
Os que, como ele, chegam ao patamar mais alto da vida, mantendo princípios tão profundos de integridade e simplicidade, podem se considerar felizes, pois já provaram que aqui estão em missão de elevação espiritual. O odontólogo Peron Rodrigues Freitas aposenta-se sem qualquer ranhura na sua longa trajetória profissional, superando, para isso, muitas adversidades.
Por trás da simplicidade, um homem de respeito e um profissional que há meio século dignifica sua profissão. Odontólogo com a primazia de pioneiro entre os reabilitadores orais da Cidade Princesa, Peron Rodrigues Freitas tem uma história de vida bonita, pontilhada por muitas dificuldades, próprias de quem descende de uma família humilde, mas repleta de vitórias. Em dezembro de 2025, ele completou 50 anos de profissão e, a partir deste mês (março de 2026), conforme já decidiu, deixa a atividade definitivamente, já que ainda estava atendendo, em casos especiais, muito mais pela afetividade.
Natural de Candeal, Peron veio para esta cidade ainda na infância, que não foi igual à de outras crianças, pela precária situação financeira da família, o que ele não esconde, chegando mesmo a lavar carros para ganhar algum dinheiro. Concluiu o curso ginasial no Colégio Estadual, na época funcionando no prédio do atual Centro Universitário de Cultura e Arte (CUCA), na Rua Conselheiro Franco. Lembra antigos colegas da época de estudante como o falecido médico Antônio Fernandes, doutor Pacífico, Gedeon, Adessil Guimarães, Antônio Carlos Coelho, Teomar Soledade, Celso Pereira, Rui Nunes, Jorge Valter Nunes, dentre outros.
Concluiu o ginasial e fez o curso de técnico em contabilidade no Colégio Estadual, mas sempre pensando na próxima etapa, que teria de ser a Medicina. Começou a trabalhar no escritório de contabilidade de Luís Mendonça, que ficava ao lado do Jornal Situação. Em 1968, fez vestibular na Universidade Federal da Bahia e, como eram três opções, escolheu: Medicina, Farmácia Bioquímica e Farmácia Comercial, sendo aprovado na última. Dedicado e inteligente, concluiu o curso em 1972, mas decidiu continuar os estudos superiores, atraído pela Odontologia. Fez parte da Residência Universitária Federal da Bahia, onde dormiam e se alimentavam alguns alunos dessa universidade que não tinham família em Salvador nem como se manter na capital baiana.
Diplomado em 1976 pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Peron retornou a Feira de Santana, decidido a trabalhar. “Eu não o conhecia, mas fui procurar o doutor Colbert Martins, no gabinete dele na Praça Fróes da Mota. Fui muito bem recebido e ele me perguntou se eu sabia extrair um dente. Depois da conversa, ele saiu e eu fiz duas extrações, as primeiras da minha vida profissional. Ele voltou à sala e aprovou. Trabalhei com o doutor Colbert durante dois anos, tornamo-nos amigos e eu jamais o esquecerei. Também tenho grande amizade, como seu filho, o doutor Colbert, meu amigo Colberzinho”, relata Peron.
Em 1978, ele instalou o primeiro gabinete na Avenida Getúlio Vargas, onde hoje é a Clínica Senhor do Bonfim. “Começamos juntos, eu e o doutor Pascoalin”. Dois anos depois, adquiriu uma casa residencial na Rua Domingos Barbosa de Araújo, Kalilândia, e construiu o moderno prédio onde funciona a Physios – Clínica Odontológica. Em 50 anos de profissão, Peron Rodrigues participou de centenas de cursos, reuniões, congressos e outros eventos, sempre buscando a atualização profissional. Com isso, tem um respeitável acervo de diplomas em seu gabinete, mas destina especial apreço à Comenda Dr. Gastão Guimarães, que lhe foi outorgada em 2008 pela Câmara Municipal de Feira de Santana, mediante indicação do vereador Antônio Carlos Coelho. Satisfeito, ele ressalta: “Eu sou o único odontólogo comendador!”.
Na época de ginasiano, Peron se destacou nas aulas de educação física no Colégio Estadual, ministradas pelo Capitão Arlindo Barbosa (ainda com patente de sargento), que o levou para o Feira Tênis Clube (FTC). Com boa altura e técnica apurada, Peron foi convidado pelo Fluminense de Feira, que procurava um bom quarto-zagueiro, mas o salário não o atraiu e preferiu continuar no amadorismo, praticando futebol de salão e voleibol no Feira Tênis Clube. No vôlei, como cortador, foi treze vezes campeão dos Jogos Abertos do Interior pela seleção de Feira de Santana. Muito bem relacionado socialmente, Peron Rodrigues foi diretor social do FTC e do Clube de Campo Cajueiro, com o mérito de ter promovido grandes eventos em ambos. Lançado pelo advogado Raimundo Mendes, então presidente do clube, e mesmo sem pretender participar da eleição com três chapas, ficou em segundo lugar. O FTC tinha 25 mil sócios e o vencedor, que fez enorme campanha — ao contrário de Peron —, contabilizou apenas 125 votos a mais. No Cajueiro, também não quis concorrer à presidência, ficando como diretor social.
Aos 78 anos, 50 como dentista e com um enorme ciclo de amizades, Peron é um homem realizado. Pioneiro na área de reabilitação oral, não tem números exatos, mas acredita que já ultrapassou a marca dos 500 implantes. Ele é extremamente grato e reconhecido à mãe, dona Lucy Queiroz Freitas, sustentáculo de sua vida, assim como ao padrasto Antônio Job Freitas, responsável pela escolha do seu nome, que nada tem a ver com o ex-presidente da Argentina, Juan Domingo Perón. Torcedor fiel do EC Vitória e do Vasco da Gama, Peron é adepto da música romântica, “brega mesmo”, e não deixa dúvida em relação ao seu gosto musical ao garantir que seu cantor preferido “é Eduardo Costa!”.
Por Zadir Marques Porto






Foto: Divulgação – Arquivo ZMP






