
Dinâmico, empreendedor, desportista, foi um dos fundadores e atleta do Palestrinha, transformado em Fluminense de Feira. Newton Falcão destacou-se sobremaneira nos segmentos em que atuou, dentre eles a administração pública. À primeira vista ‘fechado’, era amigável e brincalhão, tratando a todos com afabilidade. Foi prefeito local (1971/1973) e faleceu em 1995.
Filho de Adnil da Costa Falcão e João Marinho Falcão, que foi um dos mais importantes comerciantes da história de Feira de Santana e prefeito do município no quadriênio de 1955 a 1959, Newton da Costa Falcão, nascido em 22 de novembro de 1920, herdou-lhe qualidades preponderantes que o capacitaram a seguir os passos paternos. Jovem, além dos estudos e do trabalho, dedicou-se ao esporte, em especial ao futebol, que era praticado entre amigos em campos da cidade, que eram muitos na época. Foi um zagueiro implacável, devido à sua compleição física. Embora não fosse alto, era forte e vigoroso.
Newton foi um dos fundadores do Palestrinha, no qual atuou ao lado de Dilson do Amaury, Zé Amândio, Laudelino Lacerda (Loló) e outros amigos. Depois, em janeiro de 1941, ao lado dos seus irmãos: Antônio, Wilson, Manuel e Walter, foi um dos responsáveis pelo surgimento do Fluminense de Feira Futebol Clube, oriundo do Palestrinha. Integrou também a diretoria do clube na era do profissionalismo, como conselheiro e presidente do patrimônio. Presidiu ainda o Conselho Deliberativo que aprovou os estatutos do clube em 1965.
Depois dos estudos básicos em Feira de Santana, Newton foi para Salvador, ampliando seus conhecimentos em estabelecimentos respeitados, como o Colégio da Bahia e a Escola de Comércio, graduando-se como técnico em Auditoria Contábil, em 1941. Durante pouco tempo, trabalhou em empresas de Salvador e, retornando a esta cidade em 1942, passou a atuar em empresas do pai e como auditor fiscal do Colégio Santanópolis. Em 6 de julho de 1944, contraiu matrimônio com a senhora Lourdes Matos Dias, filha de destacada família de Paripiranga. Dessa união nasceram: Adnil, Newton, Francisco Ricardo, Paulo Marcelo, Ana Verena, José Alberto, João Marinho e Raimundo.
Atuante em vários segmentos, como o comercial, industrial e financeiro, destacou-se ainda na atividade pecuária, mantendo um importante rebanho de gado leiteiro em propriedades localizadas em Paripiranga e neste município. Criava gado holandês, gyr, nelore e foi um dos precursores na introdução de bubalinos na região, na Fazenda Santana, que era a sua preferida. Newton da Costa Falcão sucedeu João Durval Carneiro na Prefeitura de Feira de Santana e, considerado candidato de conciliação, sentou na cadeira número um do município no biênio (1972/1973). O orçamento municipal era restrito e o período administrativo muito curto, mas ele se dedicou a saldar débitos do Município, cuidando em pagar o funcionalismo em dia e garantindo salário mínimo para todos aqueles que ainda não haviam alcançado esse patamar.
Mesmo com dificuldades orçamentárias e pouco tempo à frente da máquina administrativa, cercou-se de um secretariado competente e, como ele, voltado para o desenvolvimento da Terra de Santana. Construiu o Centro de Saúde no Sobradinho (hoje Hospital da Mulher), lavanderias nas Baraúnas, restaurou o Mercado de Arte, reformou vários prédios escolares, promoveu a pavimentação de logradouros, reformou o Orfanato Evangélico, promoveu o Natal das Crianças no estádio municipal, propiciando a oferta de mais de 10 mil presentes à gurizada.
Newton Falcão mostrou-se preocupado com o bem-estar da população e assim acentuou seu trabalho na urbanização da Cidade Princesa, dando tratamento especial às praças públicas e jardins. Construiu uma bela fonte luminosa na Praça Padre Ovídio, que se tornou a principal atração da cidade, local de visita obrigatória para quem chegasse. Foi tão intenso o trabalho desenvolvido em prol do embelezamento e melhoria ambiental de Feira de Santana que foi cognominado de ‘Prefeito Jardim’. Um detalhe interessante do seu traço pessoal era a voz forte, em tom que parecia ostensivo, mas essa impressão logo se dissipava diante da cordialidade que lhe era nata.
Newton da Costa Falcão faleceu na quinta-feira, dia 7 de dezembro de 1995, aos 75 anos de idade, consternando políticos, autoridades e a comunidade. O prefeito José Raimundo Azevedo observou que a cidade perdeu não apenas um dos mais importantes administradores das últimas décadas, como também um empresário dinâmico que muito contribuiu para a geração de empregos. O prefeito decretou luto oficial de cinco dias. O presidente da Câmara Municipal, José Flantildes, também decretou cinco dias de luto oficial. O deputado estadual Tarcízio Pimenta apresentou moção de pesar na Assembleia Legislativa. O corpo de Newton Falcão foi velado na Prefeitura Municipal e sepultado às 10 horas do dia 8 de dezembro de 1995, no Cemitério Piedade, nesta cidade.
Por Zadir Marques Porto

Foto: Divulgação – Arquivo ZMP



