
A cada uma hora, seis crianças são estupradas no Brasil. Em 2025, foram 6.980 casos registrados do crime. Em 2026, a triste marca já atingiu 60% do número do ano passado. Estes dados foram destacados pela delegada Clécia Vasconcelos, titular da Delegacia do Adolescente Infrator (DAI) e da Delegacia Especial dos Crimes contra Crianças e Adolescentes, em Feira de Santana, durante pronunciamento na Tribuna Livres da Câmara, nesta quinta-feira (14). Classificando os dados como “alarmantes”, ela explicou que o problema tem crescido no país e, provavelmente, até dezembro “muitas crianças irão padecer e ter sua inocência tocada”.
No intuito de intervir na situação, será lançado um manifesto dizendo “não à violência sexual contra crianças e adolescentes”, no dia 18 de maio, no estacionamento da Prefeitura Municipal. “Chamamos esta Casa Legislativa e toda a sociedade feirense para este momento. Precisamos sair dos discursos de que a criança é o futuro do Brasil e refletir sobre o que estamos fazendo por elas no presente”, afirmou, lembrando que a data marca o Dia Nacional de Combate à Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes.
Ressaltando que tem contado com o apoio da Casa da Cidadania na luta de proteção à infância, Clécia Vasconcelos cobrou ações mais concretas no Município. “Na semana passada, atendemos 13 ocorrências de violência sexual envolvendo redes sociais. Feira precisa dizer não à exploração sexual, pois o mal avança muito rápido”, observou. Apesar da sociedade estar vivendo um momento onde existem iniciativas como escolas de tempo integral, disponibilidade de boa alimentação escolar, incentivo a práticas de esportes, professores qualificados na rede de ensino, a juventude está cada vez mais vulnerável, conforme avaliou a delegada.
Clécia Vasconcelos informou que entre os casos de estupro tem crescido registros de atos praticados contra meninos. “Onde está a falha?”, indagou, apontando ser necessário parar de sempre culpar entes subjetivos. “Uma hora é o estado, outra é a lei”, assinalou a dirigente da DAI, solicitando que Feira instale logo a sua Rede de Proteção à Criança e ao Adolescente. “A rede é cheia de nó. Mas, a nossa está é furada em vários aspectos”, reclamou, estabelecendo relação entre a violência contra a mulher e contra crianças. A delegada disse que, seguindo diretrizes estabelecidas em âmbito federal, a pauta se tornou mais ampla.
No entendimento de Clécia, não há como fazer a proteção da mulher, sem cuidar dos filhos, que estão cada vez mais vulneráveis, devido o avanço das drogas e da criminalidade. O Maio Laranja, mês dedicado à luta contra a exploração sexual infantil, procura lançar estes debates para a sociedade. A campanha surgiu após a ocorrência do estupro de uma criança de oito anos, chamada Araceli Crespo, que foi abusada e esquartejada. O crime nunca foi elucidado.
Depois deste caso teve muitos outros. Mais recentemente, o crime contra um menino de quatro anos espancado no apartamento onde morava com a mãe, motivou a criação da Lei Henry Borel (Lei nº 14.344/2022), que prevê medidas protetivas para crianças que acabam sendo vítimas de violência doméstica. “Temos muitas crianças e adolescentes passando por isto. E índices de feminicídios aumentando, assustadoramente. Parece que nada está resolvendo. Por que será?”, insistiu a delegada Clécia, apontando que o ciclo da violência não tem sido quebrado.
“O menino que foi abusado sexualmente tem probabilidade enorme de ser um feminicida, porque ele não integralizou valores como da dignidade da pessoa humana e do respeito”, disse a delegada, chamando a atenção que na Delegacia do Adolescente Infrator ela lida com crianças violentadas, mas que também cometem crimes como homicídios.
Fonte: Câmara de Feira de Santana






