
Guitarrista, além de tocar outros instrumentos, cantor, arranjador e produtor musical com experiência internacional, Israel Exalto começou em Feira de Santana, fundou a Israelstone, considerada, na época, a melhor banda de rock da Bahia, e, de volta à Cidade Princesa, continua a longa trajetória no mundo da música com o seu Yes Estúdio – Atelier Musical, onde, além de tudo, como um bom maestro, orienta e auxilia quem precisa.
A vida, às vezes, é definida de forma inesperada. Mas há casos em que ela parece vir programada de forma imutável, como a atender ao desígnio do destino, como muitos garantem, algo como “assim estava escrito”. Esse parece ser o caso do maestro Israel Exalto. O violão de seu pai, Osvaldo Exalto, que era seresteiro, muito cedo começou a chamar a atenção do garoto, que ficava atento e interessado no som que emanava das cordas do instrumento. Para completar, seu tio Temístocles Teixeira (proprietário da Oficina Pernambucana) tinha uma sanfona e, muito amigo de Luiz Gonzaga, sempre o recebia em sua casa quando o artista passava por Feira de Santana. Os dois, então, tocavam juntos.
Assim, com pouco mais de cinco anos, enquanto a meninada corria para os campos e terrenos vazios para jogar futebol, Israel começava a “arranhar” o violão de seu Osvaldo Exalto. Depois, no tempo do Ginásio Santanópolis, Colégio Municipal Joselito Amorim, Colégio Estadual e Instituto de Educação Gastão Guimarães, à medida que obtinha os diplomas de magistério e contabilidade, dedicava-se mais à música. Nos programas de auditório da Rádio Sociedade e Rádio Cultura, interpretava sucessos de Nelson Gonçalves, Trio Irakitan, Orlando Dias e outros ídolos da época. Lembra que, para aprender violão e guitarra, procurava ir a festas e ficar próximo aos músicos, observando como eles tocavam. Em casa, pegava o violão e tentava repetir os movimentos observados.
No final da década de 1960, sob a influência da Jovem Guarda, Beatles e Rolling Stones, surgiu a ideia de criar uma banda musical, que nasceu em 1966: Hot Stones, logo rebatizada como “Os Eremitas”. A rapaziada, entusiasmada, tocava em pequenas festas no bairro Kalilândia, onde Israel morava e onde residia a maioria dos integrantes da banda. Para adquirir equipamentos indispensáveis, recorriam às famílias do bairro com um “livro de ouro”, sempre bem recebidos. Em 1970, um passo mais sério foi o ingresso no grupo Os Leopardos, que já fazia sucesso na cidade, composto por Zé Trindade (teclados), Caguto (guitarra), Zé Carlos e Dito (vocalistas), Mirinho (guitarra) e Arlindo (baterista).
O sucesso de Os Leopardos era consagrador, mas Israel queria mais do que uma banda de baile. O pop/rock estava latente em sua trajetória, e ele optou por deixar o grupo e ressurgir no cenário musical da cidade, em 1973, com a banda Israelstone — cuja inspiração é evidente. A formação contava com Carlinhos Bacelar (teclados), Zequinha de Abril (bateria), Roberto Lustosa (guitarra), Toinho (baixo) e Israel Exalto (guitarra e voz). Embora já existissem grupos como Mar Revolto (Salvador) e Os Lordinhos (Itabuna), em pouco tempo a Israelstone galgou a posição de melhor banda de rock da Bahia. A estreia foi no dia 6 de setembro de 1973, em Serrinha, com grande sucesso, mantendo-se em alta até meados de 1977, quando Israel decidiu seguir para o Rio de Janeiro para consolidar a carreira. Inicialmente, a ideia era levar toda a banda, mas, ainda jovens e inexperientes, os integrantes desistiram. Apenas Israel manteve a decisão.
No Rio de Janeiro, em um cenário completamente diferente do vivido em Feira de Santana, Israel enfrentou uma rotina intensa de trabalho. Em casas noturnas e hotéis, chegava a fazer até três apresentações por dia. “Eu começava às 18 horas e ia até às 6 da manhã seguinte e, devido à distância de onde morava, entrava em um cinema de sessões contínuas às 11 horas e dormia até a tarde. Tomava banho e trocava de roupa no banheiro do cinema, fazia refeição e ia para o trabalho novamente”, relata. Nos shows, tocava de tudo, atendendo ao gosto do público.
A dedicação trouxe resultados. Israel acumulou experiência e construiu amizades com nomes importantes da música brasileira, como Djavan, Maria Alcina, Lana Bittencourt, Peninha, Tony Tornado, Beth Carvalho, Márcio Greyck, Fernando Mendes, Hildon, Adriana e Chrystian, entre outros. Paralelamente, aprofundou seus conhecimentos em teoria musical, guitarra, piano, canto, percussão e teclados. Em 1981, lançou seu primeiro compacto duplo, com músicas autorais: “Viagem Astral”, “Bloqueando a Estrada”, “Momentos” e “Visão”. O trabalho teve boa execução nas rádios cariocas. Em 1983, lançou novo compacto com “Torre de Babel” e “Jardim de Alá”.
Em 1984, quando se preparava para uma nova gravação, foi contratado por Osvaldo Sargentelli para uma excursão internacional que durou cerca de dois anos, passando por cidades do Japão e países da Europa, com maior número de apresentações na França e na Itália. Em 1988, de volta ao Rio, realizou longa temporada em redes de hotéis como Othon e San Susi. Posteriormente, em Nova Friburgo, foi contratado com exclusividade pela casa noturna Le Chateau, onde permaneceu até 2000. Antes disso, montou um moderno estúdio de gravação, frequentado por diversos artistas para produções musicais.
Em 2020, com o falecimento do pai e a necessidade de resolver questões familiares, retornou a Feira de Santana. Além de realizar shows, implantou o Yes Estúdio, que se tornou referência em produção, arranjos e gravações. Com domínio do inglês e forte ligação com a música internacional — especialmente Rolling Stones, Beatles e o guitarrista Jimi Hendrix — Israel mantém um repertório diversificado, transitando também pela música brasileira.
Mesmo após enfrentar uma doença que resultou na amputação de parte dos membros inferiores, segue ativo no Yes Estúdio, produzindo, cantando, tocando e gravando. E resume sua trajetória com uma certeza: “Eu não saberia viver sem a música!”.
Por Zadir Marques Porto






