Sessão solene na Câmara homenageia o Dia da Consciência Negra

Com o intuito de homenagear o Dia da Consciência Negra e levar a população a refletir acerca da data, a ser celebrada nesta quinta-feira, 20 de novembro, a Câmara Municipal foi palco de uma sessão solene que aconteceu na noite de hoje (19), proposta pelo vereador Pedro Américo (Cidadania), por meio de requerimentos aprovados pelos seus pares em plenário.

Em seu discurso, Pedro Américo disse que a Câmara tem o anseio de ser a “Casa do Povo” e a “vontade intrínseca de representar cada um(a) que vive em nossa sociedade”, apesar de grande parcela desta ainda não estar representada completamente em vários ambientes.

“Neste dia, tivemos a oportunidade de refletir sobre a data comemorativa aqui celebrada (Dia da Consciência Negra), que ainda não é plenamente entendida por grande parte da nossa sociedade, pois esta ainda carrega, em sua estrutura, a falta de um olhar, de respeito, empoderamento e garantia de direitos fundamentais”, ressaltou.

O parlamentar acrescentou: “Buscamos montar, na Mesa de Honra, uma representação com a cara da sociedade feirense, do povo negro que esteve aqui representado através dos nossos homenageados de hoje. Contudo, essa representação é para além de simbólica; é a garantia de que nós devemos, cada vez mais, fazer com que essa Casa, esse Parlamento e tantos outros possam, de fato, representar a população”.

PALESTRANTES DESTACAM LUTA E RESISTÊNCIA

Houve dois palestrantes durante a sessão solene desta noite: Ellen Alcântara e Denisson de Jesus. A primeira é enfermeira obstétrica, professora da UNEB – campus de Senhor do Bonfim, e mestra na área de saúde da mulher, criança e adolescente. Para ela, conquistar esses espaços é para poucas mulheres negras.

“E por que eu faço questão de me apresentar? Porque reafirma a minha história e a daqueles que me antecedem. Eu sou o sonho dos meus ancestrais. Sei que essa minha fala aqui é histórica, algo que diz muito sobre a vontade da minha avó, bisavô e os demais que me antecederam”, afirmou.

De acordo com a palestrante, naquele momento ela falava não só para os presentes, mas também para os seus ancestrais. “Trago comigo vidas que existiram antes de mim e que foram silenciadas, mas todas foram fundamentais para que eu estivesse neste espaço hoje, de fala, que é a Câmara de Vereadores. Este é um espaço de poder, do qual eu me considero parte e necessária por estar aqui”, complementou.

“Este não é um mês de celebração vazia”

Para Ellen Alcântara, neste mês de novembro reforça-se a centralidade de luta e resistência das conquistas do povo negro no Brasil. “Este não é um mês de celebração vazia. E essa frase é para que pensemos se a Prefeitura de Feira de Santana está considerando esta fala apenas como uma celebração vazia, já que amanhã, cerca de 80% da sua população, em sua maioria negra, estará trabalhando”, criticou.

Para ela, ao contrário, este é um mês de memória viva, reparação e afirmação política, que cada um faz, todos os dias, em seus locais de trabalho, seja na segurança pública, na saúde ou na educação. “Falamos de um povo que, mesmo tendo sido reduzido à condição de ‘mercadoria’, mesmo sendo ‘a carne mais barata do mercado’, jamais se sucumbiu. E esse é o nosso símbolo de resistência”, afirmou.

“O CONHECIMENTO ABRE PORTAS”

Já Denisson Santos de Jesus, o outro palestrante da noite, é professor de Biologia, pós-graduado em gestão, perícia e licenciamento ambiental. Em seu discurso, lembrou de sua avó, dona Damiana, que lhe disse, ainda jovem, sobre o diferencial por ser negro. “A única coisa que ninguém conseguiria tirar de mim seria o conhecimento, pois seria uma escolha minha, passando para a frente ou não. E isso abriria portas para mim. E realmente abriu. Venho pulando as estatísticas”, disse.

