
Texto: Priscila Machado / Secom PMS
Fotos: Otávio Santos / Secom PMS
A Prefeitura de Salvador, por meio do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), orienta a população a reforçar os cuidados de prevenção contra a raiva, doença letal que pode infectar animais domésticos e seres humanos. O alerta ocorre diante do registro anual de casos da doença em morcegos na capital e da proximidade da campanha nacional de vacinação antirrábica.
A médica-veterinária e chefe do Setor de Informações em Zoonoses, Ana Lúcia Galvão, explica que a enfermidade é causada por um vírus e pode ser transmitida entre animais e também de animais para pessoas. “Em Salvador, estamos há cerca de 15 anos sem registrar casos de raiva em cães e gatos, que são animais domésticos e de estimação. No entanto, não houve um ano sequer sem registros de raiva em morcegos. Este ano, já testamos três morcegos positivos”, alerta.
Segundo a especialista, o principal risco é quando cães ou gatos entram em contato com morcegos infectados, especialmente aqueles encontrados caídos e com alteração de comportamento. “O cão ou gato pode tentar brincar com o morcego e acabar sendo mordido, contraindo a raiva. Quando isso acontece na rua, o tutor pode não perceber. Pode ser uma mordida ou arranhão pequeno, que passa despercebido. Nesses casos, o animal pode desenvolver a doença, principalmente se não estiver vacinado. Por isso, a vacinação é tão importante”, destaca.
A orientação é que qualquer pessoa que encontre um morcego caído dentro de casa ou em outro ambiente, principalmente em locais com presença de cães e gatos, entre em contato com a Prefeitura pelo Disque Salvador 156. O animal exposto pode receber vacinação para bloquear a progressão da infecção. Quando a imunização ocorre antes do aparecimento dos sintomas, as chances de desenvolvimento da doença são mínimas.
Em casos de mordida por animal com suspeita de raiva, a recomendação é lavar imediatamente o local com água e sabão e procurar uma unidade de saúde o mais rápido possível. Quanto mais cedo o tratamento for iniciado, menor será o risco de infecção. Os sintomas podem surgir entre 45 e 90 dias após a exposição.
Vacinação – Ana Galvão reforça que a vacinação antirrábica é fundamental para cães e gatos. “É importante vacinar os animais que convivem conosco. Devemos ter atenção especial com os nossos pets, mas também com os animais semidomiciliados que vivem nas ruas. Muitas pessoas acreditam que basta oferecer alimento e água, mas também é preciso protegê-los dessas doenças fatais. Se for possível conter o animal e levá-lo a um posto de saúde, isso deve ser feito”, orienta.
O CCZ oferece vacinação antirrábica para cães e gatos em aproximadamente 94 unidades de saúde do município. A imunização está disponível durante todo o ano. Além disso, campanhas de vacinação são realizadas anualmente nos bairros da cidade. A previsão é que a campanha nacional ocorra entre julho e agosto, período em que Salvador tradicionalmente se destaca pelo número de animais vacinados.
Filhotes podem ser imunizados a partir dos 90 dias de vida. Após 30 dias, devem receber uma segunda dose de reforço. A partir daí, a vacinação passa a ser anual. Manter o cartão de vacinação atualizado é fundamental para garantir a proteção dos animais.
Letalidade – A veterinária explica que, sem a profilaxia adequada após a contaminação, que pode ocorrer por mordedura, arranhadura ou contato da saliva do animal infectado com mucosas, a doença não tem cura. “Existem apenas três casos registrados no mundo de sobrevivência à raiva, mas os pacientes ficaram com sequelas graves. É uma doença com quase 100% de letalidade”, afirma.
Após se multiplicar nas células musculares, o vírus atinge o sistema nervoso central. Por isso, os sintomas são predominantemente neurológicos, tanto em humanos quanto em animais. Entre os sinais estão irritabilidade intensa, alucinações, convulsões, paralisia, tremores, dormência na região afetada e alterações de sensibilidade. Até mesmo uma corrente de vento pode desencadear espasmos ou convulsões. Também são comuns a aerofobia, que é o medo do vento, e a hidrofobia, medo de água, devido à extrema sensibilidade provocada pela doença.
Ecossistema – A médica-veterinária do CCZ ressalta que os morcegos não devem ser mortos, já que exercem papel essencial no equilíbrio ecológico. “São animais polinizadores, ajudam no controle de insetos e contribuem para a preservação das árvores. A maioria das espécies é frugívora. O problema é que alguns acabam sendo contaminados pelo vírus da raiva ao conviver com morcegos hematófagos, que se alimentam de sangue”, explica.
A recomendação é acionar o CCZ sempre que forem observados morcegos com comportamento incomum, como voar durante o dia, entrar em residências, bater em paredes ou cair no chão.
Fonte: Prefeitura de Salvador





Pingback: Prefeitura de Salvador alerta para prevenção da raiva e reforça vacinação de cães e gatos – News Conect Inteligencia Digital