Grêmios literários: um importante passo para chegar à Academia de Letras

Há quase um século e meio surgiram os primeiros movimentos entre intelectuais feirenses, abrindo espaços para a formação de entidades capazes de reuni-los, como uma espécie de clube, mas com direcionamento específico. Os grêmios lítero-dramáticos aqueceram a criatividade de jovens e adultos, dando-lhes a oportunidade de mostrar conhecimento e capacidade. Depois, os grêmios escolares foram fundamentais na formação do pensamento político, por fim, as academias culturais.

Já não existem, e, se existem, são alvo de inexplicável falta de divulgação, mas tiveram importante presença na vida social da cidade, contribuindo decisivamente para a elevação do nível intelectual da população e o surgimento de lideranças. Os grêmios literários, assim como seus posteriores congêneres estudantis, foram instituições vivas e pulsantes, sucumbidas por conta da natural evolução dos meios de comunicação e mudanças sociais.

Esses organismos também foram propulsores do movimento teatral citadino, gerando os primeiros grupos de atores que concretizaram a atividade com grande expressão. No final do século XIX, esboçou-se o surgimento dos grêmios literários, formalizando o movimento existente entre estudantes e intelectuais em eventos oportunos. Assim, os grêmios Rio Branco, Artur Azevedo e Taborna foram as entidades de cunho lítero-dramático surgidas no período mais fecundo, datado pós-1880, quando sobressaíram como oradores o advogado, escritor e jornalista Sales Barbosa, o advogado Filinto Justiniano Faria Bastos, o doutor Bernardino de Sousa e a professora Estefânia Menna, que ministrava várias disciplinas como Português, Francês, Ciências e Matemática.

Dentre os mais relevantes palestrantes da cidade nessa época, figuraram ainda a professora Edite Mendes de Gama e Abreu, que, além de várias conquistas no meio intelectual, foi a primeira mulher empossada na Academia de Letras da Bahia, foi membro do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, bem como do congêneres de São Paulo e de diversas outras entidades no País. Outro renomado palestrante foi o doutor Gastão Clovis de Souza Guimarães. Natural de Belmonte, radicou-se na Cidade Princesa, destacando-se na medicina, no magistério e no esporte, sendo premiado com seu nome no Instituto de Educação Gastão Guimarães, do qual, antes, foi professor de português e diretor.

Os grêmios literários em Feira de Santana tiveram forte influência na formação da juventude, e os mais laureados foram o Grêmio Lítero-Dramático Familiar, o Grêmio Lítero Taborna, o Grêmio Lítero Rio Branco, o Dramático União, a Sociedade Dramático-Recreativa Artur Azevedo, o Grêmio Récreo-Literário e o Grêmio Lítero-Dramático Sales Barbosa. Com formato mais moderno, de acordo com o período, essas entidades ressurgiram nos anos 60 do século passado. O esporte, eventos festivos, o apoio ao estudante no transporte, com a meia-passagem estudantil, o meio ingresso no cinema e no teatro, tornaram-se prioridades. A política estudantil ganhou proporção e dela surgiram muitos jovens que abraçaram com sucesso a política partidária, elegendo-se vereadores, deputados e até prefeitos. Outros ocuparam cargos de relevância na administração pública.

Os grêmios culturais Arlindo Barbosa, Dival Silva Pitombo e Honorato Bonfim, no Instituto de Educação Gastão Guimarães, Colégio Estadual e Escola Normal, foram os últimos no segmento estudantil com notoriedade. Houve ainda o Clube Literário Arlindo Pitombo, depois nominado Grupo de Estudos e Reflexão Professor Arlindo Pitombo, reunindo intelectuais, mas com duração curta, dando lugar ao surgimento da Academia Feirense de Letras em 1976, e, a partir de então, de outras instituições similares.

Por Zadir Marques Porto

Fonte: Prefeitura de Feira de Santana

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