Ressaltou que é um jovem negro, periférico, de 38 anos, o que difere da maioria, que não chega nem à sua idade. “E a gente não vê, no dia a dia, a atenção que é dada ao letramento social e racial, tão importante para a população negra. O estudo pode transformar as pessoas. Tirar os jovens do crime, por exemplo, começa com pequenos atos, dentro das estruturas familiares. E quando se mostra à criança que ela precisa estudar para sair daquela condição social em que se encontra, pois será benéfico e prazeroso para ela, não apenas uma obrigação, é mostrar que se pode fugir das estatísticas.”

“O dia 20 de novembro não é só mais um dia; é uma data que devemos usar para refletir sobre o que estamos deixando para a sociedade, principalmente para os jovens negros. Será que estamos trazendo bons exemplos, bons caminhos? O que podemos fazer por nossa juventude?”, indagou.

Para Denisson Santos de Jesus, resistir é importante, e esse ato deve ser praticado todos os dias. “Precisamos mostrar que é possível combater o racismo com o letramento social, por exemplo; e esse combate pode ser feito com sabedoria, conhecimento e inteligência, e não com raiva”, afirmou.

OUTRAS HOMENAGENS DA NOITE
Durante a sessão, houve diversas homenagens simbólicas a personalidades da cidade. Foram elas: Quitéria Elias, Caíque Lopes Barretos, Alexsandro dos Santos Souza, Cleane dos Santos Oliveira Carneiro, Denisson Iuri Santos de Jesus, a palestrante da noite Ellen Hilda de Alcântara Oliveira, João Gabriel de Melo e Edy Bonrhausen (que recebeu também, nesta noite, a Medalha Zumbi dos Palmares).

Ainda, as homenagens foram concedidas a Euvaldo de Araújo Sena, Fabrício dos Santos Costa, ao ex-vereador Petrônio Lima, Julio José do Carmo Vaccarezza Neto, Laila Geovana Moreira Beirão, Maielle Santos Ferreira, Marcos Figueiredo da Cruz, Marcos Vinícius de Oliveira Dantas, Ramon dos Reis Santos e ao vereador proponente da sessão solene desta noite, Pedro Américo.

Também foram entregues homenagens a Renata Nogueira, Rondinelli Pereira de Jesus, Samuel Conceição Almeida Lobo, Sônia Bonifácio, Sophia Rosa Dantas, Tânia Alves Conceição, Wesley Tadeu da Silva e Silva, ao secretário municipal de Habitação, Valdivan Nascimento, e a Suely Paulo de Lima.

MESA DE HONRA

Na Mesa de Honra, ao lado do vereador proponente da sessão, estiveram os palestrantes da noite; o secretário municipal de Cultura, Esporte e Lazer, Cristiano Lobo, representando o prefeito José Ronaldo; Valdivan Nascimento, secretário municipal de Habitação; e os homenageados da noite: Suely Paulo de Lima, Rosylene Oliveira Costa, Maria de Lourdes Santana e Edy Bonrhausen.

Marcaram presença também, na ocasião, a vereadora licenciada e secretária municipal de Desenvolvimento Social, Gerusa Sampaio; o radialista e ativista do Movimento Negro, Frei Cal; o capitão Edvando Nogueira, representando o Comando de Policiamento Regional Leste (PM-BA) de Feira de Santana (CPR-L); Marcos Vinícius Dantas, comandante da Guarda Municipal; Ângela Pérsico, presidente do Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS); Lamarque Olimpio de Oliveira Ferreira, presidente do Centro de Integração do Deficiente em Feira de Santana; Hamilton Figueiredo Teles, presidente da Associação Cromossomos 21; os ex-vereadores Marialvo Barreto e Petrônio Lima; representantes da Sustentare, além de diversos outros representantes de entidades e da sociedade civil, bem como familiares dos homenageados.

Fonte: Câmara de Feira de Santana

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