que se destacou no rádio no Rio de Janeiro e foi um dos implantadores da Rádio Carioca de Feira, já fez mais de 20 mil contatos como radioamador e falou até com um rei da África.
O segundo mais antigo radioamador de Feira de Santana, Ávido Rodrigues Medeiros PY6-AVB, com mais de 80 anos de idade, continua em plena atividade, com uma rotina diária admirável, que inclui, nos dias de terça-feira, auxiliado por Chaves – Tango FKF, de Limoeiro, Ceará, comandar, a partir das 19 horas, o Boa Noite Brasil, que congrega cerca de 130 praticantes do Brasil e do exterior. Natural de Cerro Corá, cidade do Rio Grande do Norte, homônima da existente no Paraguai, onde morreu o ditador Solano López, o PY6-AVB tem uma história interessante, toda ela ligada ao rádio e à comunicação.
Voz poderosa, naturalmente abaritonada e portentoso comunicador, começou em 1956 na Rádio Sociedade de Manhuaçu, estado do Rio de Janeiro, e logo estava na Rádio Guanabara, onde atuou ao lado de Cid Moreira, do qual foi diretor. Com convite da televisão e de grandes emissoras de rádio do Sudeste e de Brasília, Ávido preferiu vir para Feira de Santana, onde já estava seu irmão Manoel Rodrigues, bem-sucedido comerciante, notadamente do ramo de cereais.
Em 1968, com a implantação da Rádio Difusora Carioca nesta cidade, localizada na Avenida Senhor dos Passos, onde hoje há um grande estacionamento (vizinho à Marquemede), ao lado de Sidney Miranda (Sid), Ávido foi dirigente da emissora que pertencia ao empresário carioca Alceu Nunes Fonseca. Colocou no ar sua bela voz, enquanto também cuidava da programação e dos contatos comerciais. Em 1972 ingressou no radioamadorismo, incentivado pelo professor Almiro Vasconcelos, pai de Naron Vasconcelos, e jamais deixou de operar, constituindo-se no segundo mais antigo radioamador local. “O decano da atividade, garante ele, é o viajante Bezerra”.
Ávido começou operando um aparelho de Rádio Delta 110 e falou pela primeira vez com seu padrinho, o professor Almiro Vasconcelos, e sua madrinha, Maria Inês, na cidade de Barreiras. Em 52 anos de atividade, ele estima que ultrapassa a casa dos 28 mil contatos com colegas do Brasil e do exterior, inclusive o rei Faissal, já falecido, que era ardoroso radioamador. Ele garante que, graças à atividade, conhece todos os estados brasileiros, participando dos inúmeros encontros realizados, e, fora do país, já esteve no Paraguai, Uruguai, Argentina e nos Estados Unidos. Em uma repleta galeria estão diplomas, medalhas, troféus e outros prêmios recebidos, como um microfone dinâmico 777 da Rádio ABC, de Nova York, que ele recebeu quando ali esteve. É igualmente importante um microfone ofertado pelo radialista da Rádio Sociedade da Bahia, Osvaldo Júnior, já falecido.
Diariamente, Ávido Medeiros liga o seu equipamento e, nos 40 metros, inicia os contatos que não se restringem ao território nacional. “Falo todos os dias com o Soares, lá de Portugal, que é espirituoso, gosta de brincar e diz: ‘Ávido, você é um rapaz bom, mas não dá nem pra sabão!’”. Mesmo com o avanço da tecnologia, o radioamadorismo continua importante na sua missão integradora, prestando relevantes serviços à comunidade mundial em eventos marcados por dificuldades, ao tempo em que promove entretenimento. Hoje, conforme Ávido Medeiros, Feira de Santana deve contar com 150 radioamadores, alguns como o comerciante Hamilton Limeira e o advogado Roberto Tourinho, em plena atividade. Na Bahia são mais de 250, e a Labre, entidade de classe, mantém a dinâmica necessária para o perfeito funcionamento do sistema.
Por Zadir Marques Porto




