
Um dos símbolos da história e da arquitetura de Feira de Santana, o Paço Maria Quitéria, sede administrativa do município, completa neste ano um século de atividades. Exatamente no dia 3 de abril de 1926 foi aberto ao público pelo intendente Arnold Silva. A obra foi iniciada em 1921, durante a gestão de Bernardino Bahia, e custou 400 contos de réis, o equivalente hoje a R$ 49,2 milhões.
Para celebrar a data histórica, todo o complexo arquitetônico, que envolve o Paço Municipal e o prédio onde funciona a Secretaria Municipal de Comunicação Social e que abriga o Departamento de Jornalismo Radialista Dourival Oliveira, está recebendo nova pintura e passando por pequenas reformas e serviços de manutenção, preservando suas características originais e preparando-se para as comemorações do centenário.
Está previsto para o dia 4 de abril, Sábado de Aleluia, um ato simbólico, quando a administração municipal vai comemorar oficialmente o centenário do mais histórico de seus prédios. Observa-se que os feirenses têm um carinho especial pelo Paço Municipal. Seu estilo é neoclássico. Belo e imponente, destaca-se na paisagem urbana. É orgulho dos feirenses e um monumento à Princesa do Sertão.
A construção é tombada pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC). De acordo com o órgão, segue o modelo simplificado do padrão colonial, aplicado pela primeira vez em cidades baianas no século XVII.
Desde então, o prédio, que teve o engenheiro Acciolly Ferreira da Silva como responsável técnico — autor do projeto arquitetônico — reina absoluto na esquina das avenidas Senhor dos Passos e Getúlio Vargas, que à época da construção era chamada de Maria Quitéria, em homenagem à militar feirense que lutou na Guerra da Independência da Bahia.
É parte de um conjunto de prédios históricos, como o Mercado Municipal, inaugurado em 1915 e reinaugurado na década de 80 como Mercado de Arte Popular, depois de alguns anos fechado; além do Arquivo Público Municipal, onde funcionou a Escola João Florêncio, construída em 1918; e da Igreja Senhor dos Passos, cuja obra foi iniciada em 1922.
No outro lado da praça fica o não menos histórico casarão construído no século XVIII pelo coronel J. Pedreira, que dá nome à praça onde foi instalada uma obra do artista plástico feirense Juracy Dórea, intitulada “Caminhos Feirenses”. Lá funcionou durante anos a Intendência — espécie de prefeitura — e a Biblioteca Municipal.
O prédio da Prefeitura de Feira de Santana já teve utilidades extras. Nele, por um período, funcionou a Câmara de Vereadores — as sessões eram realizadas no Salão Nobre, onde foram tomadas decisões importantes, como a cassação do ex-prefeito Chico Pinto, em maio de 1964. O mesmo espaço também foi utilizado como Fórum de Feira de Santana.
O secular imóvel passou por várias reformas. A realizada em 2007 foi, na verdade, uma restauração. Entre outras intervenções, buscou-se, por meio da retirada de material das paredes, identificar sua cor original ou uma tonalidade semelhante à primeira demão, que havia sido coberta por diversas camadas de tinta. Agora, às vésperas do centenário, o prédio volta a passar por pintura geral.
Para chegar ao primeiro andar, utilizam-se duas escadas, com destaque para a de madeira, em forma de “S”, localizada na entrada pela Getúlio Vargas; a da entrada pela Senhor dos Passos é de mármore. No Salão Nobre, destaca-se a decoração com escaiola nas paredes e medalhões em estuque sobre o vão das portas.
Escaiola é uma técnica artesanal de revestimento de paredes e superfícies que imita mármore polido e pedras nobres. Já os medalhões em estuque são elementos decorativos clássicos, geralmente em gesso, utilizados para embelezar tetos e paredes ou como peças de arte, com origens que remontam a técnicas artesanais europeias e ao uso de arabescos.
Foto: Gabriel Calazans



