
Muitas vezes passamos em uma rua, em uma praça, sabemos o seu nome, mas nada sabemos sobre a pessoa referida na placa, ou o seu patrono, mesmo que tenha sido alguém que contribuiu para o desenvolvimento do município, ou elevá-lo ao estágio atual. Em uma urbe grande, como a Princesa do Sertão, isso acontece repetidas vezes. Aqui citamos alguns feirenses natos, que têm seus nomes em logradouros e pouco se sabe sobre eles. É uma pequena relação, porque o quantitativo é muito amplo.
Transitar por uma cidade com centenas de ruas, avenidas, praças e outros logradouros é uma tarefa que muitos fazem todos os dias por uma série de motivos, como o trabalho, o colégio, um parque, uma área esportiva, uma casa de saúde, dentre outros. Todavia, seria difícil chegar ao ponto desejado sem saber o nome do local pretendido. Do mesmo modo, a entrega de uma correspondência pelos Correios e outros órgãos depende exatamente do nome do local. Assim, é necessário e obrigatório nominar as vias de uma cidade.
Em Feira de Santana, com cerca de 700 mil habitantes, ou até mais, estimativa feita por muitos que não acreditam nos números apresentados pelo censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são centenas de logradouros, muitos com nomes de médicos, professores, militares, literatos, políticos e outros que figuram na história do país, mas não fazem parte da história do município. Outros fazem parte diretamente da vida da Princesa do Sertão, mas, dentre os circulantes, ou transeuntes, poucos sabem ou até nada sabem sobre eles.
É exatamente sobre esses, ou alguns desses, já que seria difícil falar sobre todos, que aqui vamos relatar, mas sem preocupação histórica, cronológica ou mesmo alfabética. No centro da cidade, a Praça João Pedreira ou J. Pedreira é uma referência ao rico coronel que edificou um quarteirão de casas ao lado do Mercado de Arte Popular (MAP). Praça Bernardino Bahia refere-se a coronel do mesmo nome que residiu em faustosa mansão. Ali também residiu João Marinho Falcão, prestigiado comerciante e prefeito municipal. Na Praça Bernardino Bahia, local de uma feira-livre, há um coreto e já existiu um cata-vento.
A partir da Praça dos Remédios até a Praça Froes da Mota está a Rua Monsenhor Tertuliano Carneiro da Silva. Esse sacerdote foi vigário da Igreja Matriz (hoje Catedral) e responsável pela conclusão das obras do templo. Centro do comércio varejista da cidade, a Rua Sales Barbosa é um preito ao advogado, jornalista, poeta e abolicionista Francisco de Sales Barbosa. Descendo um pouco, já que a cidade é quase toda plana, está a antiga Rua da Aurora, oficialmente Rua Desembargador Filinto Bastos (Filinto Justiniano Ferreira Bastos), professor, advogado, membro da Academia de Letras da Bahia e diretor da Faculdade de Direito da Bahia.
Fazendeiro, comerciante de fumo, bem-sucedido financeiramente, Agostinho Froes da Mota dá nome à praça onde está o palacete que lhe pertenceu, hoje sede da Fundação Senhor dos Passos. A Rua Manoel Matias de Azevedo, onde está localizado o Centro de Abastecimento, homenageia o comerciante e orador de destaque na cidade. Rua Professor Geminiano Costa, onde está a Biblioteca Municipal e o Museu de Arte Contemporânea Raimundo Oliveira, é uma justa homenagem ao professor primário que nada cobrava de alunos pobres. Na sequência dessa artéria, onde está o Hospital Dom Pedro de Alcântara, é a Rua Edelvira de Oliveira, “professora Catuca”, que lecionou e foi diretora do Ginásio Santanópolis.
Praça Padre Ovídio, ao lado da Catedral de Santana, lembra o padre Ovídio Alves de São Boaventura, dedicado religioso, abolicionista, que foi um dos maiores nomes da Igreja Católica na Princesa do Sertão. No bairro Queimadinha, a Rua Intendente Abdon (coronel Abdon Alves de Abreu), que foi intendente municipal. Entre a Sales Barbosa e a Desembargador Filinto Bastos está a Rua Hermínio Francisco dos Santos, que foi alto comerciante e fundador da Sociedade Filarmônica Euterpe Feirense. A Praça do Fórum, na verdade, é a Praça João Barbosa de Carvalho, farmacêutico que nasceu em Bonfim de Feira e se consagrou como um verdadeiro médico pelo atendimento que dava aos clientes. Avenida Maria Quitéria, nada mais que uma homenagem à grande heroína baiana Maria Quitéria de Jesus Medeiros. Rua Intendente Ruy refere-se ao feirense Tito Ruy Bacelar, que foi jornalista, intendente municipal e deputado estadual. A Rua Libânio de Morais, lateral do Mercado de Arte Popular, refere-se ao jornalista, advogado e poeta Libânio Ferreira de Morais.
Na Kalilândia está a Rua Sabino Silva, que foi um médico humanitário e íntegro, nascido em Bonfim de Feira. Rua Intendente Freire, que para alguns é “beco” e não rua, rememora o coronel José Freire de Lima, intendente de Feira de Santana. Da Avenida Senhor dos Passos, quem vai ao Instituto de Educação Gastão Guimarães (IEGG) tem que trilhar a Avenida Sampaio, antes nominada de ABC. Joaquim de Melo Sampaio foi intendente de Feira de Santana.
Rua Honorato Bonfim fica no Pilão, onde funciona uma fábrica de biscoitos. Honorato Manoel Bonfim foi um médico conceituado. Rua Georgina de Melo Erismann foi professora, poetisa, pianista, compositora e autora do Hino a Feira. Rua Edite Mendes Gama e Abreu é um preito à professora, conferencista e primeira mulher a ingressar na Academia Baiana de Letras, além de fundadora da Faculdade de Filosofia da Bahia. Rua Aloísio Resende homenageia o poeta e jornalista prestigiado e considerado polêmico.
Rua Coronel Álvaro Simões, fazendeiro conceituado em Jaíba e fundador da Associação Comercial e do Tiro de Guerra 17 (TG-17). Essas são algumas referências de Feira de Santana, homenageadas oficialmente, tendo seus nomes colocados em logradouros públicos. Na verdade, é uma pequena relação da extensa lista existente. Por isso mesmo, devem continuar, em muitas oportunidades, as perguntas “quem foi?” ou “quem é?”.
Por Zadir Marques Porto




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Foto: Divulgação Arquivo ZMP




