Audiência pública discute enfrentamento à violência contra a mulher em Juazeiro

Com o objetivo de fortalecer e ampliar as políticas públicas de proteção às mulheres, a Câmara Municipal de Juazeiro realizou, nesta quarta-feira (29), uma audiência pública para debater o enfrentamento à violência contra a mulher e ao feminicídio. O encontro aconteceu no Teatro Luiz Galvão, no Colégio Estadual Rui Barbosa.

A audiência reuniu representantes do poder público municipal e estadual, instituições do sistema de justiça, órgãos de segurança, rede de proteção social, movimentos de mulheres, organizações da sociedade civil e a população em geral. O objetivo foi promover um diálogo amplo e construir estratégias conjuntas de combate à violência de gênero.

Representando a gestão municipal, o vice-prefeito Tiano Felix destacou que Juazeiro já é referência em ações de enfrentamento à violência doméstica, mas ressaltou a necessidade de avançar em medidas mais efetivas.

“É um compromisso nosso dialogar para melhorar as políticas públicas de defesa das mulheres. Criamos uma secretaria específica para mulheres e juventude e implantamos o programa ‘Tolerância Zero à Violência contra a Mulher’. No entanto, também é fundamental trabalhar com os homens em um processo de reeducação, revisando padrões culturais machistas e promovendo relações baseadas no respeito e na igualdade de gênero”, afirmou.

A secretária da Mulher e Juventude, Érica Daiane, reforçou a importância da atuação integrada entre diferentes setores.

“É necessário ampliar o trabalho intersetorial para identificar os casos ainda na origem. Muitas situações são subnotificadas e podem ser percebidas por profissionais da saúde, educação e assistência social, que devem encaminhar essas ocorrências antes que a violência se agrave”, explicou.

A realização da audiência foi proposta pelo vereador Ailton Batista, que apontou o aumento significativo no número de casos como uma das principais motivações. Ele também relatou uma experiência pessoal com perdas familiares causadas pelo feminicídio.

“A violência destrói famílias. Perdi três primas vítimas de feminicídio. Além disso, observamos um crescimento expressivo nas denúncias. Em 2024, foram registrados 1.421 boletins de ocorrência na DEAM. Em 2025, esse número subiu para 2.430 casos”, destacou.

Dados do DataSenado indicam que, em 2025, cerca de 3,7 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência doméstica ou familiar. Na Bahia, segundo a Secretaria de Segurança Pública, foram registrados 102 feminicídios no ano passado, sendo que uma em cada quatro mortes violentas de mulheres foi classificada como feminicídio.

Em Juazeiro, apesar do aumento das denúncias, houve uma leve redução nos casos de feminicídio: cinco registros no ano de 2024 contra quatro em 2025. Desde outubro, o município não contabiliza novos casos. De acordo com a presidente do Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres, Maria Quitéria, esse avanço está relacionado ao fortalecimento da rede de apoio.

“A luta em defesa das mulheres é de todos. Contamos com uma rede de enfrentamento que oferece atendimento humanizado, com assistência psicológica, jurídica e de segurança. Esse suporte encoraja as vítimas a denunciarem seus agressores, que também precisam passar por processos de reeducação”, afirmou.

A audiência também destacou a importância da educação como ferramenta de prevenção. Alunos da Escola Municipal Professora Edualdina Damásio, da comunidade de Campos dos Cavalos, no Salitre, acompanharam o debate.

Para a estudante Bruna Alves, do 9º ano, a experiência foi enriquecedora. “É gratificante participar desse momento. Aprendemos como agir ao presenciar situações de violência contra a mulher”, disse.

O encontro reforçou a necessidade de ampliar ações preventivas, fortalecer a rede de proteção e promover uma conscientização coletiva para garantir mais segurança e dignidade às mulheres de Juazeiro.

Texto: Márcio Reges – ASCOM PMJ

Fotos: Luan – ASCOM Câmara de Vereadores de Juazeiro – BA

Fonte: Prefeitura de Juazeiro

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