EUA: foto do ano do World Press Photo mostra família separada pelo ICE

Foto: © Carol Guzy/ZUMA Press/World Press Photo 2026.

O prêmio de Fotografia do Ano, do concurso World Press Photo, foi atribuído à imagem de uma família separada à força num tribunal pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (EUA), o ICE, anunciou a organização.

Com o título “Separated by ICE” (“Separados pelo ICE”, em tradução livre), a imagem foi captada por Carol Guzy para o diário norte-americano Miami Herald e selecionada entre os 42 vencedores do concurso de 2026, escolhidos entre mais de 57 mil candidaturas de 3.747 fotógrafos de 141 países, informa comunicado publicado no site da organização.

Duas fotografias de palestinos que enfrentam enfrentar a fome em Gaza e de sobreviventes de violência sexual, a quem foi feita justiça na Guatemala, foram também premiadas no concurso deste ano, avaliadas e escolhidas por um júri global.

O prêmio World Press Photo foi criado em 1955 pela fundação do mesmo nome e sem fins lucrativos, com o objetivo de distinguir, todos os anos, fotografias que marcam a atualidade e que repercutem com em escala mundial.

A Fotografia do Ano, tirada no interior de um dos poucos edifícios federais dos EUA onde foi permitido o acesso a fotógrafos, capta um momento angustiante de uma família separada pelo Estado.

Luis, um migrante equatoriano, foi detido por agentes do ICE após uma audiência no Tribunal de Imigração na cidade de Nova York, em 26 de agosto de 2025, enquanto a família afirma que ele não tem antecedentes criminais e que era o único sustento da família.

“A esposa de Luis, Cocha, e seus três filhos – com idades de sete, 13 e 15 anos – ficaram inconsoláveis, enfrentando dificuldades financeiras imediatas e um profundo trauma emocional com a separação”, relata o texto sobre a fotografia.

O júri comentou, sobre a imagem: “O que Carol Guzy registra aqui não é um momento isolado de luto, mas sim a prova e a documentação de uma política governamental aplicada sistematicamente a pessoas que seguiram as regras que lhes foram impostas. Numa democracia, a presença da câmara naquele corredor não é acidental, é essencial”.

Uma das fotografias premiadas se chama “Aid Emergency in Gaza” (“Ajuda de emergência em Gaza”, em tradução livre) e foi captada em julho de 2025 por Saber Nuraldin, da agência EPA Images, retratando dezenas de palestinos subindo em um caminhão de ajuda humanitária à medida que ele entra na Faixa de Gaza pelo Posto de Passagem de Zikim, numa tentativa de obter farinha.

O fotógrafo Saber Nuraldin nasceu em Gaza, onde tem documentado a vida cotidiana desde 1997.

As autoridades israelenses impuseram bloqueio total à ajuda humanitária em março. Segundo balanço da ONU citado pela World Press Photo, entre o final de maio e o início de outubro, pelo menos 2.435 palestinos que procuravam comida foram mortos em locais de distribuição de ajuda ou nas suas proximidades.

Apesar do acordo de cessar-fogo em outubro, mais de 75% da população continuam a enfrentar a fome e a desnutrição, segundo a ONU.

Outra imagem finalista distinguida no concurso foi “The Trials of the Achi Women” (“As provações das mulheres Achi”, em tradução livre), por Victor J. Blue para a revista do The New York Times.

Na imagem, a idosa Paulina Ixpatá Alvarado, que foi mantida em cativeiro e agredida durante 25 dias em 1983, encontra-se ao lado de outras mulheres Achi à porta de um tribunal da Cidade da Guatemala, em 30 de maio de 2025, onde três ex-patrulheiros da Defesa Civil foram condenados a 40 anos de prisão por violação e crimes contra a humanidade.

Durante quatro décadas, um grupo de mulheres indígenas Maya Achi, em Rabinal, viveu nas mesmas comunidades que os homens que as tinham violado, muitas vezes como vizinhos. Nesse período, uma guerra civil na Guatemala levou ao genocídio de milhares de pessoas da etnia Maya Achi pelas forças militares e paramilitares locais apoiadas pelo Estado.

Em 2011, 36 mulheres quebraram o silêncio, iniciando e vencendo uma batalha judicial de 14 anos contra os seus agressores. A resiliência coletiva está transformando um legado de impunidade em tempo de guerra numa vitória histórica para a Justiça.

*É proibida a reprodução deste conteúdo.

Fonte: Agência Brasil

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