
Os protetores independentes que atuam em Feira de Santana lidam, diariamente, com situações que evidenciam a necessidade de uma intervenção maior e mais firme por parte do poder público municipal. Grande quantidade de animais abandonados, vítimas de envenenamento ou em sofrimento em razão de atrocidades cometidas por pessoas, são alguns dos problemas, segundo relatou Suely dos Santos, representante de protetores individuais do município, durante a Tribuna Livre da Câmara, nesta terça-feira (14). O Abril Laranja é importante e ajuda a reforçar a proteção animal, ao estabelecer uma campanha nacional de conscientização voltada a combater os maus-tratos e a crueldade praticada contra esses seres indefesos.
Diante dessas situações e sem apoio governamental, os ativistas da causa animal em Feira realizam campanhas diárias para auxiliar no resgate e tratamento de animais. “São seres sujeitos a uma população que não tem misericórdia para com eles”, reclamou a protetora. No município, conforme explicou Suely dos Santos, há cadastro de 98 protetores, que assumem a responsabilidade pelo cuidado de mais de três mil animais. Da mesma forma, há pessoas que utilizam a estrutura da própria casa para cuidar de aproximadamente 180 animais. Um cenário que, na opinião dela, revela ausência de ação das autoridades e de políticas públicas na área.
A situação, observou a protetora independente, faz com que as pessoas, além de trabalharem gratuitamente para o poder público, cheguem a retirar recursos do próprio sustento para comprar alimentos para os animais. A cidade, conhecida como Princesa do Sertão, precisa da implementação de políticas que protejam tanto os animais quanto as pessoas que cuidam deles. Suely dos Santos defendeu iniciativas voltadas à castração, à criação de um abrigo municipal, à formalização de convênios com clínicas veterinárias e à implantação de um hospital veterinário. “Não estamos implorando por favores, e sim pedindo cuidados que são direitos da população”, disse, ressaltando que essas questões envolvem não apenas a população animal, mas também os interesses dos cidadãos.
“Têm a ver com meio ambiente, saúde pública e ações sociais de forma geral”, observou Suely dos Santos. A necessidade de união dos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) em favor da causa animal foi lembrada por Sandra Lima, presidente da Associação de Proteção Animal (APA). Também em pronunciamento na Tribuna Livre, ela ressaltou a importância do Abril Laranja e defendeu a aprovação de um projeto de lei que cria a política municipal de proteção aos animais. “Não quer dizer que Feira, a partir de hoje, vai ser diferente. Mas é um ponto de partida para que tenhamos abrigo, hospital veterinário e departamento específico para a causa animal”, frisou.
Manifestando apoio à causa animal, estudantes do 3º ano da Escola Rubem Alves acompanharam a sessão da Câmara e os pronunciamentos na Tribuna Livre. A instituição de ensino desenvolve projetos na área de proteção aos animais e possui uma disciplina voltada a temas específicos de Feira de Santana.
Fonte: Câmara de Feira de Santana






