Arquivo Público Municipal tem acervo com a história de antigas bibliotecas de Vitória da Conquista

Embora dados nacionais apontem para uma queda no hábito de leitura no Brasil, as ações locais em Vitória da Conquista, como a movimentação da biblioteca municipal, mostram um ambiente cultural focado em incentivar o hábito de ler, com o segundo mais acervo municipal da Bahia, que chega a mais de 35 mil títulos, atraindo milhares de leitores anualmente. Isso se deve às campanhas ativas de doação e renovação de acervo, realizadas pela Biblioteca Municipal, que indicam um esforço contínuo para manter a comunidade engajada com a literatura.

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Biblioteca Municipal José de Sá Nunes

A trajetória da Biblioteca Municipal e de outros espaços voltados à leitura em Vitória da Conquista constam nos registros do Arquivo Público Municipal, que possui fotografias e livros históricos sobre os acervos literários. Para quem gosta de resgate à história e deseja conhecer mais sobre o cotidiano do conquistense, sobretudo dos apaixonados pela literatura, vale a pena conferir.

O professor e memorialista José Mozart Tanajura publicou em seu livro “História de Conquista: crônica de uma cidade” que a Biblioteca Municipal José de Sá Nunes foi criada em 1952, a partir de uma sala de leitura, em que o acervo era composto por obras doadas por escritores e personalidades do mundo das letras. Somente em 1958 é que o local foi reconhecido como biblioteca e registrado no Instituto Nacional do Livro.

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Professor Mozart Tanajura – Arquivo

Em 1963, a biblioteca foi transferida para o Instituto de Educação Euclides Dantas e ali permaneceu até o ano seguinte. Seu espaço foi totalmente ampliado em 1978, atendendo aos pedidos dos leitores e estudantes que frequentavam o local. Mas, ainda assim, o local não conseguiu comportar o acervo, pois possuía mais de 10 mil volumes e tinha uma frequência mensal de 9 mil leitores. A biblioteca, então, foi transferida mais uma vez, agora para um casarão histórico na Praça Tancredo Neves e funcionou até novembro de 1991. No mesmo ano, a biblioteca, finalmente, foi instalada no Bairro Recreio, onde funciona atualmente.

Uma das primeiras bibliotecas criadas em Vitória da Conquista foi a Biblioteca do Grêmio Castro Alves. Edifício construído no início da década de 20 por iniciativa da Igreja Católica Nossa Senhora das Vitórias, a biblioteca possuía mais de 1000 volumes, um número considerável, já que os livros eram objetos raros na época.

Inicialmente, o prédio abrigou o Educandário Sertanejo do poeta Euclides Dantas, mas somente em 1939, a propriedade foi doada ao Padre Luiz Soares Palmeira. O padre, então, fundou no local a primeira escola secundária da região, conhecida como Ginásio do Padre Palmeira, onde funcionava a renomada Biblioteca do Ginásio. No entanto, com a transferência do Padre para Salvador em 1964, o Ginásio de Conquista foi extinto, passando a biblioteca para o antigo Colégio Diocesano.

Em 1962, a bibliotecária e fundadora da Biblioteca Infantil Monteiro Lobato em diversas cidades do interior, Denise Tavares, trouxe a biblioteca para Vitória da Conquista. Com acervo de mais de 4 mil volumes, a biblioteca funcionava no prédio do Lions Clube, integrado ao Jardim das Borboletas, na antiga Praça da República.

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Jardim das Borboletas e Biblioteca Monteiro Lobato

Para a professora e doutora em educação pela Uesb, Denise Barreto, a biblioteca era o seu local favorito, pois lá ela podia ler seus livros. “Eu ia para a casa da minha tia na praça, já na intenção de ir à biblioteca, porque eu gostava de ler histórias. Eu sempre gostei de ler, leio até hoje. Eu me sentia realizada. Eu conheci o Monteiro Lobato lá, com 8 ou 9 anos”.

Em 1985, o edifício onde funcionava a biblioteca foi demolido, para que a atual Praça Tancredo Neves fosse construída no lugar. A biblioteca, então, foi realocada para a Praça do Cajá, no Bairro Brasil. Por ser um local de memórias afetivas, a professora Denise explica que a extinção da biblioteca foi como se um pedaço de si fosse arrancado.

Para o bibliotecário do Arquivo Público Municipal, Fábio Nascimento, que aproveitou para falar do Dia Nacional da Biblioteca, celebrado em 9 de abril, a biblioteca poderia ser reconstruída na cidade. “Assim como a Biblioteca de Alexandria foi reconstruída com toda a grandeza e tem sido uma forma de afirmar o seu legado e mostrar a importante contribuição que as bibliotecas têm nos dias atuais, seria maravilhoso pensar na reconstrução da Monteiro Lobato de Conquista com essa mesma finalidade”, disse, acrescentando que o Dia Nacional da Biblioteca é importante para que as pessoas entendam como a leitura é gratificante e como esses espaços contribuíram e ainda contribuem para a formação de cidadãos pensantes, críticos e autônomos. “A leitura funciona como uma ferramenta essencial para o desenvolvimento intelectual, emocional e social, permitindo que os indivíduos compreendam o mundo e a si mesmos”.

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