
Texto: Gilvan Santos / Secom PMS
Foto: Jefferson Peixoto / Secom PMS
Um verdadeiro batalhão de profissionais trabalha nos preparativos da próxima exposição do Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab). O motivo é especial: o público poderá conferir obras que integram a maior coleção de arte já repatriada no país, com mais de 600 trabalhos de 135 artistas baianos, pernambucanos e cearenses. A abertura está prevista para o início de março.
As peças desembarcaram em Salvador no último dia 12 de janeiro e passam por processos de registro, catalogação e, quando necessário, restauração. Toda a equipe de museologia do Muncab está envolvida na montagem, ao lado de curadores, designers, produtores, técnicos de montagem, historiadores, restauradores, pintores e outros profissionais. Ao todo, cerca de 130 pessoas participam da operação.
Para receber o acervo, o prédio localizado na Rua das Vassouras, no Centro Histórico, precisou ser adaptado. O andar onde funcionava a diretoria administrativa está em processo de desocupação para abrigar as obras, e as equipes foram transferidas para o edifício vizinho. Segundo os profissionais, algumas peças sofreram com a mudança de temperatura, mas, no geral, estão bem conservadas e exigem poucos reparos.
A relevância do conjunto já desperta interesse da comunidade acadêmica. Antes mesmo da chegada das obras ao Brasil, a direção do museu começou a receber e-mails de pesquisadores brasileiros e estrangeiros solicitando acesso ao material. A diretora do Muncab, Cíntia Maria, explica que foram mais de cinco anos de negociações até Salvador ser escolhida como destino definitivo.
“As obras foram doadas por duas norte-americanas, Bárbara Cervenka e Marion Jackson, que começaram a formar esse acervo há mais de 30 anos. São pinturas, esculturas, fotografias, gravuras, xilogravuras, arte sacra, objetos rituais, estampas e diversas outras tipologias produzidas por 135 artistas, sendo 93 deles afro-brasileiros”, afirmou.
Entre os nomes presentes na coleção estão J. Cunha, Babalu, Goya Lopes, Zé Adário, Lena da Bahia, Raimundo Bida, Sol Bahia e Manoel Bonfim, entre outros. Com a incorporação do novo conjunto, o Muncab passa a abrigar uma das maiores coleções de arte afro-brasileira do país.
A logística de repatriação envolveu diferentes órgãos e instituições, como embaixadas, Ministério da Cultura, Ministério da Fazenda, Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador, Petrobras, Wilson Sons e a Alfândega da Receita Federal.
Doação – As doadoras (uma professora e uma artista plástica) visitaram o Brasil diversas vezes ao longo de três décadas, organizaram exposições itinerantes e ajudaram a divulgar a cultura nordestina nos Estados Unidos e no Canadá. Em 2015, já idosas, decidiram devolver o acervo ao Brasil, mas encontraram resistência de instituições interessadas apenas em obras de artistas consagrados.
Em 2020, o Muncab entrou em contato demonstrando interesse em receber a coleção completa. Bárbara e Marion vieram a Salvador, conheceram o museu e decidiram doar o conjunto à cidade.
As peças retratam temas como o Carnaval, o Pelourinho, o candomblé, a Irmandade da Boa Morte, manifestações populares, revoltas históricas e o período da escravização, entre outros. “Ficamos muito felizes por elas terem escolhido o Muncab. É um acervo rico, diverso e que registra um período importante da história do Centro Histórico de Salvador, uma região em constante transformação. Estamos preparando essa exposição com todo o cuidado e carinho”, destacou Cíntia.
Após a organização museológica, o material ficará disponível para visitação e também para pesquisa acadêmica. O Muncab funciona de terça a domingo, das 10h às 17h (último acesso às 16h30). Os ingressos custam R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia), com entrada gratuita às quartas-feiras e aos domingos.
Fonte: Prefeitura de Salvador




