UE pede à ONU ação para permitir exportação de petróleo por Ormuz

Foto: © Reuters/Yves Herman/Proibida reprodução

A chefe da diplomacia da União Europeia (UE) disse hoje (16) que pediu ao secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) uma iniciativa que permita exportar petróleo pelo Estreito de Ormuz, semelhante ao acordo que permitiu a saída de cereais da Ucrânia.

“Durante o fim de semana, falei com o secretário-geral da ONU, António Guterres, se seria possível ter o mesmo tipo de iniciativa [no Estreito de Ormuz] que tivemos no Mar Negro para tirar cereais da Ucrânia”, afirmou Kaja Kallas ao chegar para uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE em Bruxelas.

Para a alta representante do grupo, o bloqueio do Estreito de Ormuz é “muito perigoso” para o abastecimento de petróleo, em particular para a Ásia, “mas também é problemático para os fertilizantes”.

“Se houver falta de fertilizantes neste ano, vai haver privação alimentar no próximo. Portanto, discutimos com Guterres como é que seria possível concretizar” essa iniciativa, disse.

Na menção que fez à Ucrânia, Kaja Kallas referiu-se à iniciativa dos Cereais do Mar Negro, mediada pela ONU e pela Turquia em julho de 2022, que, após ter sido assinada por Kiev e Moscou, permitiu exportações de cereais a partir dos portos ucranianos apesar da guerra entre os dois países, antes de a parte russa suspender o acordo em julho de 2023.

Nas declarações aos jornalistas, Kallas lembrou que os ministros dos Negócios Estrangeiros também vão discutir hoje se alteram o mandato da missão Aspides, destinada a proteger navios comerciais e mercantes na região do Mar Vermelho.

“Vamos ver se os Estados-membros estão verdadeiramente disponíveis para usar essa missão. Se quisermos ter segurança na região, seria mais fácil usar a missão que já temos na região e mudá-la um pouco”, disse,

Acrescentou que apesar de a França já ter anunciado que pretende criar uma missão para ajudar a abrir o Estreito de Ormuz, “é preciso ver o que é que poderia funcionar mais rápido”.

Questionada sobre as declarações do presidente dos Estados Unidos, que disse nesse domingo que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) terá um “futuro muito mau” se os aliados não ajudarem a abrir o Estreito de Ormuz, Kaja Kallas respondeu: “É do nosso interesse manter o estreito de Ormuz aberto”.

Segundo ela, por isso está sendo discutido o que pode ser feito do lado europeu. “Temos estado em contato com os nossos colegas americanos em vários níveis”.

Kallas observou, contudo, que o Estreito de Ormuz “está fora da área” da aliança e “não há países da Otan na região”, salientando que é por isso que a missão Aspides, ou outra missão voluntária que seja criada por Estados-membros da UE para o Estreito de Ormuz, é importante.

Os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE) reúnem-se nesta segunda-feira em Bruxelas para discutir as consequências da guerra no Irã e decidir um eventual reforço da presença naval no Oriente Médio a fim de proteger a circulação marítima na região.

*É proibida a reprodução deste conteúdo.

Fonte: Agência Brasil

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