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Intendentes de Feira: mais de meio século de uma rica história

Antes de ser gerido por prefeitos, o município de Feira de Santana foi administrado por intendentes, nomeados e eleitos, chegando a ter dois deles ao mesmo tempo. Em 56 anos, o município contabilizou 12 intendentes e o último deles, um advogado natural de Salvador, foi também o primeiro prefeito da Terra de Senhora Santana.

Emancipado em 18 de setembro de 1833 de Cachoeira, então líder de uma extensa região baiana — a partir do Recôncavo em direção ao sertão (semiárido) — o município de Feira de Santana, caminhando de forma progressista para o seu segundo centenário, emoldura sua história com fatos dignificantes, na grande maioria dos casos, incluindo-se aí o indispensável comando político-administrativo.

A partir de 1873, ou 40 anos após tornar-se político-administrativamente livre da regência de Cachoeira, Feira de Santana conheceu o período da Intendência, quando passou a ser administrada por um intendente que tinha as mesmas prerrogativas de prefeito, apenas com nomenclatura diferente. Alguns chegaram ao cargo por nomeação, outros por meio do voto popular. A Intendência, que precedeu o período republicano, durou exatos 56 anos, entre 1873 e 1929. A Terra de Senhora Santana foi comandada, nesse período, por 12 cidadãos.

O primeiro intendente do município foi o médico Joaquim Remédios Monteiro, que ocupou o cargo entre 1873 e 1890, antes da promulgação da Constituição do Estado da Bahia, em 1891. No entanto, há relatos que citam como intendente o coronel Joaquim de Melo Sampaio entre 1890 e 1892 — ou apenas de fevereiro a julho de 1890 — período em que teria implantado a Biblioteca Municipal, originalmente na Praça da Bandeira (próximo ao Abrigo Predileto), e encomendado a estátua de Padre Ovídio de São Boaventura, produzida pelo artista francês André Jacques.

Joaquim Remédios Monteiro era português naturalizado brasileiro, médico do Exército, que veio para Feira de Santana em tratamento pulmonar, atraído pelo clima propício do semiárido. Aqui permaneceu, exercendo a medicina de forma humanitária, tornando-se bastante popular, a ponto de ter sido intendente e vereador por dois mandatos. De 1892 a 1903, durante 11 anos, o município teve como intendente o coronel José Freire de Lima. Seu primeiro mandato foi por nomeação, e os seguintes por eleição. Entre suas principais ações, destaca-se a criação da Guarda Municipal de Feira de Santana, que até hoje presta relevantes serviços à comunidade. Também promoveu a instalação da estátua de Padre Ovídio, adquirida na gestão anterior.

O coronel José Antunes Guimarães ocupou a intendência entre julho e dezembro de 1903, após o falecimento de José Freire de Lima. Em 1904, assumiu Tito Rui Bacelar, que não concluiu o mandato previsto até 1907, afastando-se em abril de 1906 para concorrer à Assembleia Legislativa, sendo eleito deputado estadual.

Em 1907, Feira de Santana viveu um episódio inédito: a eleição de dois intendentes. Bernardino da Silva Bahia venceu o pleito contra Abdon Alves de Abreu, mas este, inconformado com o resultado e com apoio do governo estadual, tomou posse. Assim, por um breve período, o município teve dois intendentes simultaneamente. Após acordo com o governo estadual, ficou definido que Abdon governaria de 1907 a 1912, e Bernardino de 1912 a 1915.

Entre as principais obras de Bernardino Bahia destaca-se o Mercado Municipal (1914/1915), posteriormente transformado, em 1980, no Mercado de Arte Popular (MAP), durante a gestão do prefeito Colbert Martins da Silva.

De 1915 a 1920, o município foi administrado pelo coronel Agostinho Fróes da Mota, por nomeação. Foi um período de grande desenvolvimento, com a construção da Praça da Matriz (atual Praça Monsenhor Renato Galvão), do coreto, das escolas Maria Quitéria e João Florêncio, além da Escola José Joaquim Seabra (atual Centro Universitário de Cultura e Arte – CUCA).

Ainda nessa gestão, foi construída a Ponte Rio Branco, sobre o Rio Jacuípe, de grande importância à época, mas hoje inexistente. Em 1919, foi inaugurada a agência do Banco do Brasil, evidenciando o progresso acelerado da então “terra das boiadas”.

Em 1920, Bernardino da Silva Bahia retornou à intendência, desta vez por eleição. Entre suas realizações estão o início da construção do prédio da Prefeitura, a restauração das praças dos Remédios e Bernardino Bahia, a pavimentação da Rua de Aurora (atual Desembargador Filinto Bastos), além da implantação de estradas vicinais para Bonfim de Feira, Tanquinho e Santa Bárbara. Em 1921, foi fundada a Sociedade Filarmônica Euterpe Feirense.

Entre 1924 e 1927, o município foi administrado por Arnold Ferreira da Silva, que concluiu a sede da Prefeitura e implantou a energia elétrica em 1926, com um motor vindo da Dinamarca. Nesse período, também foi inaugurada a primeira rodovia ligando Feira de Santana a Salvador, pelo governador Góes Calmon.

De 1928 a 1931, a cidade foi administrada pelo advogado Elpídio Raimundo da Nova, natural de Salvador. Em sua gestão, foram implantados o serviço telefônico e o fornecimento de energia elétrica da hidrelétrica de Bananeiras. Em 1930, foi construída a Cadeia Pública Municipal, atual sede da Câmara de Vereadores.

Elpídio Raimundo da Nova ocupa lugar singular na história do município: foi o último intendente e o primeiro prefeito de Feira de Santana, marcando a transição administrativa. Com o fim da Intendência em 1929, a gestão municipal passou a ser exercida por prefeitos. Ele ainda retornaria ao cargo de prefeito em 1935, permanecendo até 1937.

Por Zadir Marques Porto

Foto: Divulgação – Arquivo ZMP

Fonte: Prefeitura de Feira de Santana

#FEIRA DE SANTANA

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