O avanço de Camaçari no Indicador de Criança Alfabetizada (ICA) em 2025, que saltou de 36% em 2024 para 49%, superando a meta de 48% estabelecida pelo Ministério da Educação (MEC), reflete um conjunto de estratégias que vão além dos números e se concretizam no cotidiano das salas de aula. O índice, medido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) a partir das avaliações aplicadas pelos estados no âmbito do Compromisso Nacional da Criança Alfabetizada (CNCA), evidencia uma evolução que acompanha o crescimento observado em todo o estado da Bahia.
Esse cenário ganha forma prática, por exemplo, na Escola Municipal Colônia Montenegro, localizada no bairro Loteamento Montenegro, que atende 84 alunos da educação infantil ao 5º ano do ensino fundamental, inclusive com turmas em regime integral, e se destaca como exemplo do trabalho desenvolvido pela Secretaria de Educação de Camaçari (Seduc).
A coordenadora pedagógica da unidade, Regina Célia Souza da Cruz, contextualiza que o resultado alcançado pela escola é fruto de um trabalho contínuo. A equipe conseguiu atingir 100% de alunos leitores no ano passado.
Como detalha a coordenadora, na unidade, o processo de alfabetização é resultado de um trabalho sistemático de prática de leitura e intervenção dos professores. Para isso, os educadores utilizam os mais variados tipos textuais, além de atividades de ditado acompanhando a evolução dos estudantes ao ditar sílabas, palavras, frases e pequenos textos, sempre utilizando fichas de leitura.
“Quando a criança começa a ler pequenos textos, é introduzida ao livro. Tem uma caixa de livros na sala e todo momento livre que eles tinham, iam pro cantinho da leitura, buscaram o livro, porque a leitura pra ele já era uma descoberta. Quando eles foram construindo a leitura, a professora foi trabalhando a questão da autonomia: ler sozinho, perguntar do que se trata, qual gênero de texto, pra que esse gênero serve. E cada criança tem um ritmo e a professora respeitou esse ritmo”, pontua.
Na prática docente, o acompanhamento individualizado e o uso de metodologias ativas também são determinantes, conforme destaca a professora do 2º ano da Escola Colônia Montenegro, Noelice dos Santos.
“As atividades são todas sistemáticas voltadas à alfabetização. Primeiro a gente trabalha pelos níveis, então fazemos avaliação de diagnóstico inicial e detectamos os níveis de escrita e leitura desses alunos. Então, faço as intervenções a partir dos grupos produtivos: faço uma atividade diferenciada e à medida que vão avançando no nível, vou mudando as atividades. Tem ainda o processo de intervenção, onde vou perto da criança e faço com que ela pense na palavra, que se escute, leia e repita, é um processo de repetição. E assim ela ganha autonomia e autoestima. Você faz com que o aluno perceba que ele pode, que é capaz”, destaca.
E o trabalho em sala de aula também reflete o hábito do cotidiano, capaz de influenciar as crianças pelo exemplo. “Outra coisa que também uso é a leitura todo dia, diariamente eu leio e a partir da leitura da gente, através do exemplo, eles vão criando um gosto pela leitura e começam a ter essa sede de ler. Por exemplo, a turma desse ano chegou no início sem essa vontade, agora não, com esse movimento de incentivo, em qualquer oportunidade quando terminam a atividade, eles já perguntam se podem pegar as fichas de leitura”, relata.
O impacto desse trabalho também é percebido pelos alunos, que passam a desenvolver não apenas a habilidade da leitura, mas também o interesse e o prazer pelo aprendizado. A estudante Gabriela Flor Nascimento, 9 anos, relata sua relação com os livros e a importância da leitura no dia a dia.
“Os livros são importantes pra gente aprender coisas que vamos levar pra toda vida, e a leitura é algo que vamos usar sempre, no futuro, como para ler jornais. Gosto muito de ouvir histórias e inclusive uma brincadeira que costumo brincar com meus amigos é a de contar histórias”, conta.
Já Sarah Vitória da Silva Macedo, 8 anos, destaca o hábito da leitura e como ele contribui para o aprendizado. “Gosto de ler e tenho o costume de ler bastante, principalmente livros com letras grandes. Gosto de ver as letras. É importante que as crianças leiam e estudem muito, principalmente ler com calma e sem pressa. Os livros são importantes para aprender coisas novas”, diz a garota.
Para além da realidade na Escola Municipal Colônia Montenegro, os resultados alcançados pelo município refletem um trabalho articulado entre toda a rede. A diretora Pedagógica da Seduc, Alexandra Pereira da Silva, ressalta que em 2025 foi iniciado uma atuação pautada na formação dos gestores escolares, coordenadores e professores em pequenos territórios, acompanhamento em sala de aula e avaliação individual dos estudantes para criação de estratégias que pudessem ajudar no avanço educacional das crianças. Mais um ponto é a adesão e alinhamento do município a iniciativas educacionais, como os programas CNCA e a Associação Bem Comum.
“Para nós, este índice alcançado é um ganho muito grande, pois cada criança alfabetizada no município conta. E nosso desejo é garantir que até a meta de 2030 possamos ter em Camaçari todas as crianças alfabetizadas ao final do 2º ano”, afirma a diretora.
Outros investimentos da Prefeitura na educação incluem ações estruturais e pedagógicas, como a melhoria das unidades escolares, o fortalecimento da merenda, a entrega de novos uniformes e kits escolares, além da valorização dos professores. A Seduc destaca ainda a realização de uma mobilização social para reforçar a importância da frequência escolar, com uma campanha de alfabetização que envolveu lideranças comunitárias e religiosas, chamando a sociedade para garantir a permanência dos estudantes e reduzir a evasão.
Fonte: Prefeitura de Camaçari




