
Já são 193 anos de existência da Câmara Municipal de Feira de Santana, que começou de forma sombria, sem onde se reunir, com sete membros, hoje multiplicados para 21 e com uma bela sede própria. Da Casa da Cidadania já saíram deputados estaduais, federais, senador e até governador. Dois dos mais representativos membros da Casa são recordistas em número de atuação no Legislativo: um com oito, outro com sete mandatos.
Casa da Cidadania, assim denominada pela sua importância para a vida do município e para cada um dos seus cidadãos, a Câmara de Vereadores de Feira de Santana, já se aproximando de dois séculos de existência, assim como o município, retrata a história política local, com conturbações e vitórias importantes ao longo de sua trajetória. Em 1832, o povoado nascido das terras de Cachoeira ganhou status de vila e, assim, pôde eleger e empossar, em 18 de agosto de 1833, o primeiro bloco legislativo com sete membros.
A posse foi antecedida de episódios lamentáveis, como denúncias graves contra eleitos, assalto e espancamento do emissário que conduzia de Cachoeira para Feira de Santana os documentos dos componentes da Casa a ser instalada. Depois de debates e da situação normalizada, foi realizada a posse dos legisladores, à exceção de dois deles, que foram sumariamente excluídos. Durante bom tempo, a Casa Legislativa, independente da sua missão precípua de acompanhar e fiscalizar o trabalho do Executivo, foi fomentadora de novas e importantes lideranças políticas.
Do Legislativo municipal surgiram nomes que se destacaram na política local, estadual e até nacional, como: Almachio Alves Boaventura, Áureo de Oliveira Filho, Augusto Matias, Tito Machado, Francisco Pinto, Wilson Falcão, Agnaldo Soares Boaventura, Joselito Falcão de Amorim, Colbert Martins da Silva, João Durval Carneiro, José Falcão da Silva, Alberto Sampaio de Oliveira, Oscar Ferreira Marques, Hugo Navarro Silva, Luciano Ribeiro, Noide Cerqueira, José Raimundo Azevedo, Roque Aras, Gerson Gomes da Silva, José Ronaldo de Carvalho, Eliana Boaventura, Tarcísio Pimenta, José Santana de Cerqueira Neto, Fernando Dantas Torres e Humberto Lopes Cedraz.
Dentre os acima relacionados estão homens públicos que iniciaram a carreira na Câmara Municipal e alcançaram postos mais elevados mediante o sufrágio popular, ocupando a cadeira de prefeito de Feira de Santana ou tendo assento como deputado estadual, deputado federal, governador da Bahia e senador. Todavia, vale ressaltar a relevância política de tantos outros que dedicaram momentos preciosos de suas existências a debates, elaboração de projetos e tomadas de decisão em defesa dos interesses da comunidade. Outro ponto interessante em relação ao Legislativo de Feira de Santana é o número de mandatos contabilizado por alguns legisladores, o que sinaliza para aprovação expressa do eleitorado.
Entre os governos de João Durval Carneiro (1967/1971) e José Ronaldo de Carvalho (2005/2008), dois vereadores destacaram-se quanto ao tempo em que estiveram presentes no Legislativo Municipal: um durante oito legislaturas, outro durante sete períodos da Casa Legislativa: Antônio Carlos Daltro Coelho e Dival Figueiredo Machado.
Dival Figueiredo Machado, popularmente “Vavá Machado”, natural do distrito de Ipuaçu, onde foi subdelegado e exerceu forte liderança política, ingressou na Câmara em janeiro de 1967, no governo de João Durval Carneiro, do qual era aliado e amigo, mantendo-se legislando até o final do governo de José Raimundo Azevedo, em 31 de dezembro de 1996. Dival, já falecido, começou na Arena, na época do bipartidarismo, militando também no PDS e PMN.
Antônio Carlos Daltro Coelho viveu a primeira legislatura a partir de janeiro de 1973, no governo do prefeito José Falcão da Silva, e permaneceu até 2008, na gestão José Ronaldo de Carvalho. Começou no MDB, passando pelo PDS, PSDB e PFL. Antônio Carlos Coelho e Dival Machado ocuparam a presidência da Casa, granjeando significativo prestígio pelas ações desenvolvidas.
Por Zadir Marques Porto

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Foto: Divulgação – Arquivo ZMP





