
A força, a superação e o amor incondicional marcaram a manhã desta quinta-feira (26), durante o evento “Síndrome do Amor”, realizado no auditório do Hospital Inácia Pinto dos Santos, conhecido como Hospital da Mulher. A iniciativa foi promovida pela Fundação Hospitalar, por meio da equipe de Fisioterapia, reunindo cerca de 20 crianças com Síndrome de Down e suas famílias, que recebem acompanhamento no ambulatório de Pediatria da unidade.
O encontro foi um momento de troca de experiências, acolhimento e aprendizado entre mães atípicas, profissionais de saúde e estudantes da área, reforçando a importância do acompanhamento especializado para o desenvolvimento das crianças.
A promotora de vendas Maria Madalena de Jesus dos Santos, de 41 anos, moradora do distrito da Matinha, destacou a importância do acompanhamento fisioterapêutico na vida da filha. Ela contou que só descobriu a Síndrome de Down após o parto, mesmo tendo realizado todos os exames durante a gestação, incluindo a morfológica.
Segundo ela, o apoio recebido no Hospital da Mulher tem sido fundamental.
“Hoje, a fisioterapia faz uma grande diferença na minha vida e na vida da minha filha. As oficinas do amor ensinam as mães a realizarem alguns movimentos e cuidados em casa, o que tem feito muita diferença na evolução corporal dela. Já percebo a evolução motora. Aqui encontramos o tratamento necessário, desde o neuropediatra à fisioterapia, e já saímos com as consultas remarcadas”, afirmou.
Maria Madalena ressalta ainda que o maior desafio é a distância até o hospital para comparecer às consultas, mas diz que o esforço vale a pena pelo progresso da filha.
Outra mãe presente no evento foi Josélia de Oliveira Santos, de 40 anos, moradora do bairro Gabriela. Ela conta que não esperava se tornar uma mãe atípica e que o diagnóstico da filha foi um choque no início.
“Levei algum tempo para entender a síndrome de Down. Hoje, procuro me adaptar às mudanças da vida. Tive que sair do trabalho para me dedicar à minha filha, porque são fisioterapias e outros acompanhamentos médicos que exigem minha presença. Hoje entendo que fui uma escolhida, porque o amor que sinto é imensurável”, disse, emocionada.
Josélia também destacou o papel do hospital como rede de apoio para as famílias.
“Sou muito grata ao Hospital da Mulher por ter sido chamada para participar desse encontro com outras mães e perceber que não estamos sozinhas. Aqui encontramos acolhimento e apoio”, frisou.
Mãe de primeira viagem, Andréa Santos também relatou a importância do acolhimento recebido logo após o nascimento do filho na unidade.
“Encontrei aqui ajuda psicológica para aceitar uma realidade que eu não poderia mudar. Ser mãe atípica mudou minha vida. Hoje estou orgulhosa de mim e dele, que me ensina todos os dias a ser uma pessoa melhor”, contou.
Entre os depoimentos mais emocionantes esteve o da avó Aurelina de Carvalho, de 68 anos, que participou do evento acompanhando a neta Rafaela de Carvalho, de apenas dois meses.
Atenta às orientações da equipe de fisioterapia, ela disse que participar do encontro foi uma experiência especial.
“Eu acho que esse evento vai ajudar as mães a entender melhor as dificuldades do dia a dia. Para mim, que já criei filhos e agora tenho essa neta linda, é um presente de Deus. Como o nome do evento diz: a síndrome não é um defeito, é só diferente. É a síndrome do amor”, afirmou.
O estudante do oitavo semestre de Fisioterapia Elton Rios destacou que a experiência também contribui para a sua formação acadêmica.
“É um aprendizado muito importante para nós, estudantes, e uma forma de contribuir para que iniciativas como essa da equipe de fisioterapia do Hospital da Mulher ampliem as possibilidades de cuidado na saúde dessas crianças”, disse.
De acordo com a fisioterapeuta Édila Carla Alves, o atendimento no ambulatório é intenso devido à grande demanda.
“Nós atendemos cerca de 16 a 20 crianças por dia. Buscamos otimizar o atendimento para que todos os pacientes que chegam ao ambulatório possam receber o melhor cuidado possível”, explicou.
Ela ressaltou que o evento também tem o objetivo de orientar as mães para os cuidados em casa.
“Esse é um momento de descontração e troca de experiências. Nas oficinas, as mães produzem objetos criativos que podem ser usados para brincar com as crianças e estimular o desenvolvimento. Também orientamos desde a forma correta de pegar o bebê no braço até a posição adequada para sentar. São atividades positivas que elas já saem preparadas para praticar em casa”, destacou.
O coordenador do setor de Fisioterapia do Hospital da Mulher, André Neves, reforçou a importância do cuidado especializado para crianças atípicas e os desafios enfrentados pelas famílias.
“São muitos desafios, desde a rotina de fisioterapias semanais até exames que muitas vezes têm custos elevados. A nossa proposta é capacitar as mães para que elas possam utilizar ferramentas e técnicas que auxiliem no desenvolvimento das crianças”, explicou.
Ele ressaltou ainda que muitas das crianças acompanhadas pelo serviço nasceram prematuras e precisam de acompanhamento contínuo.
“Esse evento deixa uma mensagem muito importante para todos os profissionais da unidade: somos todos iguais. Essas crianças nos dão muito amor, e nós precisamos devolver esse amor com cuidado especializado e eficiente, para melhorar o desenvolvimento motor e garantir qualidade de vida”, afirmou.
André Neves destacou também que a equipe de fisioterapia da unidade conta com quatro especialistas no atendimento ambulatorial, além de profissionais que atuam em diferentes setores do Complexo Materno Infantil, desde a assistência ao parto de gestantes de alto risco até o acompanhamento de bebês internados na UTI Neonatal, UCINCo e UCINCa, dentro do Método Canguru.
A Fundação Hospitalar, com o propósito de fortalecer a assistência especializada aos pacientes do Sistema Único de Saúde, vem proporcionando à unidade hospitalar a fisioterapia integrada à equipe multidisciplinar, contribuindo para a recuperação dos pacientes, a redução do tempo de internação e a melhoria do fluxo de atendimento no Hospital da Mulher.
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Foto: Fátima Brandão




