

Foto: © Fernando Frazão/Agência Brasil
Milhares de pessoas acordaram cedo neste domingo de carnaval (15) para participar da folia do bloco Divinas Tretas, que se concentrou, mas não saiu, no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro.
O Divina Tretas é um dos 55 blocos corresponsáveis pela alegria neste dia ensolarado e quente dos cariocas. O coletivo deriva do antigo bloco Toco-Xona, o primeiro bloco LGBTQIA+ da cidade do Rio de Janeiro, criado em 2007 e renomeado em 2022, após a pandemia de covid-19.
A programação musical, tocada ao vivo e nos intervalos, tenta dar conta da pluralidade de ritmos brasileiros com samba, axé, piseiro e pitadas de rock em meio à cena pop.
“São músicas que levantam a galera”, explica a cantora e multi-instrumentista Karol Gomes, que se apresenta com tamborim e microfone na banda do bloco.
“Tocamos músicas que o público gosta, de divas internacionais e divas brasileiras, em que vestimos a roupinha da gente”, acrescenta Thaissa Zin, produtora executiva do Divinas Tretas.
“Tocar na rua é saber tocar gêneros populares, em que as pessoas vão se sentir acolhidas, abraçadas”, explica a DJ Laís Conti, uma das responsáveis por animar o público enquanto a banda se prepara ou descansa para seguir a festa.
A receita de Laís é fazer do momento em que apresenta a sua seleção de músicas “um set democrático e quente”.
As trilhas sonoras da DJ e da banda contribuem para tornar o ambiente do Divinas Tretas receptivo, agradável e diverso como deve ser um carnaval para todas as pessoas.
“Este é um bloco em que eu consigo me sentir bem como mulher hétero ou como uma pessoa gay ou uma pessoa fora dos padrões. Um lugar em que eu consigo me sentir completamente à vontade para exercer minha liberdade carnavalesca. De botar a roupa que eu estou com vontade, seja mais ou menos coberta. Onde posso dançar o que eu tenho vontade e ouvir músicas que eu gosto”, dá o testemunho a enfermeira Letícia de Almeida Lopes, 26 anos.
Para a foliã, as pessoas vão ao bloco “para serem felizes” e “não para fazer julgamentos”. Ela acredita que o clima geral do Divinas Tretas “traz sensação de segurança”.
A vendedora Thaísa Galvão, 28 anos, confirma as impressões de Letícia. “Me sinto muito bem. Dá para a gente se descontrair com os nossos amigos. Não tem nenhum tipo de briga. Todo mundo se dá bem. Por isso, eu sempre venho aqui”.
“É o bloco que a gente se sente acolhida. Não tem homem assediando a gente, o que é libertador”, complementa Jennifer de Oliveira, analista de operações, também com 28 anos.
O bloco do Divinas Tretas aproveitou a concentração de pessoas na folia para lembrar do julgamento que vai ocorrer depois do carnaval, dias 24 e 25, no Supremo Tribunal Federal (STF) de supostos executores, mandantes, comparsas e cúmplices pela morte da vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Torres. Além das chamadas no microfone do palco, leques foram distribuídos com a agenda do julgamento.
A Corte julga os processos do conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ) Domingos Brazão; o ex-deputado federal Chiquinho Brazão, irmão de Domingos; o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro Rivaldo Barbosa; o major da Polícia Militar Ronald Alves de Paula e o ex-policial militar Robson Calixto, assessor de Domingos.
Todos estão presos preventivamente por suposta participação nos assassinatos ocorridos em março de 2018.
Fonte: Agência Brasil




