Fardas escolares marcaram uma época de estudo, dedicação e amor ao colégio

As fardas são uma forma de identificar uma instituição ou entidade – seja civil ou militar – e, ao mesmo tempo, presume-se, estabelecer uma relação de respeito e igualdade entre os que as envergam. O ser humano fardado – seja qual for o gênero – representa uma instituição, como, por exemplo, o Exército, a Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros, uma loja comercial, um clube de futebol, um colégio. No passado, a vida estudantil era marcada, de forma significativa, pelo fardamento.

A Cidade Princesa, no seu empolgante desenvolvimento experimentado a partir do final da terceira década do século passado, ufanava-se dos seus estabelecimentos escolares do segundo grau, que atraíam centenas de famílias de cidades próximas e distantes, almejantes de garantir aos jovens uma educação esmerada ainda não disponível nessas urbes. Pode-se acentuar que a qualidade da educação nas unidades da rede pública local foi um dos motivos da afirmação da Princesa como polo de desenvolvimento.

O Colégio Santanópolis, grande vetor do ensino privado na cidade, a Escola Normal e o Instituto de Educação Gastão Guimarães, ambos da rede estadual, e, um pouco depois, o Ginásio Municipal Joselito Falcão de Amorim, preparavam a juventude que, fardada, enriquecia as ruas durante o período escolar, a partir do mês de fevereiro, e as deixava menos alegres e airosas, entre dezembro e janeiro, quando transcorriam as férias. No Santanópolis, predominava o azul e branco tanto para as moças – em número significativamente maior – como para os rapazes, mas, já próximo ao encerramento das suas atividades, o cinza-claro também foi usado por esse colégio.

Na Escola Normal e no Instituto de Educação Gastão Guimarães, o azul e branco feminino tinha, em contraponto, o caqui masculino, que depois foi substituído, igualando-se ao azul e branco. Se no dia a dia a farda escolar era bonita, mais ainda se tornava em eventos festivos, como o desfile da Independência – dia 7 de setembro –, Festa da Primavera e outros. As meninas, caprichosamente arrumadas – mas sem as pinturas e tatuagens de hoje –, vestidas com blusa branca de mangas abaixo do cotovelo (quase um três-quartos), gravata azul, saia azul plissada (pregueada), meia de cor branca e sapato preto, enchiam o cenário de rua de verdadeiro encanto.

Os rapazes não queriam ficar atrás e se envaideciam no caqui – camisa/blusão e calça da mesma cor –, meias e sapatos pretos. Os modismos não eram sonhados e o estudo era rigoroso, podendo levar o aluno ao período de recuperação, se perdesse em duas disciplinas. Se perdesse em três matérias, seria reprovado, tendo que “repetir o ano”. Mas tudo era recompensado pela magnitude do ambiente escolar – as amizades que se perpetuavam, a qualidade do ensino, a sapiência e a bondade dos mestres, o respeito e, de forma indiscutível: a farda!

Mas não era só a estética, a beleza do traje, em especial o azul e branco das colegiais que decoravam as ruas e deixavam a Princesa ainda mais charmosa; era o valor que continha o traje, como a antecipar, a vislumbrar, o futuro brilhante de quem a envergava. A farda escolar do passado marcou um período de respeito às instituições. Alunos de um estabelecimento queriam ter notas melhores do que colegas de outro, existindo uma certa rivalidade saudável, que se acentuava nas competições esportivas estudantis. Evidente que a vida cumpre ciclos e o lirismo dessa época não se repete com a evolução da sociedade, mas o azul e branco da farda escolar ficou na memória de quem viveu a época e na história da metrópole sertaneja.

Por Zadir Marques Porto

Fonte: Prefeitura de Feira de Santana

#FEIRA DE SANTANA

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