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O Partido Nacionalista de Bangladesh (PNB) venceu uma eleição parlamentar histórica, segundo mostraram as emissoras de TV locais na sexta-feira (13), conforme as cédulas eram contadas durante a madrugada em uma votação crucial que deve restaurar a estabilidade política.
A eleição parlamentar realizada na quinta-feira (12) foi a primeira votação em Bangladesh desde a revolta liderada pela Geração Z em 2024, que derrubou a primeira-ministra Sheikh Hasina, no poder há muito tempo.
Um resultado claro era considerado crucial para a estabilidade do país, com 175 milhões de habitantes e maioria muçulmana, após meses de distúrbios violentos contra Sheikh Hasina que perturbaram a vida cotidiana e afetaram setores importantes, incluindo o de vestuário – o segundo maior exportador mundial.
Foi também a primeira eleição nacional após as recentes revoltas lideradas por jovens com menos de 30 anos que surgiram em toda a região. O Nepal deve realizar uma votação no próximo mês.
Por volta das 4h da manhã (horário local), o BNP havia garantido 185 cadeiras na Jatiya Sangsad, ou Câmara da Nação, com 300 membros, segundo mostraram os canais de TV, ultrapassando facilmente a marca da maioria simples.
À medida que a contagem continuava, os líderes do BNP afirmaram que o partido estava confiante em conquistar 200 cadeiras e garantir uma maioria de dois terços.
“É claro que o BNP está vencendo, a maioria, é claro, e seria até mesmo uma vitória esmagadora”, disse Amir Khasru Mahmud Chowdhury, membro do comitê permanente do BNP.
“Ganhar dois terços das cadeiras é chamado de vitória esmagadora, acho que ultrapassaremos o limite de 200 cadeiras.”
O BNP é liderado pelo principal candidato a primeiro-ministro, Tarique Rahman, de 60 anos, filho da ex-primeira-ministra Khaleda Zia e do ex-presidente Ziaur Rahman.
Suas promessas de campanha incluíam ajuda financeira para famílias pobres, um limite de 10 anos para o mandado de primeiro-ministro, impulsionar a economia por meio de medidas que incluem investimentos estrangeiros e políticas anticorrupção.
Shafiqur Rahman, líder do principal rival do BNP, o partido islâmico Jamaat-e-Islami, reconheceu a derrota, com seu partido conquistando apenas 56 cadeiras.
Rahman disse que o Jamaat não se envolveria na “política de oposição” apenas por se opor: “Faremos uma política positiva”, disse ele aos repórteres.
Apesar do resultado esmagador, a eleição foi considerada a primeira votação verdadeiramente competitiva em Bangladesh em anos. O partido Liga Awami, de Hasina, que governou o país por mais de 15 anos até sua destituição, foi impedido de concorrer.
A participação eleitoral parecia estar a caminho de ultrapassar os 42% registrados na última eleição em 2024. A mídia local informou que mais de 60% dos eleitores registrados deveriam ter votado.
Mais de 2 mil candidatos — incluindo muitos independentes — estavam na cédula eleitoral, e pelo menos 50 partidos disputaram cadeiras, um recorde nacional. A votação em um distrito eleitoral foi adiada após a morte de um candidato.
Paralelamente à eleição, foi realizado um referendo sobre um conjunto de reformas constitucionais, incluindo:
- o estabelecimento de um governo interino neutro para os períodos eleitorais,
- a reestruturação do Parlamento em uma legislatura bicameral,
- o aumento da representação feminina,
- o fortalecimento da independência judicial e
- a introdução de um limite de dois mandatos para o primeiro-ministro.
Não houve nenhuma declaração oficial sobre o resultado do referendo. O importante jornal local Prothom Alo informou que o voto “sim” ou positivo estava liderando a contagem.
A ex-primeira-ministra Hasina está em exílio autoimposto na Índia, aliada de longa data, o que tem prejudicado as relações entre Daca e Nova Délhi e aberto uma janela para a China expandir sua influência em Bangladesh.
Em uma declaração enviada após o fechamento das seções eleitorais, Hasina denunciou a eleição como uma “farsa cuidadosamente planejada”, realizada sem seu partido e sem a participação real dos eleitores. Ela disse que os apoiadores da Liga Awami rejeitaram o processo.
“Exigimos o cancelamento desta eleição sem eleitores, ilegal e inconstitucional… a remoção da suspensão imposta às atividades da Liga Awami e a restauração dos direitos de voto do povo por meio da organização de uma eleição livre, justa e inclusiva sob um governo provisório neutro”, disse ela.
Os opositores de Hasina afirmam que as eleições sob seu governo eram frequentemente marcadas por boicotes e intimidações.
Fonte: Agência Brasil




