
Texto: Nilson Marinho / Secom PMS
Foto: Bruno Concha / Secom PMS
Isabel Tinel é agente da Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador) e a primeira e, até o momento, única mulher a integrar o Grupo de Ações Rápidas no Trânsito (GART), formado por 22 profissionais. Seu trabalho é dividido em duas frentes: o patrulhamento, com foco na identificação de situações que possam comprometer a fluidez do tráfego, e a escolta, que envolve o acompanhamento de autoridades pelas ruas da capital baiana.
Nesta última função, ela precisa colocar em prática agilidade e precisão, já que, em alguns casos, a alta velocidade sobre duas rodas é necessária para ordenar o trânsito e garantir que autoridades cheguem pontualmente aos seus destinos. Como o tráfego é sempre imprevisível, Isabel também atua no gerenciamento de imprevistos, como acidentes, traçando rotas alternativas quando necessário.
A atuação na escolta é relativamente recente em sua trajetória. Antes, ela trabalhava exclusivamente no patrulhamento. Para ingressar na nova função, passou por treinamentos que duraram cerca de três meses. Somente no início deste ano passou a integrar o seleto grupo responsável pelas escoltas oficiais.
“É algo novo para mim. A escolta é um grupo pequeno e bastante fechado e eu buscava participar há algum tempo. Fiz muitos treinamentos, tanto com a moto de patrulhamento, que é uma 300 cilindradas, quanto com a de escolta, que é uma 750, bem maior. São motos completamente diferentes, com manuseio e exigências distintas, então, precisei de treinamento específico para atuar nas duas funções”, explicou.
A primeira atuação ocorreu durante a Lavagem do Bonfim deste ano, quando ficou responsável por garantir que as autoridades chegassem com segurança e sem atrasos à Colina Sagrada. O nervosismo, segundo ela, foi inevitável. “Fiquei muito ansiosa. No dia anterior, quase não consegui dormir, porque o trabalho era cedo e eu tinha medo de perder o horário e comprometer a operação. Cheguei bastante nervosa, querendo dar o meu melhor. Foi tudo muito dinâmico e interessante”, lembrou.
Trajetória – Isabel está na Transalvador há cinco anos. Quando tomou posse no órgão, possuía apenas habilitação para carro, mas logo depois conquistou também a habilitação para moto. Paralelamente à rotina de trabalho, manteve uma disciplina constante de treinos.
“Sempre gostei de moto, mas nunca tinha tirado a habilitação. Quando completei 18 anos, minha mãe não deixou, dizia que era perigoso. Acabei adiando. Quando cheguei à Transalvador, me encantei pelo trabalho da escolta. Aqui, historicamente, só houve uma mulher motociclista e há muito tempo. As pessoas começaram a me incentivar. Quando conheci a escolta, foi o que realmente me motivou. Pensei: por que não quebrar essas barreiras e abrir espaço para mulheres nesse tipo de trabalho?”, contou.
A agente explica que sua missão é garantir direitos e segurança para a população, ainda que isso nem sempre esteja alinhado aos interesses imediatos de quem é fiscalizado. “Nosso trabalho é complexo. Como servidor público, nosso objetivo é servir à população como um todo. Já o cidadão, muitas vezes, pensa apenas em si. Então, ouvimos comentários de todos os tipos. Quando estamos fiscalizando e indo contra o que a pessoa deseja, acabamos ouvindo críticas. Mas quando conseguimos ajudar, escutamos elogios”, relatou.
Isabel afirma que o apoio recebido dentro da própria instituição tem sido fundamental para sua trajetória profissional. O incentivo e os elogios, no entanto, não se limitam aos colegas de farda. “Entre os colegas, o retorno é muito positivo. Foram eles que me incentivaram a tirar a habilitação. Como mulher, recebo muitos elogios. É difícil ver mulheres na motocicleta, ainda mais com agilidade no trânsito. A maioria dos motociclistas ainda é composta por homens, mas as mulheres estão se inserindo cada vez mais”, completou.
Fonte: Prefeitura de Salvador




