Prefeitura promove seminário conjunto sobre TEA para Atenção Primária e Atenção Especializada

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Auditório do Polo de Educação Permanente em Saúde

Com o objetivo de integrar a rede de saúde e qualificar o atendimento a crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), foi realizado nos dias 24 e 25 de fevereiro, o “Seminário Conjunto Atenção Primária à Saúde (AP) –  Atenção Especializada (AES): Patologização da Infância”. O evento, realizado no auditório do Polo de Educação Permanente em Saúde, discute a implementação do novo protocolo do Ministério da Saúde, publicado em dezembro de 2025, que estabelece a atenção básica como a principal ordenadora do cuidado. 

O encontro reúne médicos, enfermeiros e equipes multiprofissionais de todas as unidades de saúde do município. Para garantir que o atendimento à população não fosse interrompido, o público foi dividido em duas turmas, distribuídas nos dois dias de formação.

Até o final do ano passado, o fluxo de atendimento era majoritariamente direcionado ao Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (Caps i). Segundo Vinícius Reis, coordenador de Saúde Mental, a nova diretriz busca desfragmentar o cuidado.

“Queremos trazer a ideia de que essa criança precisa ser acompanhada por toda a rede e não dentro de ‘caixinhas’.  A Atenção Primária não vai apenas encaminhar, ela vai verificar sinais, falhas no neurodesenvolvimento e iniciar a intervenção precoce no território, enquanto os casos de maior complexidade continuam sob a reabilitação psicossocial do Caps”, explica Vinícius.

A coordenadora da área técnica de Criança e Adolescente da Atenção Básica, Cristina Guimarães, enfatizou que o seminário atende a uma demanda dos próprios profissionais. O foco central é a puericultura (o acompanhamento do crescimento e do desenvolvimento infantil).

“A Atenção Básica não fecha diagnóstico, ela identifica os atrasos e faz o encaminhamento correto. É fundamental observar os marcos do desenvolvimento durante as consultas de rotina para que o suporte seja disparado o quanto antes”, pontua Cristina.

Pediatra do Caps i, Laura Reis de Oliveira Cordeiro, reforça que o diálogo entre a média complexidade e a base evita gargalos: “Sem esse diálogo, temos encaminhamentos tardios ou precoces demais, o que sobrecarrega o serviço especializado e desorganiza a assistência na ponta. A APS é a base que sustenta toda a estrutura do cuidado”.

Para os profissionais que atuam diretamente nas Unidades Básicas, como a enfermeira Ladyane Moreira Alves, o aumento da demanda por transtornos do neurodesenvolvimento é uma realidade crescente. Ela destaca que o seminário é um passo vital para melhorar o sistema de referência e contrarreferência.

“Muitas vezes enviamos a criança para o especialista e não temos o retorno imediato. Esse estreitamento de laços com a equipe de saúde mental é essencial para que a gente consiga estabelecer fluxos mais ágeis, garantindo que a criança seja estimulada o mais rápido possível, mesmo diante das limitações”, afirma a enfermeira.

Programação dos dias 24 e 25 no Polo de Educação Permanente em Saúde:

Manhã

8h15 –  Puericultura na APS: Marcos do Desenvolvimento e Detecção Precoce de Atrasos

Enfermeira Cristina Guimarães – Coordenadora da Área Técnica de Saúde da Criança e Adolescente

8h45 – Linha de Cuidado para Pessoas com Transtorno do Espectro Autista – TEA

Enfermeiro Hígor Souza, Especialista em Saúde Mental – Gerente do Caps i

9h15 – Característica vs Transtorno: Sinais e Sintomas da Infância

Prof.ª Drª Patrícia Freitas, PhD – Professora Titular da Universidade Federal da Bahia

10h15 – Abordagem Clínica da Infância

Médica pediatra Laura Cordeiro, MSc – Professora da Universidade Federal da Bahia no Curso de Medicina, Médica Assistente no CAPSi

12h – Intervalo para Almoço

Tarde

13h – Autismo e os Marcos do Neurodesenvolvimento – Aplicabilidade na APS

Psicóloga Isabel Viana, Especialista em Neuropsicologia – Psicóloga Assistente no CAPSi

13h30 – Fluxo de Rede: quais caminhos percorrer na RAPS

Psicólogo Vinícius Reis – Coordenador de Saúde Mental de Vitória da Conquista

14h – TEAlogando no território – Relato de Experiência

Farmacêutica Bianca Teixeira, especialista em Saúde Mental e Neuropedagogia, e a nutricionista Laís Ferraz – Farmacêutica e Nutricionista, respectivamente, assistentes no CAPSi

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