“Faltam políticas públicas em Feira para atendimento a familiares de pessoas atípicas”, acusa mãe

Embora existam importantes projetos sendo desenvolvidos em Feira de Santana para oferecer atendimento especializado a crianças atípicas, seus familiares não dispõem da mesma atenção por parte do poder público. A reclamação foi feita por Elisângela dos Anjos Santos, durante pronunciamento na Tribuna Livre da Câmara, na manhã desta quarta-feira (26), representando pais, mães e responsáveis de autistas ou com outras condições do espectro.

“Entendo que se a família não for bem acolhida, ela não terá como dar um tratamento de qualidade para suas crianças”, Elisângela, que é mãe atípica de Luís Otávio, jovem prestes a completar 17 anos. Ela apontou a necessidade do Governo Municipal pensar e implantar atendimentos regulares e especializados, voltados ao acolhimento de mães que sofrem com depressão e ansiedade, por exemplo, devido o tempo dedicado ao cuidado dos atípicos.

“A pessoa tem que se abster de tudo. Eu mesma deixei de trabalhar em atividade fora de casa para viver em função do meu filho. E acabei adoecendo, a ponto de necessitar fazer tratamento no Caps”, informou, ressaltando a necessidade de criação do serviço. Inclusive, o fato de sentir na pele a ausência deste tipo de atendimento, levou Elisângela a idealizar a criação de uma associação voltada a acolher familiares de pessoas atípicas e um dos objetivos é oferecer atendimento multidisciplinar e acompanhamento com médicos, psicólogos e outros profissionais.

Segundo ela, a ideia é oferecer o básico, pois a Secretaria Municipal de Saúde não dá conta de tudo. Por isso, solicitou apoio da Casa Legislativa à iniciativa. Elisângela Santos informou que para arrecadar recursos em prol da fundação da entidade, será realizada uma Caminhada pela Conscientização da Neurodiversidade, em janeiro do próximo ano. “Peço apoio aos senhores para este movimento pacifico e educativo, que pretende alertar a população sobre o autismo, o respeito às diferenças e a urgente necessidade de ampliação dos serviços de atendimento e inclusão em nosso município”, assinalou.

RESPEITO E COMPROMISSO REAL

A mãe atípica explicou que seu filho possui quatro CIDs [Classificação Internacional de Doenças, utilizado pela Organização Mundial de Saúde]: Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno Opositivo Desafiador (TOD), Deficiência Intelectual (DI) e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e destacou que apesar de se falar muito sobre inclusão, ainda é preciso que o Poder Público e a sociedade busquem promover isso de forma efetiva.

“Que olhem para estas pessoas com empatia, respeito e compromisso real. O autismo é uma forma diferente de ver e entender o mundo. E cada pessoa autista tem um jeito próprio de comunicar, aprender e se relacionar”, ressaltou Elisângela Santos. Neste sentido, completou, a caminhada não será apenas um ato simbólico, mas um grito por visibilidade, empatia e mais políticas públicas em Feira de Santana.

Ela espera que o evento possa ajudar a mostrar que “inclusão social começa no olhar, na escuta e na ação de cada um e sensibilizar a comunidade, fortalecer as famílias e convidar os agentes públicos a caminharem lado a lado conosco”, conforme afirmou, reforçando o pedido de apoio aos vereadores para a mobilização. A representante das famílias atípicas pontuou que todos precisam abraçar o compromisso de fazer de Feira de Santana uma cidade verdadeiramente inclusiva. “Um município onde as pessoas tenham direito de existir plenamente e viver com dignidade e respeito”, disse.

Fonte: Câmara de Feira de Santana

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