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Em uma fase de renovação artística, Nailson Chaves foi um bom exemplo

As artes plásticas em Feira de Santana tiveram uma fase significativa e marcante durante quase três décadas, quando havia um bom mercado, foram consolidadas carreiras e surgiram novos e definitivos talentos. Dentre eles, Naílson Chaves que, por conta de uma bola furada no futebol, conheceu e se inspirou no trabalho de Juracy Dórea.

Entre as décadas de 1960 e 1980, a cidade de Feira de Santana viveu um período de intensa movimentação artística, em especial no segmento das artes plásticas, com a consolidação de nomes conhecidos e o surgimento de outros tantos de real valor e que iriam, em pouco tempo, ganhar notoriedade pública e se fixar no cenário específico não apenas aqui, como em um plano de maior amplitude, em nível estadual. Independente da presença do professor Dival da Silva Pitombo, grande incentivador cultural da Princesa, e da existência de nomes já firmados como Carlo Barbosa, Juracy Dórea e Gilmário, como algo cíclico, excelentes artistas visuais apareceram na Cidade Princesa, para a satisfação dos admiradores e colecionadores de obras de arte.

Diversos desses talentosos valores já não estão entre nós fisicamente, outros residem em diferentes cidades e alguns deixaram a atividade artística ou, quando nada, já não estão presentes na mídia. Mas vale lembrar, pelo menos alguns deles que tiveram forte projeção no período referido, como: Herivelto Figueiredo, Carlos Silva, Geraldo Santana, Dalbert, Carlos Pedreira, José Carlos Carvalho, Glarcas, Vivaldo Lima, Ricardo Jerônimo, Bena Loyola, Célia Pires, Manoel Dessa, Regina Costa, Marcos Morais, Josival Sousa, Leonice Barbosa, Evandro Cardoso e Nailson Chaves.

Natural de Itiruçu, município a 230 km de Feira de Santana, Nailson Damasceno Chaves (filho de Gilberto Chaves e Carmem Damasceno) foi um dos mais destacados dessa fase áurea da pintura em Feira de Santana, com uma história interessante, gerada pela admiração especial que ele tinha por um dos ícones da pintura feirense: Juracy Dórea. A avó de Nailson, dona Maria das Dores, era considerada fina artesã, e isso pode até ter alguma influência na sua tendência artística, mas tudo começou de uma maneira bem peculiar.

Residindo em Feira de Santana a partir dos cinco anos de idade e aluno da professora Ester Freitas, no tradicional Colégio General Osório — no início da Rua Castro Alves — (hoje o estabelecimento tem o nome da professora Carminda Mascarenhas), Nailson mostrava tendência poética, produzindo muito cedo os primeiros versos. Todavia, a pintura entrou em sua vida na adolescência. Aos 15 anos, ele jogava futebol com amigos no campo da Chácara São Cosme quando a bola de couro furou. Desolação total, já que o baba estava empatado. Foi quando um dos guris gritou: “Cicí tem bola!” e houve correria para a casa de Cici.

Correram para a casa de Cici, apelido do artista Juracy Dórea, bom jogador e dono do Barravento F.C. O jovem artista abriu a porta do seu ateliê para receber a meninada, e Nailson ficou extasiado. A partir daquele momento, tudo mudou. Em casa, qualquer pedaço de papel recebia os traços de Nailson. Assim, em 1969, ele apresentou sua primeira obra, marcada essencialmente pela criatividade, e, em 1971, participou de um concurso em homenagem ao poeta Castro Alves, ganhando o primeiro lugar com o desenho “A Nau Podre”. Logo a seguir, abriu seu primeiro ateliê, na Rua Carlos Gomes, em um imóvel do saudoso deputado Noide Cerqueira que, a título de incentivo, “cobrava apenas um pequeno valor”. Estudando a figura humana e buscando novas técnicas, o artista itiruçuense aprofundou-se na anatomia e foi além, em um mundo irreal, de fadas, duendes e outros elementos etéreos do surrealismo.

Mas não parou com suas experiências pictóricas, tanto em técnica, material e estilo. Marinhas de extrema beleza marcaram uma das suas fases, antecedida pelo abstracionismo de rápida passagem. A plumagem comum à vida do indígena americano não passou despercebida ao seu olhar perscrutador; ainda abordou temas sociais e, em uma fase mais decorativa, produziu uma série de telas com pássaros. Além da pintura, produziu esculturas em madeira e ferro, passo importante para a movelaria com estilo personificado. A extrema criatividade sempre foi uma característica de Nailson Chaves que, conforme amigos, estaria radicado no estado do Espírito Santo, mas sempre presente na Cidade Princesa, através de belas telas que produziu.

Por Zadir Marques Porto

Fonte: Prefeitura de Feira de Santana

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