
Foto: Otávio Santos / Secom PMS
Texto: Nilson Marinho / Secom PMS
Pais e responsáveis por alunos da Escola Municipal Alfredo Amorim, localizada no Largo do Papagaio, na Cidade Baixa, foram convocados para uma ação de conscientização sobre os riscos de acidentes na orla, realizada nesta quarta-feira (18). A mobilização ocorreu após dois episódios graves envolvendo estudantes da unidade, que sofreram lesões e ficaram paraplégicos ao saltar de estruturas elevadas em área próxima à praia.
A ação foi promovida pela gestão da escola em parceria com a Salvamar e a Guarda Civil Municipal, com o objetivo de orientar os pais a estarem mais atentos aos filhos, sobretudo diante do hábito, comum entre crianças e adolescentes da região, de saltar em locais inadequados e com pouca profundidade, como na Ponta do Humaitá, próxima à unidade de ensino.
A iniciativa reuniu cerca de 70% das famílias no turno da manhã e repetiu o mesmo percentual à tarde. A unidade atende cerca de 900 alunos, distribuídos nos dois turnos. Um novo encontro ocorrerá no dia 8 de abril, desta vez voltado apenas para os estudantes.
Durante os encontros desta quarta-feira, foram explicados como identificar áreas perigosas, interpretar a sinalização de risco e adotar comportamentos seguros no ambiente marítimo. Também foram abordados os perigos de mergulhos em águas rasas, prática que pode provocar traumas na coluna e sequelas permanentes, como paraplegia e tetraplegia.
De acordo com a diretora da unidade, Patrícia Gleice Barral, a preocupação aumentou após dois casos em que alunos ficaram tetraplégicos ao saltarem do píer. O primeiro caso aconteceu em 2017, envolvendo um então adolescente de 17 anos. O mais recente foi em outubro de 2025. A vítima, de 14 anos, recebeu alta médica recentemente.
“Estamos inseridos na região de Itapagipe, que possui uma orla extensa. Temos uma praia muito próxima à escola, na região da Ribeira, e temos observado com frequência que alunos, seja fora do horário das aulas ou até mesmo durante o período escolar, acabam indo para a praia. E a principal ‘diversão’ tem sido os saltos de estruturas altas, o que tem nos causado grande preocupação”, afirmou a diretora.
Ainda segundo ela, há alunos que deixam de frequentar as aulas para ir à praia, outros que vão após o período escolar e também aqueles que frequentam o local fora do horário de estudo. “Diante disso, convidamos a Salvamar e a Guarda Municipal para nos apoiar nesse trabalho de conscientização. Além do risco de acidentes, há também outras vulnerabilidades, principalmente quando esses jovens estão sozinhos, em determinados horários e sem a presença de um adulto”, completou Patrícia.
Prevenção – De acordo com o coordenador do Departamento de Prevenção à Violência (DPV), Ubirajara Azevedo, a proximidade da escola com áreas de praia tem contribuído para que alunos se exponham a situações de risco, muitas vezes fora do ambiente escolar.
“Estamos em uma região muito próxima da praia, e alguns alunos acabam frequentando esses espaços durante o horário de aula ou até mesmo dizendo aos pais que estão indo para a escola. Dois casos recentes resultaram em sequelas graves, com estudantes que hoje estão em cadeira de rodas após esse tipo de prática”, afirmou.
O chefe do setor de Prevenção e Treinamento da Salvamar, João Alexandre de Jesus Oliveira, alertou que acidentes após saltos no mar podem provocar lesões raquimedulares, levando à paraplegia ou tetraplegia, muitas vezes de forma irreversível, como no caso dos dois alunos do Alfredo Amorim.
“Esses saltos, muitas vezes vistos como diversão, podem ter consequências extremamente graves. É preciso ter atenção não só no mar, mas também em piscinas, rios e estruturas elevadas, como pontes e píeres, onde esse tipo de prática é comum”, alertou.
Entre os pais e responsáveis dos alunos estava a costureira Vânia de Jesus dos Anjos, de 46 anos. Mãe de um garoto de 13 anos, ela afirma que mantém uma rotina rígida com o filho. “A escola é um suporte, mas a educação vem de casa. Os pais precisam estar atentos ao que os filhos fazem depois da aula. É nesse momento que muitos acabam se colocando em risco. Eu mesma levo e busco. Quando ele quer vir sozinho, acompanho de perto. Aqui é da escola para casa e de casa para a escola. Não autorizo ir para outros lugares sem a minha permissão”, explicou.
Fonte: Prefeitura de Salvador




