

Foto: © REUTERS/Claudia Greco/ Proibido reprodução
Israel bombardeou Beirute nesta sexta-feira (6), depois de determinar uma retirada sem precedentes de todos os subúrbios do sul da capital libanesa, uma grande expansão da guerra contra o Irã que começou há uma semana ao lado dos Estados Unidos (EUA).
Em aparente escalada de seus próprios objetivos de guerra, o presidente dos EUA, Donald Trump, pediu o direito de ajudar a escolher o próximo líder supremo do Irã, sucessor do aiatolá Ali Khamenei, morto por bombas israelenses no primeiro dia da guerra.
Israel estendeu os bombardeios ao Líbano para erradicar o Hezbollah, milícia xiita aliada do Irã que tem sido uma facção dominante na política libanesa desde a década de 1980. O Hezbollah disparou contra Israel nesta semana para vingar a morte de Khamenei.
Explosões e clarões iluminaram o céu noturno sobre os subúrbios ao sul de Beirute. Os militares israelenses disseram ter feito 26 ondas de ataques durante a noite, com alvos que incluem centros de comando do Hezbollah e instalações de armazenamento de armas.
“Estamos dormindo aqui nas ruas — alguns em carros, outros na rua, outros na praia”, disse Jamal Seifeddin, 43 anos, que fugiu dos subúrbios do sul de Beirute e passou a noite nas ruas do centro da capital. “Nunca dormi assim no chão. Fui forçado a isso. Ninguém trouxe sequer um cobertor.”
Israel interveio no Líbano várias vezes ao longo de décadas, mais recentemente em uma campanha de bombardeios que enfraqueceu seriamente o Hezbollah em 2024. Mas a ferocidade dos ataques desta sexta-feira pareceu ter poucos precedentes, mesmo na longa história de guerra na capital libanesa.
Israel ordenou que os moradores deixassem toda a região sul de Beirute, onde vivem centenas de milhares de pessoas. Durante as campanhas anteriores, havia ordenado apenas retiradas menores de áreas específicas.
Juntamente com o bombardeio de Beirute, Israel lançou nova onda de ataques contra o Irã, dizendo que tinha como alvo a infraestrutura da capital Teerã.
Dentro de Israel, era possível ouvir explosões quando as defesas israelenses eram ativadas para abater os disparos iranianos que chegavam. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã disse que havia lançado uma operação combinada de mísseis e drones, visando locais no coração de Tel Aviv.
Durante a noite, drones iranianos também atacaram a base aérea norte-americana de Al Udeid, no Catar, a maior base dos EUA no Oriente Médio, segundo autoridades do Catar. Não houve registro de vítimas.
Ao insistir no direito de ajudar a escolher o próximo líder do Irã — que deverá ser um clérigo muçulmano xiita sênior selecionado por um painel de especialistas religiosos –, Trump fez sua exigência mais explícita de controle sobre um país de mais de 90 milhões de pessoas.
Os comentários podem dificultar o fim rápido da guerra em um acordo que deixaria o sistema de governo clerical do Irã em vigor.
“Teremos que escolher essa pessoa junto com o Irã”, afirmou Trump na quinta-feira em entrevista por telefone à Reuters.
Israel disse abertamente que quer derrubar o sistema governamental do Irã. Washington afirmou que seu objetivo é eliminar a capacidade do Irã de projetar força além de suas fronteiras, ao mesmo tempo em que convida os iranianos a se levantar e derrubar o governo.
Não houve resposta imediata do Irã às falas de Trump. O país classificou a guerra como um ataque não provocado e considera a morte de seu líder, Khamenei, como um assassinato.
O Irã diz ainda que o painel que escolherá o novo líder está realizando seu trabalho.
Inicialmente, as autoridades iranianas afirmaram que o novo líder poderia ser escolhido em breve e que o principal candidato era o filho de Khamenei, Mojtaba, um poderoso linha-dura. Mas os planos para uma rápida sucessão podem ter sido interrompidos desde que um período de três dias de luto por Khamenei foi adiado indefinidamente na quarta-feira.
Fonte: Agência Brasil




