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Carnaval 2026: MPBA faz visita técnica a pontos de apoio a trabalhadores de rua

Se não fosse esse espaço, a gente teria que continuar pagando para tomar banho e fazer xixi. A localização, a estrutura e o atendimento estão excelentes”. O relato é da ambulante Delba Cristina da Silva Santos, de 60 anos, que há mais de três décadas trabalha no circuito Dodô (Barra-Ondina). A experiência dela reflete o resultado que o Ministério Público da Bahia busca com ações de fiscalizações técnicas às estruturas montadas para a execução de atividades fundamentais à realização da folia, como são aquelas exercidas por ambulantes, catadores de material reciclável e cordeiros.

Na manhã desta terça-feira, dia 17, equipe técnica de serviço psicossocial do Centro de Apoio Operacional dos Direitos Humanos (Caodh) do MPBA verificou as condições estruturais, operacionais, logísticas e de fluxo dos serviços dos centros de apoio a trabalhadores e trabalhadoras de rua instalados nos circuitos Dodô e Osmar, coletando informações para contribuir com indicações de aperfeiçoamentos para o próximo Carnaval, em 2027.

Foram visitadas as estruturas do projeto ‘Cuidar de quem cuida’ e ‘Meu Corre Decente’, do governo do estado, respectivamente localizadas na Avenida Professor Milton Santos, em Ondina, e no bairro Dois de Julho; e o centro de acolhimento aos ambulantes, em frente ao Largo do Camarão, em Ondina, montado pela Prefeitura, onde estava a vendedora Delba Cristina. O primeiro e o último são serviços destinados exclusivamente às trabalhadoras de rua, enquanto o ponto de apoio no Dois de Julho é voltado a cordeiros, ambulantes e músicos. “Orientações foram feitas e as desconformidades encontradas serão pontuadas em relatórios para melhorias no ano que vem”, afirmou a psicóloga do Caodh, Andreia Oliveira, que realizou a inspeções junto com a assistente social Nil Gusmão. As estruturas foram consideradas satisfatórias, com questões de acessibilidade a serem observadas e sugestões dos beneficiários de melhor localização e ampliação do horário de funcionamento.

Espaços femininos

Dois dos centros de apoio são exclusivos para trabalhadoras. Na Avenida Professor Milton Santos, o centro tem capacidade para atender 250 mulheres por dia, com kits de higiene com toalha, sabonete, escova e creme dental, além de disponibilizar o uso de protetor solar e hidratante. Há também transporte dedicado: uma van realiza o deslocamento das trabalhadoras entre 7h e 15h. Durante a visita, foi informado que usuárias solicitaram a ampliação do horário de funcionamento. Entre as beneficiárias, pessoas como Dona Guilhermina, de 86 anos, que apesar da idade avançada, trabalha como ambulante ao lado da filha no circuito Dodô. “Muito bom o serviço”, disse.

O centro de acolhimento a ambulantes, no Largo do Camarão, atende entre 400 e 500 pessoas por dia, oferecendo espaço para banho, sanitário e apoio até às 15h. Trabalhadoras elogiaram a iniciativa, mas foi verificada necessidade de estruturas de acessibilidade para pessoas com deficiência.

No Dois de Julho, o presidente da associação dos cordeiros (Assindcorda), Mathias dos Santos, elogiou o espaço, que oferta cota diária de 300 lanches, equipamentos de proteção individual, hidratação e banho, funcionando das 8h às 17h, de sexta a terça-feira de Carnaval. Ele sugeriu que, nas próximas edições, a localização seja repensada para ficar ainda mais próxima do circuito, para facilitar o deslocamento do cordeiros, que se organizam em grupos, próximos aos pontos de concentração dos trios elétricos.

Fotos: Sérgio Figueiredo

#BAHIA

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