
Jornalista, mas sempre intimamente ligado às lides culturais de Feira de Santana, Geraldo Lima começou muito cedo no teatro, destacando-se como ator e diretor em diversos espetáculos. Teve uma experiência no cinema e escreveu um livro sobre o teatro na Cidade Princesa, do qual foi um vigoroso defensor. Faleceu em 2023, mas a sua história está pontilhada de sucesso no âmbito das artes cênicas.
Ator, autor, diretor teatral e escritor, o jornalista Geraldo Lima, na sua constante simplicidade risonha, foi um dos mais importantes nomes da cultura feirense em um tempo de grande movimentação do mundo artístico-cultural na Cidade Princesa. Espetáculos teatrais, concursos literários e musicais, festas em clubes e em colégios movimentavam a juventude, concorrendo para o surgimento de valores em todos esses segmentos. Os estudantes tinham enorme participação nesse processo de incremento cultural, e foi por esse caminho que surgiu Geraldo Lima, ainda estudante do Ginásio Municipal Joselito Falcão de Amorim.
Geraldo Lima estudava no período noturno no Municipal e trabalhava no extinto jornal local Gazeta do Povo, quando foi convidado por Luciano Ribeiro, Antônio Miranda e Delindo Checcucci, que eram três baluartes do teatro amador de Feira de Santana, para fazer parte de um grupo que preparava uma peça para breve apresentação. Incorporou-se ao elenco e, aos 16 anos, estreou no palco, em 1965, como o preto rei Gaspar, um dos três reis magos, na peça O Boi e o Burro a Caminho de Belém.
Lembrava que foi uma estreia vitoriosa, não só pela interpretação convincente do “rei Gaspar”, como pelo fato de subir ao palco improvisado, ao lado da Igreja Senhor dos Passos, com um enorme público a acompanhá-lo, sem hesitação. “Só depois de tudo é que fui analisar e, graças a Deus, tudo correu bem”. Dado o primeiro passo, entendeu que o teatro, a partir dali, faria parte da sua vida, do seu cotidiano, ao lado dos estudos e da atividade jornalística. Assim, entre outubro de 1976 e outubro de 1978, portanto dois anos, Geraldo Lima foi titular da coluna Semana da Arte, publicada pelo extinto Diário de Notícias, jornal dos Diários Associados, de Assis Chateaubriand, que tinha forte sucursal nesta cidade.
Qualificado entre os melhores atores locais, em uma época extremamente fértil em relação a bons intérpretes, Geraldo Lima teve a oportunidade de atuar em palcos de Salvador, como o Teatro Castro Alves, na peça Joãozinho e Maria, e na Escola de Teatro, nos espetáculos Natal em Gotham City e Lucas da Feira. Como ator, limitou o tempo de trabalho a pouco mais de quatro anos, mas de intensa atuação em espetáculos adultos e infantis, com a mesma distinção, sempre merecendo elogios. Toda Donzela Tem um Pai que é uma Fera, Deus lhe Pague, Pigmaleão, Só o Faraó Tem Alma, Viúva, Porém Honesta e A Revolução dos Beatos foram peças teatrais que contaram com a presença de Geraldo Lima.
Todavia, ele destacava como seus melhores trabalhos três espetáculos infantis, nos quais foi merecedor de elogios da crítica especializada e do público: O Patinho Preto, A Árvore que Andava e Joãozinho e Maria, este apresentado em Feira de Santana e Salvador. Em 1969, Geraldo Lima dirigiu a peça infantil Pluft, o Fantasminha, mas só a partir da década de 1970 levou a sério o papel diretivo, embora ainda subisse ao palco como ator. Em 1971, dirigiu Branca de Neve e os Sete Anões. Em 1974, dirigiu Teatro de Cordel e Viagem do Faz de Conta.
Afastado do teatro por algum tempo, retornou em 1980 dirigindo Terra da Danação e Guriatã, Deus Menino, peças apresentadas por um grupo teatral de estudantes da Universidade Estadual de Feira de Santana. Em 1990, dirigiu A Volta de Lucas da Feira e, um ano depois, em 1991, despediu-se do teatro dirigindo Grito Ecológico. Mas, além de todo esse trabalho nos palcos, como ator, diretor e autor, Geraldo Lima marcou sua carreira versátil com uma experiência no cinema, atuando em 1975 no curta-metragem Palhaços, com o bom desempenho de sempre.
Geraldo Lima nunca se afastou do que gostava de fazer, mantendo-se sempre no meio cultural e, por último, editava o jornal eletrônico Infocultural. Nascido em 7 de janeiro de 1949, Geraldo Lima faleceu aos 71 anos de idade, em 30 de julho de 2023, depois de dar uma grande contribuição ao mundo cênico local, sobre o qual, com propriedade, escreveu o livro O Teatro em Feira de Santana.
Por Zadir Marques Porto



