
O Conexão Cultural fincou raízes no Quilombo de Cordoaria, na zona rural de Vila Abrantes, reafirmando a força da descentralização cultural e o compromisso com a valorização da história viva de Camaçari. Em um território marcado pela resistência, pela memória e pela identidade, a cultura pulsou com ainda mais significado neste sábado (7).
Realizado pela Secretaria de Cultura (Secult) no quilombo que compõe a história do município, o evento levou arte, alegria e clima carnavalesco para além do centro urbano, fortalecendo o acesso à cultura nos territórios rurais e celebrando tradições perpetuadas de geração em geração.
A iniciativa nasce desse propósito: valorizar os territórios, fortalecer os grupos locais e conectar o passado, o presente e o futuro. É o que ressaltou a titular da Secult, Elci Freitas, ao reafirmar o compromisso com a cultura popular, comunitária e de matriz ancestral. “É com muita alegria que trazemos essa ação a Cordoaria, um território de memória, de resistência e de cultura viva. Este quilombo é chão ancestral, é lugar onde a tradição se mantém pulsando através do tambor, da capoeira, do samba, das caretas e de tantas expressões que constroem a nossa identidade”, afirmou.
“A gestão municipal tem caminhado ao lado da cultura, entendendo que investir em cultura é investir em identidade, cidadania e desenvolvimento. É com essa sensibilidade e apoio que conseguimos chegar aos territórios, fortalecer os grupos locais e garantir que iniciativas como essa aconteçam. Cada grupo que se apresentou aqui carrega história, saberes e a força do povo quilombola, que nunca deixou sua cultura silenciar”, completou a gestora.
Na oportunidade, a Secult entregou um troféu de homenagem a Florisvaldo Ferreira Gomes, o Seu Dadu, mestre griô, guardião da cultura quilombola e produtor agroecológico. “É uma honra receber esse reconhecimento. Pra nós que vivemos aqui, que era considerado ‘atrás do mundo’, e hoje Cordoaria diz que também tem cultura, educação e política pública, que é o que está sendo feito. Cordoaria é uma universidade a céu aberto”, definiu o Mestre Dadu.
O Conexão Cultural começou com um cortejo vibrante, que saiu da rua principal da localidade, nas imediações da Casa de Farinha Comunitária de Cordoaria. Embalado por ritmos, cores e movimentos que atravessam o tempo, o cortejo foi puxado por Felipinho e contou com a força de variadas manifestações culturais.
Entre os grupos, esteve o Aquilombar Capoeira, que carrega 22 anos de história no município, sendo 8 destes também em Cordoaria. À frente do grupo, para Jorge Souza do Nascimento, o Contramestre Pica Pau, ter eventos que potencializam a cultura local é fundamental. “Aqui, a própria comunidade organiza uma série de iniciativas, mas voltar a ter este incentivo do poder público depois de muitos anos é de suma importância para que as tradições populares sejam fomentadas e fortalecidas”, pontuou.
O cortejo multicultural ainda contou com apresentações dos grupos Tambores de Cordoaria, Boi Bonito de Abrantes, Caretas de Cordoaria e da Charanga da Fanfarra Municipal Popular de Abrantes (Fampa). A caminhada transformou as ruas em um grande palco a céu aberto, reunindo a comunidade em um encontro marcado pela celebração da ancestralidade.
Entre os moradores que foram conferir de perto o festejo, esteve a professora Maria Cristina Santana, 52 anos, que participa ativamente de organizações locais. “É a primeira vez que vejo Cordoaria receber um pré-Carnaval realizado pelo poder público, trazendo lazer para a juventude e integrando toda a comunidade. Me sinto feliz de poder estar aqui hoje, o sentimento é o de pertencimento”, afirmou.
A beijuzeira Maria Angélica dos Santos, 54 anos, também aproveitou o Conexão Cultural e destacou o impacto positivo da ação para a localidade. “É muito importante um evento como este, especialmente porque valoriza os grupos da própria comunidade. Achei uma festa maravilhosa e espero que, cada vez mais, nossa comunidade ganhe um olhar de atenção”.
À noite, o festejo seguiu no palco principal, montado no Largo do Quilombo, próximo à Paróquia Divino Espírito Santo, onde a animação tomou conta do público. Entre as atrações, a banda Samba Trator fez todo mundo dançar. O vocalista Juraci Santos compartilhou a alegria de participar da festa. “É uma grande satisfação fazer parte desse evento. É a nossa primeira vez em Cordoaria, e espero que seja a primeira de muitas. A energia do povo de Camaçari é sempre positiva”, afirmou.
Também subiram ao palco a cantora Nadja Meirelles, as bandas Pensamento Positivo e Samba Ohana, além do músico Savilar Rasta Man, garantindo um repertório diverso, animado e cheio de boas vibrações.
Aberto na sexta-feira (6), com muita folia no bairro de Parafuso, na sede de Camaçari, o Conexão Cultural segue neste domingo (8), em Monte Gordo, na orla do município, com cortejo saindo da Rua Senhor do Bonfim, defronte ao supermercado Mix Bahia. Já o palco principal será montado nas proximidades do Mercado Municipal da localidade.
A iniciativa é realizada com o apoio do Governo do Estado da Bahia, através da Superintendência Estadual de Fomento ao Turismo (Sufotur), via Edital de Seleção Pública para o Carnaval 2026.
14h – CortejoPriscila Miller convida:Pelé do Samba e as SambadeirasCapoeira FatumbiCharanga CaraípaDança Contemporânea AncestralBangariô
16h – Palco PrincipalPé de LataMüller MagnoRode TorresLucas VianaVirado no 70Henrique do Cavaco
Fonte: Prefeitura de Camaçari




