
Apontada como responsável por uma série de falhas que estariam sendo cometidas à frente da gestão de unidades de saúde pública de Feira de Santana, a empresa INSV (Instituto de Saúde Nossa Senhora da Vitória) teve a saída solicitada ao Governo Municipal. Diversas críticas à administração terceirizada ecoaram em discursos dos vereadores na sessão desta quarta-feira (18). Não pagamento do 13º salário a funcionários, falta de repasse do dinheiro das férias para os colaboradores e desleixo na manutenção da estrutura dos prédios foram algumas das questões elencadas pelos parlamentares na tribuna da Câmara.
Descontente com as informações recebidas a respeito da atuação da empresa, Lu de Ronny (PV) relatou que no PSF do Parque Getúlio Vargas, administrado pela INSV, houve uma situação em que o paciente precisava de um Desfibrilador Externo Automático (DEA), mas não tinha na unidade. “Da mesma forma, não tem disponibilizado outros insumos e equipamentos necessários para atender o paciente. Está na hora desta empresa sair, pois vem deixando ruim a imagem da administração do prefeito e do secretário de Saúde”, reclamou.
Segundo o presidente do Legislativo, Marcos Lima (União), até para se conseguir a limpeza de um posto de saúde, hoje se enfrenta dificuldade. Mesmo os servidores informando ao dono da empresa as necessidades, eles não se preocupam em atender. “Só querem receber o dinheiro para investir em outras cidades, enquanto nossa população sofre”, observou, ressaltando que a atitude prejudica o trabalho empreendido pelas autoridades locais. “Pelo menos em relação às unidades básicas, a Prefeitura deveria retomar a gestão para providenciar insumos, medicamentos, conserto de equipamentos e de cadeira de dentista”, defendeu.
Estes tipos de contratos [terceirização da gestão] têm causado um prejuízo muito grande às unidades e aos feirenses, na opinião de Marcus Carvalhal (PL). Além de atrasar salários dos trabalhadores, as organizações contratadas não têm dado atenção à qualificação dos ambientes e nem feito a devida manutenção. “A unidade do Parque Getúlio Vargas está há quase dois anos sem a cadeira de dentista. E a mesma situação se repete no bairro Sítio Matias e em outros, onde a INSV administra o serviço”, afirmou. Uma vez que os valores dos contratos não são baixos, avaliou Professor Ivamberg (PT), cai qualquer justificativa para prestarem serviços que “não estão a contento”.
Já, Albino Brandão (PSDB), acredita que seria interessante o Governo Municipal pensar numa licitação específica para manutenção predial na área de saúde. “Também tenho recebido inúmeras reclamações sobre falta de limpeza, pintura e outros problemas”, assinalou. No período em que a secretaria mantinha uma equipe com 30 servidores para fazer manutenção, lembrou Lulinha da Gente (União), se fazia reformas e o trabalho fluía muito bem. “Deveria voltar a ter contratação direta”, cobrou, sinalizando que a área de educação vive mesmo problema com limpeza das escolas.
Por sua vez, Josivaldo Santana (União) comunicou que discutiu esta questão ontem (17) com o secretário de Saúde, Rodrigo Matos. O gestor teria garantido que nos próximos dias a empresa INSV estará saindo da gestão das unidades. “Ele tem ciência das dificuldades enfrentadas, principalmente a respeito de cadeiras de dentistas sem funcionar. Afirmou que isto será sanado para voltar a atender a população”, explicou. Luiz da Feira e Ron do Povo, ambos do PP, e Jorge Oliveira (PRD) também registaram ter conhecimento de reclamações dos usuários sobre a péssima situação dos imóveis onde funcionam as unidades de saúde com gestão terceirizada.
Foto: Acorda Cidade/Street View
Fonte: Câmara de Feira de Santana






