Antônio Carlos Machado: vida pública com respeito e dignidade

Voz de trovão, simplicidade e dedicação fizeram de Machado um dos homens públicos mais bem credenciados junto à população. Natural de São Gonçalo dos Campos e aqui radicado, foi comerciante, vereador, secretário municipal e dirigente do Fluminense, mantendo sempre o mesmo perfil.

A cordialidade era uma das suas marcas, o que não escondia a sua disposição para o trabalho e a dinâmica que colocava em prática em tudo o que fazia. A voz grave apenas acentuava a simpatia expressa em cada diálogo. Antônio Carlos Machado, filho de Targino Machado Pedreira e de dona Maria de Lourdes Lima, era natural do vizinho município de São Gonçalo dos Campos e fez dessa proximidade uma ponte pela qual transitava com facilidade, cercado de amizade e respeito. Embora São Gonçalo fosse seu berço, feirense talvez fosse a naturalidade do seu coração.

Na Cidade Jardim, foi bom aluno nos colégios Antônio Carlos Pedreira e Agripina de Lima Pedreira, na militância dos indispensáveis bancos escolares da época, que garantiam conhecimento e educação a cada colegial. O trabalho sempre esteve presente em seu cotidiano, do qual jamais se esquivou, e assim, aos 12 anos, começou a trabalhar em um armazém de fumo de Francisco Daltro. A produção de fumo era expressiva na região, com diversos armazéns em Feira de Santana, de onde o produto saía em grandes quantidades para Salvador e outras cidades, onde se concentravam as principais fábricas de cigarro.

Em 1966, aos 20 anos de idade, foi eleito vereador em São Gonçalo, mas, ao concluir o mandato, não se interessou pela reeleição, preferindo morar em Salvador para dar sequência aos estudos e trabalhar. Alcançou a meta desejada ao concluir o curso ginasial no respeitado Colégio Central e o curso de Contabilidade no Colégio Severino Vieira. Na capital baiana, ocupou cargo administrativo na Empresa São Geraldo e foi supervisor do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), atuando em ampla área que tinha sede no município de Maragogipe.

Após deixar o IBGE, voltou para São Gonçalo dos Campos para trabalhar como diretor financeiro do escritório da Embasa (na época, SESEB). Novo passo foi dado em 1972, ao passar a atuar na área da construção civil em Salvador, por meio da União Rodoviária de Ordens Complementares Ltda. (UROC). Em 1977, decidiu se fixar em Feira de Santana com a empresa Machado & Machado, mantendo o mesmo ramo em que operava na capital do estado. Em 1988, devido aos constantes apelos de amigos e ao alargamento do prestígio na comunidade, decidiu se afastar do comércio e ingressar na política, elegendo-se vereador em 1992 e reelegendo-se em 1996.

Na vida pública, exerceu com sucesso a titularidade como secretário municipal de Cultura, Esporte e Lazer, além de ter sido secretário de Obras e Serviços Públicos, superintendente municipal de Trânsito, presidente do Instituto de Previdência Municipal e coordenador de Projetos Especiais de Feira de Santana. Dedicado membro da Maçonaria, Machado foi venerável da Loja 16 de Junho. O futebol era seu esporte preferido, e o Fluminense de Feira, sua paixão. Por muito tempo foi diretor do Touro, vivendo intensamente os bons e maus momentos do clube. Não se limitava à burocracia dos escritórios: participava de reuniões, treinamentos, viagens e decisões de forma ampla, sem subterfúgios. Nos jogos do clube feirense, estava sempre presente ao lado da comissão técnica, e houve fatos interessantes em sua gestão.

Em um compromisso oficial pelo campeonato estadual, diante da aparente dissociação entre o técnico e os jogadores em campo, ou da pouca participação do treinador como orientador, ele passou a comandar o time à beira do gramado. Antônio Carlos Machado foi um homem que preencheu bem seus dias de vida com muito trabalho, simplicidade e respeito. No dia 24 de março de 2015, concluiu sua trajetória com dignidade, tendo como última morada o Cemitério Jardim Celestial, exatamente quando deveria estar comemorando 69 anos de vida, já que nasceu em 25 de março de 1946.

Por Zadir Marques Porto

Foto: Divulgação – Arquivo ZMP

Fonte: Prefeitura de Feira de Santana

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