Projeto utiliza geotecnologia e inteligência artificial para enfrentar avanço do desmatamento, que atinge sobretudo o Cerrado baiano
O Ministério Público da Bahia apresentou, na útima terça-feira, 18, o projeto ‘Terra Protegida’ durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (Conferência das Partes – COP30), no Pará. Já no dia seguinte, 19, o MPBA exibiu o projeto durante a programação do ‘Green Zone’ (zona verde), área pública de exposições e debates no evento. A ação institucional visa combater a degradação ambiental e restaurar o equilíbrio ambiental por meio de ferramentas de geotecnologia, análise de dados, inteligência artificial e monitoramento remoto.
A Instituição foi representada pelo coordenador do projeto e do Centro de Apoio às Promotorias de Meio Ambiente e Urbanismo (Ceama), promotor de Justiça Augusto César Matos, que destacou a importância do projeto para compreender o cenário atual do desmatamento na Bahia e orientar formas de combate. “Essa atividade incentiva a criação de políticas públicas ao fomentar que o Estado celebre um amplo acordo de cooperação técnica com a Instituição. Isso contribui para tornar mais dinâmico, transparente e eficiente o fluxo estadual de análise e concessão de autorizações para supressão de vegetação’’, apontou.
A metodologia do ‘Terra Protegida’ foi apresentada pela assessora técnica pericial do Ceama, Rousy Gomes de Araujo, que também mostrou os resultados conquistados. “Por meio de ferramentas tecnológicas utilizadas, foi possível qualificar a investigação e produzir provas técnicas que fortalecem a proteção dos biomas baianos’’, disse. Ela também pontuou que, desde o seu lançamento no final de 2024, foi realizada assinaturas de Termos de Ajustamento de Conduta (TAC) para criação de 154 Reservas Particulares de Proteção Natural (RPPN). Foram mais de 80 acordos que preveem a recuperação de aproximadamente 9 mil hectares de áreas degradadas, o que equivale a cerca de 11 mil campos de futebol, e a arrecadação de R$ 10 milhões em indenizações em razão da supressão vegetal ilegal, que serão destinados ao Fundo de Defesa dos Direitos Fundamentais (FDDF) do MPB, para financiar projetos e ações sociais voltadas à promoção de direitos.
Dados analisados pelo Centro Integrado de Geotecnologias (Cigeo), vinculado ao Laboratório de Geotecnologia do Ceama, evidenciam a evolução da degradação ambiental no estado entre 2019 e 2025. O Cerrado aparece como o bioma com maior área suprimida, totalizando 682.942,73 hectares, seguido pela Caatinga, com 326.200,33 hectares, e pela Mata Atlântica, com 35.254,31 hectares.
*Estagiária de Jornalismo sob supervisão de George Brito (DRT-BA 2927)




