
Segunda cidade da Bahia e uma das mais importantes do país, Feira de Santana, desde os primórdios, tem sido agraciada com muitos títulos que exaltam a sua inegável importância no cenário da região Nordeste, geralmente em conformidade com fatos da época, alguns de grande relevância, mas nenhum igual ao proferido em 1916, pela professora Marília Carneiro de Souza: PRINCESA DO SERTÃO.
Privilegiada pela sua posição de maior entroncamento rodoviário do Norte/Nordeste e o segundo mais importante do país, Feira de Santana tem conquistado, ao longo do tempo, significativos títulos que, embora mais oficiosos que oficiais, significam reconhecimento e elevam sua notoriedade no cenário nacional. Pela sua indiscutível presença no segmento comercial foi oficialmente denominada Comercial Cidade de Feira de Santana; todavia, o título, que veio mediante decreto, deixou de existir, embora haja quem o defenda diante do vigor cada dia maior do comércio local.
‘Terra das Boiadas’, uma alusão à passagem de imensas boiadas com destino à cidade de Cachoeira, movimento que deu origem à formação do povoado, transformado ou elevado à condição de vila em 18 de setembro de 1832, foi outro ‘título’ nascido da inteligente espontaneidade popular. Não estavam errados os que atribuíram esse cognome à cidade, pois as monumentais feiras no campo do gado atraíam não apenas negociantes, fazendeiros e pessoas envolvidas na atividade pecuária, como também visitantes, inclusive turistas e jornalistas estrangeiros. Tamanha notoriedade qualificou Feira de Santana como uma referência nacional na fixação da cotação semanal do preço da arroba do boi no mercado específico.
Durante algum tempo a cidade tornou-se uma atração para pessoas padecentes de males notadamente relacionados aos pulmões. O clima então considerado privilegiado era indicado por médicos, e isso fez com que muitas famílias viessem para Feira, geralmente de forma temporária, e aqui ficassem definitivamente. Curiosamente, um desses visitantes, em defesa da própria saúde, foi o médico Joaquim Remédios Monteiro. Naturalizado brasileiro, ele se formou no Rio de Janeiro, fez especialização em Paris, na França, e retornou à Cidade Maravilhosa, onde trabalhou.
Tendo adoecido dos pulmões e sendo aconselhado por um colega, veio para Feira de Santana. Aqui recuperado, trabalhou, tornando-se muito querido e respeitado, inclusive com atuação na política. Embora reconhecendo o clima propício encontrado, o doutor Remédios, homem de muitos conhecimentos e espírito comunitário, incentivava as pessoas para que procurassem desenvolver projetos de arborização para diminuir a excessiva luminosidade reinante e, com isso, também moderar a temperatura. Remédios Monteiro chamava Feira de ‘Cidade da Luz – Lucerne’. Esse foi outro título dado à Feira, talvez inspirado em Paris, a ‘Cidade Luz’, com a diferença do tipo de luminosidade.
Entre as décadas de 1950 e 1960, Feira foi chamada de ‘A Cidade das Bicicletas’, devido à expressiva circulação desses veículos. Dizia-se até que Feira era a primeira ou segunda cidade do país em número de bicicletas. Havia renomados ciclistas e, no campeonato baiano da modalidade, os irmãos Inocêncio e Raimundo, Messias Portugal e Mário, dentre outros, estavam sempre nas melhores colocações.
Já nos anos da década de 1970, ‘Cidade Plana’ foi o título mais usado nas colunas do jornalista Antônio José Laranjeira no jornal A Tarde. Do mesmo modo, baseado na privilegiada topografia urbana local, o radialista Silvério Silva atribuía o mesmo cognome a Feira de Santana – Cidade Plana. Outros ‘títulos’ têm sido dados, como ‘Terra de Santana’ e ‘Terra de Maria Quitéria’, ambos perfeitamente justificáveis, mas não se fixando, talvez pelo pouco uso. Na verdade, o topônimo registrado e que identifica Feira de Santana é ‘Princesa do Sertão’, estabelecendo sua lídima liderança em vasta região da Bahia (semiárido e sertão).
Princesa do Sertão foi proferido pela primeira vez em 15 de março de 1916, pela professora Marília Carneiro de Souza, na festa de inauguração do Grupo Escolar de Feira de Santana, solenidade que reuniu autoridades estaduais e locais, educadores, lideranças da região e populares. O emocionante discurso da professora Marília Carneiro de Souza foi publicado, integralmente, na edição do Diário Oficial do dia subsequente à festa de inauguração do estabelecimento escolar, hoje Centro Universitário de Cultura e Arte (CUCA).
Assim, pode-se dizer que Feira de Santana, a Cidade Plana, Terra das Boiadas e Terra de Senhora Santana, tornou-se oficialmente a PRINCESA DO SERTÃO.
Por Zadir Marques Porto






