Projeto “Fala, Maria!” leva orientação sobre violência contra a mulher a estudantes da Rede Municipal

Na manhã desta quinta-feira (9), a Escola Municipal Maria da Conceição, no bairro Iracema, recebeu uma ação do projeto “Fala, Maria!”, iniciativa da Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres (SMPM), por meio do Centro de Referência da Mulher Albertina Vasconcelos (Crav). A atividade levou orientações a estudantes sobre a Lei Maria da Penha, tipos de violência, relacionamentos abusivos, canais de denúncia e igualdade de gênero.

A proposta do projeto é ampliar o acesso à informação e fortalecer a rede de proteção às mulheres, atuando principalmente na prevenção por meio da educação. O “Fala, Maria!” promove visitas orientativas em escolas, comunidades e instituições, com o objetivo de conscientizar sobre a violência contra a mulher e orientar sobre os caminhos de denúncia e acolhimento.

🔗 Clique para ver a foto original

assistente social do Crav, Daniella Cardoso

Segundo a assistente social do Crav, Daniella Cardoso, a iniciativa acontece durante todo o ano e tem um papel estratégico ao alcançar diferentes públicos: “Esse projeto acontece durante todo o ano, então é importante estarmos em todos os lugares falando sobre a violência contra a mulher. E estar nos colégios é uma das necessidades que eu sempre trouxe. É importante estar no colégio, por quê? Porque a gente atinge todas as idades”. 

Ela também destacou o caráter preventivo da ação, especialmente entre jovens: “Hoje mesmo nós falamos pra adolescentes que podem ser os futuros homens e não futuros agressores. Essa é a importância de a gente estar levando essa prevenção”. 

Durante as visitas, as equipes explicam como funciona a rede de apoio às vítimas e onde buscar ajuda, além de abordar direitos garantidos por lei. “A gente fala, no geral, de como é a nossa rede, onde ela pode procurar essa ajuda, seja o Crav, seja a Deam, seja uma vizinha. A gente traz essa informação pra elas”. A orientação inclui também situações práticas do dia a dia e legislações que garantem mais segurança para as mulheres.

A escolha do ambiente escolar como espaço para essas discussões é estratégica. Para a diretora da unidade, Lausane Lima Machado Amorim, ações como essa são fundamentais diante da realidade atual: “É de grande relevância pelo fato do que a gente vem vivendo no país, na cidade, em relação ao desrespeito e o despreparo também de muitos jovens”. 

🔗 Clique para ver a foto original

Diretora Lausane Lima Machado Amorim

Ela também reforçou o papel da escola na formação de cidadãos mais conscientes: “A gente já faz um trabalho de conscientização com os jovens, colocando eles mesmos para que sejam os protagonistas da história.”

A ação também chamou a atenção dos alunos, que destacaram a importância de discutir o tema desde cedo. A estudante Priscila Santos, de 14 anos, ressaltou a relevância da palestra: “Devemos muito falar sobre esse assunto, que é muito importante para nós, meninas, que podemos sofrer abuso sexual ou psicológico”.

Já o estudante Arthur Sousa, de 13 anos, destacou o aprendizado sobre os canais de denúncia: “Foi muito bom para alertar sobre os perigos e é bom para as meninas saber também a respeito das violências que elas estão passando e onde é que pode denunciar.” Ele também destacou um ponto importante: “Tem muitas meninas que sofrem violência e não sabem onde denunciar e às vezes nem sabem que é uma violência”. 

Cenário de violência contra a mulher

A violência contra a mulher ainda é um problema grave no Brasil e se manifesta de diversas formas: física, psicológica, moral, sexual e patrimonial. Além disso, o crescimento das violências virtuais e cibernéticas tem acendido um alerta, especialmente entre adolescentes.

Em 2025, o Brasil atingiu um recorde histórico nos casos de violência contra a mulher, com 1.568 feminicídios registrados, um aumento de 4,7% em relação a 2024. O número representa uma média alarmante de quase quatro mulheres assassinadas por dia. Já no início de 2026, os dados apontam para a continuidade dessa tendência de crescimento, com mais de 53 mil medidas protetivas concedidas somente no mês de janeiro.

Nesse contexto, ações educativas como o “Fala, Maria!” são fundamentais para romper o ciclo da violência, promovendo informação, empoderamento e incentivo à denúncia.

A principal mensagem da ação é clara: informação salva vidas. Ao orientar jovens sobre respeito, limites e direitos, o projeto contribui para a construção de uma sociedade mais consciente e segura. “A gente tá aqui pra cuidar delas e pra fazer com que eles cuidem delas também”, reforçou Daniella Cardoso.

Com iniciativas como essa, a expectativa é que cada vez mais mulheres reconheçam situações de violência e saibam onde buscar ajuda, e que os jovens se tornem agentes de mudança dentro e fora da escola.

 

#CONQUISTA

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima