Helder Alencar: quase quatro anos sem a sua brilhante presença

No dia 9 de fevereiro, o jornalismo feirense marcará quatro anos sem um dos seus expoentes. Não apenas pela sua indiscutível capacidade como redator e editor, mas pela grandiosidade alcançada como ser humano que nunca se sobrepôs pelo que sabia. Decente, ético, simples no acúmulo dos seus conhecimentos, Helder Alencar continua vivo na memória dos que tiveram a felicidade de conhecê-lo.

Uma das figuras mais brilhantes do cenário das comunicações feirense teve, ao lado da sua notável formação intelectual, uma marcante simplicidade pessoal, que o colocava bem entre os extremamente preparados como ele e aqueles mais simples, distantes dos seus conhecimentos. Imutável, era sempre o mesmo: atencioso, afável e prestativo. Helder Loyola Guimarães de Alencar, simplificado para Helder Alencar, foi uma dessas figuras que, esporadicamente, povoam uma comunidade e, sem alardes, crava seu nome para sempre.

Feirense, Helder nasceu em 19 de fevereiro de 1945, filho do casal Humberto Hugo de Alencar e Arminda Emília Guimarães Alencar, professora conceituada que foi diretora da Escola João Florêncio e do Grupo Escolar General Osório, além de lecionar Português na Escola Normal de Feira e no Colégio Santanópolis. Filha do médico, professor e desportista Gastão Cloves de Souza Guimarães, a professora Arminda era mestra na gramática da língua pátria e ocupou, por muito tempo, a titularidade como oficial do Cartório de Registro de Imóveis.

Helder cresceu entre livros e jornais e muito cedo começou a exercitar seu talento escrevendo crônicas e poemas. Ponderado, era pautado em pesquisas e no amplo conhecimento para emitir conceitos, isso desde os primeiros rascunhos escolares. Era leitor assíduo e era possível vê-lo muito jovem, em jornaleiros (bancas), garantindo a sua cota diária de jornais e revistas. A banca que ficava em frente à extinta loja das Casas Pernambucanas, na Praça da Bandeira, era uma das suas preferidas. Formou-se em Direito de forma elogiável, assim como praticou seus conhecimentos jurídicos.

Ele foi um dos mais destacados colaboradores do centenário Jornal Folha do Norte, mas suas crônicas também circularam nas páginas de outros órgãos da imprensa local, como Situação, Vanguarda e Tribuna Popular. Durante bom tempo, foi o editor-chefe do extinto jornal Feira Hoje. Sempre atento às demandas de sua cidade, produziu, em 1965, o Guia Turístico de Feira de Santana, considerado o primeiro dessa linha e, portanto, muito importante para a Cidade Princesa, que assim mostrava o seu potencial turístico. Três anos depois, em 1968, lançou 31 Anos da Micareta, uma abordagem histórica sobre a maior festa popular do gênero no país depois do Carnaval.

Participativo, contribuía na elaboração do programa “M. Portugal e a Sociedade”, que o famoso colunista (filho de Guilhardo e Julieta Portugal) apresentava na Rádio Sociedade. Sem ser político, ocupou com qualidade a chefia de gabinete do prefeito João Durval Carneiro (1967/1971) e assessorou o intelectual feirense e amigo pessoal Eduardo Matos Portela, quando este, para orgulho de Feira de Santana, foi ministro da Educação no governo do general João Baptista Oliveira Figueiredo, quinto e último presidente da República do Regime Militar, entre 1979 e 1985.

Merecidamente, Helder Alencar foi membro da Academia de Letras de Feira de Santana, ocupando a cadeira de número 38, com patronato do jornalista Ernesto Simões Filho, fundador do diário A Tarde. Designado procurador jurídico da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), cargo que ocupou até os dias finais de sua existência, com a irreparável conduta que lhe era peculiar, simbolizada pela decência, respeito, ética e simplicidade. No dia 9 de fevereiro de 2022, aos 77 anos de idade, Helder Loyola Guimarães Alencar deixou a vida material, estabelecendo uma indissolúvel cortina de lembranças que sua presença física emoldurou. Já são quase quatro anos com essa sentida ausência!

Por Zadir Marques Porto

Fonte: Prefeitura de Feira de Santana

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