Banner lixo

Frases e tipos marcaram o rádio feirense no tempo da onda média

O rádio feirense, como muitos dizem, já teve os seus anos dourados. A sintonia em Onda Média (OM), hoje Amplitude Modulada (AM), era marcada pela presença de grandes comunicadores que mobilizavam a atenção do público em diferentes programas — informativos, esportivos, policiais, musicais, variedades — numa interessante disputa de qualidade. Nesse cenário, vários comunicadores tornaram-se, praticamente, inesquecíveis pelo estilo, voz, simpatia, frases e outros atributos. Alguns desses são aqui citados.

“O rádio não atrapalha quem trabalha”. A expressão do excelente comunicador Tanúrio Brito, pernambucano de Salgueiro, mas considerado feirense pelos seus anos na Cidade Princesa, além de espelhar uma verdade, já que as emissões das ondas hertzianas (descoberta de Heinrich Rudolf Hertz em 1885) podem ser acompanhadas em qualquer lugar, sem atrapalhar quem as ouve, tende a se perpetuar, assim como fizeram outros grandes comunicadores feirenses que já não estão entre nós fisicamente, mas são lembrados por frases, palavras, músicas, estilo, algo pessoal que a memória guarda e o tempo, apesar de inexorável, respeita.

‘Petit Fleur’ (pequena flor), prefixo musical orquestrado, identificava J. Magno (professor Joel Magno), que foi o mais importante de todos os disc-jóqueis do rádio de Feira de Santana, com o programa musical Atrações J. Magno. Nas décadas de 1950/1980 e até um pouco mais, sem a tecnologia de hoje — os telefones fixos eram raros (verdadeiras peças de luxo) — o ouvinte enviava cartas para os programas e J. Magno recebia centenas de missivas para os dois horários, um matutino, outro vespertino, e isso em todas as emissoras da cidade onde ele atuou. Era o tempo das transmissões em Onda Média (OM), hoje Amplitude Modulada (AM), e a audiência atingia grande parte da Bahia. J. Magno, falecido em 19 de fevereiro de 2021, não tinha frases marcantes, mas conquistou audiência indiscutível e o título de “Rei do Rádio Feirense”.

“Se não quer que a notícia seja divulgada, não deixe que o fato aconteça”. O bordão do repórter Edival Souza (Edival de Freitas Souza) não se desatualiza e parece ecoar perene e forte 43 anos após o seu falecimento (3 de março de 1983). Corajoso e polêmico, Edival foi um dos primeiros funcionários da Rádio Sociedade de Feira, quando da implantação da emissora em 1948, por Pedro Matos. Deixou a emissora por bom tempo, para retornar em 1967 e, com o programa noticioso diário “A Cidade em Preto e Branco”, das 7 às 8 horas, alcançou os maiores índices de audiência na região. Edival deixou a Rádio Sociedade em 1979, já debilitado devido ao tabagismo. Em 1981, submeteu-se a uma cirurgia em Salvador. Em 1982, transmitiu a apuração dos votos das eleições municipais pela Rádio Subaé, como seu último trabalho no rádio. “Viva o dia de hoje como se fosse o último, porque ontem já passou e amanhã ninguém sabe”, dizia Edival Souza, que parece ter seguido essa máxima de vida.

Ele não precisava de frases ou expressões para marcar presença. Descontraído, era o “caipira” de Coisas do Meu Sertão, o “Pirunga” do imortalizado Ronda Policial, ‘seu borboleta’, a velinha tagarela ou a famosa metralhadora, que ele matraqueava com perfeição ‘no gogó’, quando o texto complicava e ‘metralhar’ era a melhor saída. Francisco Ferreira de Almeida — Chico Caipira — notabilizou-se pela capacidade criativa, descontração e popularidade. Exímio imitador de vozes e tipos, em 27 de julho de 1966 lançou na Rádio Sociedade o programa Ronda Policial, para não mais ser esquecido. Até hoje o Ronda tem grande audiência na Rádio Subaé, com Lucival Lopes e Valter Vieira.

“Bota prende, sapato solta”, uma alusão ao dia a dia do trabalho da polícia, que até hoje é reclamado por muitos comunicadores. Assim, Erivaldo Cerqueira codificava, mas de uma maneira clara, ou decodificava, o panorama onde a polícia atua, investiga e prende, mas a lei favorece e o preso é liberado pela Justiça. Erivaldo Cerqueira foi autor de várias outras frases interessantes que ilustravam o seu trabalho em diferentes áreas, já que ele, sendo polivalente, atuava na cobertura policial, no esporte, disc-jóquei, sertanejo e variedades, com a mesma qualidade.

“É mole ou quer mais?”. Exclamava Itajay Pedra Branca para externar sua insatisfação ou admiração por algo que não ia bem no gramado. O grande narrador esportivo, recentemente falecido, não era de usar frases de efeito, devido ao estilo sério, muito mais focado em narrar detalhadamente cada lance do jogo, mas, quando um jogador cometia uma pixotada, ele não perdoava. “Vá matar o Diabo!”. No rádio moderno, talvez pela padronização, desapareceu a personificação, ou o surgimento de comunicadores com frases, expressões e tipos próprios, antes encontrados. Por isso, vale lembrar alguns dos ícones do tempo da OM em Feira de Santana.

Por Zadir Marques Porto

Fonte: Prefeitura de Feira de Santana

#FEIRA DE SANTANA

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima