
Médico atuante e humanista, ele foi um dedicado desportista – fundador e presidente do Fluminense de Feira -, jornalista, empreendedor, político de apreciável e raro currículo e, sobretudo, uma figura sempre presente no cenário de Feira de Santana, sem fazer distinção de estatura social. Um cidadão feirense que viveu sua terra e para sua terra.
Membro de uma das mais tradicionais e importantes famílias de Feira de Santana, que contribuiu de forma indiscutível para o desenvolvimento de sua terra, Wilson da Costa Falcão – primeiro filho de João Marinho Falcão e Adnil da Costa Falcão –, assim como o pai, demonstrou durante toda a sua vida enorme dedicação ao trabalho e, de uma forma abrangente, que possibilitava vê-lo em diferentes frentes com a mesma intensidade de ação e interesse, colocando Feira de Santana em evidência.
Nascido em 23 de novembro de 1918, como outros jovens da sua época, tinha no futebol o maior entretenimento. Não apenas jogar, mas acompanhar jogos pelo rádio e através de jornais. O Rio de Janeiro, batizado de “Cidade Maravilhosa”, era a capital brasileira em tudo, e também do futebol. Os feirenses, como outros baianos, idolatravam os craques dos clubes do Rio: Flamengo, Vasco, Fluminense, Botafogo, América, Bangu, Madureira, Bonsucesso, Olaria, São Cristóvão e até o Canto do Rio de Niterói.
O Fluminense era o ‘mais querido’ entre os jovens. O time bicampeão carioca de 1940/1941: Batatais, Norival e Renganeschi, Bioró, Spinelli e Malazo, Pedro Amorim, Romeu, Rogo, Tim e Hércules, inspirou o surgimento do Fluminense de Feira em 1º de janeiro de 1941. Wilson, além de um dos fundadores, jogou ao lado dos irmãos Newton e Manoel, mas se dedicou de forma mais intensa à parte administrativa, sendo responsável pela profissionalização do tricolor em 1954 e o primeiro presidente nessa nova etapa do clube.
O estudo na Faculdade de Medicina em Salvador, concluído em 1945, e mesmo a sua atuação profissional por cerca de 20 anos, como obstetra e cirurgião, não minimizaram seu amor pelo clube e sua presença na comunidade feirense, sem distinção de classe social: a todos ouvia. Essa enorme facilidade acessiva levou-o, sem dificuldade, à política, cumprindo, com destacada atuação, dois mandatos consecutivos na Câmara Municipal de Feira de Santana pelo UDN, em busca de melhoria da qualidade de vida para a população. Levou o mesmo propósito quando esteve na Assembleia Legislativa do Estado e na Câmara Federal.
Era dotado de forte empreendedorismo e, com essa dinâmica, foi um dos precursores dos segmentos de farmácia e produtos veterinários, com a implantação da Casa do Fazendeiro. Do mesmo modo, foi responsável pela implantação da primeira clínica médica de Feira de Santana. Provedor da Santa Casa de Misericórdia, órgão mantenedor do Hospital Dom Pedro de Alcântara, Wilson Falcão foi o idealizador da sede do nosocômio na Rua Edelvira Oliveira, posteriormente ampliada. Na área educacional, foi enorme a contribuição ao longo da sua permanência por sete legislaturas na Câmara Federal.
Diversas escolas estaduais edificadas nesta e em outras regiões tiveram aporte financeiro oriundo da sua ação parlamentar na Câmara Federal, contribuindo de forma indiscutível para o desenvolvimento de várias comunidades. Também atuou de modo decisivo, ao lado de outras autoridades, para a constituição e instalação da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Outro empreendimento de grande importância para ampla região baiana, que contou com apoio do deputado federal, foi a Estrada do Feijão. Muito jovem, Wilson Falcão militou no jornalismo ao lado do irmão João Falcão, fundador do Jornal da Bahia. Aos 24 anos, em 1943, ele era diretor da revista A Selva e, por conta da publicação de uma entrevista do general Manuel Rabelo, criticando aspectos do governo do presidente Getúlio Vargas, a edição da revista foi recolhida das bancas e presos seus diretores: Jacob Gorender e os irmãos Wilson e João Falcão.
A prisão dos três jornalistas teve forte repercussão e protestos, com a mobilização de políticos e da União Nacional de Estudantes (UNE); a liberação dos três foi concedida pouco depois pelo governo getulista. Desportista, jornalista, médico, político, empreendedor, a ‘ordem dos fatores não altera o produto’, e Wilson da Costa Falcão, falecido aos 89 anos, em 17 de abril de 2007, foi um cidadão que honrou a família e sua terra, recebendo, com absoluto merecimento, da Câmara Municipal, em 1998, a Comenda Maria Quitéria.
Por Zadir Marques Porto
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