
Uma manhã de escuta e construção de propostas marcou o encontro “Fala Jovens – Meninas pelo Fim da Violência de Gênero”, realizado, nesta quinta-feira (12), na Casa da Mulher Brasileira, em Salvador. A atividade integra a programação do Março Mulher promovida pelo Governo da Bahia e teve como foco ouvir meninas e jovens mulheres sobre como percebem, vivenciam e interpretam as diversas formas de violência de gênero em seus territórios, escolas e espaços de convivência.
Ao todo, 80 estudantes de quatro colégios estaduais participaram do encontro. A ação foi promovida pela Secretaria de Políticas para as Mulheres do Estado (SPM), em parceria com a Secretaria da Educação do Estado (SEC), a Coordenação Estadual de Políticas para Juventude (Cojuve) e o Conselho Estadual de Políticas para a Juventude (Cejuce). A iniciativa também contribuiu para a atualização do Plano Estadual de Juventude, que está sendo construído por meio de escutas sociais em diferentes Territórios de Identidade da Bahia.
Segundo Francileide Araújo, coordenadora de Prevenção à Violência da SPM, o momento de escuta é fundamental para a construção de políticas públicas mais eficazes. “Esse momento de escuta é um dos mais valiosos para a construção e o fortalecimento das políticas públicas. Quando abrimos espaço para ouvir as meninas, reconhecemos que suas experiências, necessidades e sonhos precisam estar no centro das decisões que impactam suas vidas. Escutar hoje é construir um futuro com mais equidade, dignidade e oportunidades para todas”, afirmou.
De acordo com Iana Sara, coordenadora de Juventude da Secretaria de Educação da Bahia (SEC), o objetivo é sensibilizar estudantes e fortalecer o protagonismo feminino dentro das escolas. “Aqui, a gente tem feito uma provocação com os estudantes, criando um espaço de sensibilização e valorização do protagonismo feminino e da emancipação das mulheres. Também dialogamos com os meninos, para que eles se engajem nessa campanha que a SPM tem promovido no estado da Bahia, o Março Mulher, relacionado ao Dia Internacional da Mulher. Nas escolas da rede estadual, abrimos espaços para debates e projetos que envolvam os estudantes e fortaleçam essa conscientização”, explicou.
Entre as participantes do Fala Jovens está Shani Oliveira, 17 anos, estudante do Colégio Estadual de Tempo Integral Mestre Paulo dos Anjos, no Bairro da Paz. A jovem se destaca pela produção de artigos sobre liderança feminina e incentiva outros jovens a também se expressarem por meio da escrita. “Eu escrevo sobre mulheres que conseguiram evoluir no mundo, sobre injustiça social, desigualdade de gênero, mulheres na astronomia e nas ciências. Meu primeiro artigo foi sobre mulheres que foram ofuscadas nas ciências. Então, digo a todos os jovens que escrevam também e divulguem o que pensam”, contou a estudante que se prepara para estudar nos Estados Unidos e já recebeu retorno de duas das mais renomadas instituições do mundo: Harvard e Columbia University.
Outro participante do encontro foi João Victor Xavier, 17, do Colégio de Tempo Integral São Daniel Comboni, no bairro de Sussuarana. Ele integra o coletivo artístico Vinícius Teixeira, formado por 32 estudantes e um professor, que desenvolveu uma peça teatral sobre prevenção à violência contra meninas e mulheres. “Na peça a gente fala sobre a violência contra a mulher e o que elas passam no dia a dia. Isso não pode ser algo cotidiano. As mulheres têm voz e podem ser quem são. Falamos também sobre violência doméstica, psicológica e sobre outras formas de violência, inclusive contra a comunidade LGBT. Estamos aqui para refletir sobre isso”, destacou.
Para Jéssica Ferreira, chefe de gabinete da Cojuve, ouvir as jovens é essencial para orientar políticas públicas mais efetivas. “A proposta é ouvir as juventudes, principalmente as mulheres, suas inquietudes e experiências. A ideia é transformar essa escuta em políticas públicas de juventude. Queremos que elas participem diretamente da atualização do Plano Estadual de Juventude, contribuindo para melhorar a vida das jovens mulheres no estado”, afirmou.
Entre as iniciativas que reforçam o trabalho com estudantes está o projeto Oxe, me respeite – nas escolas, presente em 300 unidades da rede estadual de ensino. A ação já alcança milhares de adolescentes em 150 municípios baianos, distribuídos em 10 Territórios de Identidade, com expectativa de beneficiar mais de 15 mil estudantes. O projeto é realizado pela SPM, em parceria com a SEC, a Universidade Federal da Bahia (Ufba) e o Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa), e objetiva promover debates, formação e conscientização sobre prevenção e enfrentamento às violências de gênero no ambiente escolar.




