
Na tarde desta quarta-feira (11), o prefeito Luiz Caetano esteve reunido em seu gabinete com representantes sindicais do setor pneumático de Camaçari e nacional, com a participação de lideranças de diferentes municípios do Brasil e também do México. O encontro teve como pauta central os impactos provocados pelo avanço dos pneus importados sobre as fábricas instaladas no território nacional.Durante a reunião, os sindicalistas apresentaram a preocupação com os efeitos dessa conjuntura sobre o emprego e a sustentabilidade da indústria. Entre os exemplos recentes citados está o caso da fábrica da Continental, uma das duas do segmento instaladas em Camaçari.
Ao ouvir as demandas apresentadas, o prefeito Caetano destacou que a gestão municipal mantém diálogo aberto com os diferentes segmentos sociais e reforçou o compromisso de apoiar a pauta apresentada. “O fortalecimento da produção industrial nacional é um tema sobre o qual já tenho me debruçado. Podem contar comigo para aquecer essa luta, pois este cenário impacta os trabalhadores e, consequentemente, toda a economia da cidade e também do país. Estaremos articulando com as esferas estadual e federal para traçar estratégias de enfrentamento”, enfatizou.
O presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Artefatos de Borracha, Pneumáticos e Látex (FENABOR), Márcio Ferreira, detalhou o cenário enfrentado pelo setor. Segundo ele, mudanças na política de importação nos últimos anos contribuíram para o aumento da entrada de pneus estrangeiros no mercado brasileiro. “A alíquota de importação foi zerada pelo antigo governo do país, que também zerou o preço mínimo da borracha para importação. Isso não teve reflexo imediato por conta da pandemia, quando praticamente ninguém conseguia trazer produtos de fora. Mas, quando esse período acabou, começou a entrar um volume muito grande de pneus importados”, afirmou.De acordo com o dirigente, a participação da indústria nacional no mercado também vem diminuindo ao longo dos anos. “Há 10 anos, a indústria nacional tinha 71% do mercado de pneumáticos do Brasil. Hoje, os produtos importados já representam mais de 51%. Se continuar nessa situação, as empresas, se não fecharem, podem começar a importar pneus também, porque a concorrência com alguns mercados internacionais é desproporcional. Para cortar custos, podem iniciar demissões ou retirar direitos dos trabalhadores. O pneu é um produto estratégico para o Brasil. Precisamos da intervenção do governo para criar isonomia e competitividade, com regras justas”, completou.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Artefatos de Borracha de Camaçari (Sindborracha), Josué Pereira, ressaltou a importância do diálogo com o poder público municipal e destacou o apoio demonstrado pela gestão. “Foi uma reunião importante para tratar das demissões que tivemos na cidade na semana passada. O sindicato buscou aqui o apoio do governo municipal para, em conjunto com a gente, buscar uma intervenção junto ao governo federal na questão dos pneus importados, que têm tirado muitos empregos. O prefeito atendeu nossa demanda e vai estar à disposição para nos ajudar nessa temática, defendendo os empregos e os trabalhadores”, afirmou.
A agenda do setor em Camaçari segue nesta quarta-feira, às 18h, com a abertura do 2º Encontro da Federação dos Trabalhadores Industriais de Artefatos de Borracha, Pneumáticos e Látex, no Camaçari Plaza Hotel. O evento é organizado pela FENABOR em parceria com o Sindborracha e contará com a participação do prefeito Luiz Caetano na mesa de abertura.A programação continua na quinta-feira (12), reunindo representantes de sindicatos do setor pneumático do Brasil e de outros países. O encontro terá como principal tema a crise enfrentada pela indústria pneumática, além de debates sobre empregos e sustentabilidade do setor em diversos países, com análises técnicas, articulação internacional e posicionamento em defesa da indústria nacional e dos trabalhadores. Com isso, Camaçari se torna palco de um debate estratégico para o futuro do setor.
Fonte: Prefeitura de Camaçari


