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O velório do cantor e compositor Osvaldo Alves Pereira, o Noca da Portela, que morreu aos 93 anos, será nesta terça-feira (19), das 8h às 14h, na quadra da Portela, na Rua Clara Nunes, 81, local onde registrou história na azul e branco de Oswaldo Cruz e Madureira, na zona norte do Rio.
Em postagem no perfil de Noca no Instagram, a família informou que atendendo a um pedido dele, o corpo do compositor será cremado no Cemitério do Caju. O horário previsto é às 16h.
“Mais uma vez, agradecemos todo carinho recebido. É emocionante ver o tamanho da contribuição dele para a nossa cultura e para o nosso povo”, indicou.
Noca, que morreu neste domingo (17), estava internado no Hospital da Assim, em São Cristóvão, zona norte do Rio. Ele foi internado no dia 30 de abril para tratar de uma infecção urinária, mas segundo a família contraiu uma pneumonia.
Em edição extra do Diário Oficial do Município, publicada ontem, o prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, decretou luto oficial de três dias pela morte de Noca da Portela.
“Noca da Portela, compôs centenas de músicas, foi secretário estadual de Cultura do Rio, era integrante da Velha Guarda da escola de samba e uma das personalidades mais respeitadas do carnaval carioca”, afirmou.
O artista nasceu no dia 12 de dezembro de 1932, em Leopoldina, Minas Gerais, mas chegou cedo ao Rio. A primeira passagem por uma escola de samba foi como compositor da Paraíso do Tuiuti e depois, ao ser levado por Paulinho da Viola, se encantou pela Portela, onde era integrante da Velha Guarda Show da escola e considerado baluarte.
O cantor e compositor Marquinhos de Oswaldo Cruz disse à Agência Brasil, estar muito triste com a partida do seu Noca, que para ele foi um grande compositor, muito importante para a Portela e também grande pessoa.
E foi uma música de Noca, sucesso do Trio ABC, que chamou a atenção dele para a Portela. “Ainda criancinha fez me encantar pela Portela que era “Minha Portela querida, és razão da minha própria vida”, cantarolou Marquinhos.
As lembranças do cantor e compositor contam ainda que antes de ensaiar, Noca, trabalhava como feirante e costumava chegar com bolsas que trazia da feira para dar aos amigos que integravam o trio com ele.
“Tenho a certeza absoluta que ele está no Orum [que na mitologia iorubá é o céu] e a gente aqui vai ficar com uma saudade e gratidão a Deus por ter convivido por tanto tempo, 93 anos. Claro que a gente queria mais. Vai em paz Seu Noca”.
O músico, cantor, arranjador e produtor musical Pretinho da Serrinha contou que estava fazendo um show ontem, Vivo Rio, quando soube da morte de Noca da Portela logo após terminar de cantar a música Coração em Desalinho, de autoria de Monarco, outro baluarte da azul e branco.
“Quando um sambista parte a gente tem que cantar, fazer o que a gente gosta e o que eles gostariam também”, revelou à Agência Brasil.
Pretinho disse que teve o prazer de acompanhar Noca algumas vezes na época que tocava em bares da Lapa, no centro do Rio.
“Sujeito bacana, generoso e sempre atento aos mais novos. É uma tristeza. Mais um dos nossos ídolos que partem. Mas é a lei da vida, não tem jeito. A única certeza que a gente tem é essa. Que descanse em paz, Deus conforte a família e vamos embora. Salve Seu Noca!
Em vídeo, o cantor e compositor Zeca Pagodinho se despediu do artista: “Meu amigo Noca da Portela, que Deus te receba de braços abertos. Vai com Deus meu amigo. Vai com Deus”.
A azul e branco de Oswaldo Cruz e Madureira, na zona norte do Rio, lamentou, em nota, a morte do artista o classificando como um dos grandes nomes da história da escola.
“Osvaldo Alves Pereira, o Noca, chegou à Portela levado por Paulinho da Viola, na década de 1960. Integrou o Trio ABC da Portela, ao lado de Picolino e Colombo, e deixou sua marca em obras como Portela Querida, defendida por Elza Soares, e no samba-enredo O Homem de Pacoval, de 1976”, contou.
Um destaque importante nessa trajetória na Portela é ter vencido sete vezes a disputa de samba-enredo na Majestade do Samba, como a escola é chamada.
“Marca que o coloca como um dos maiores vencedores da história da agremiação. Entre seus sambas vitoriosos estão Recordar é viver, de 1985, Gosto que me enrosco, de 1995, Os olhos da noite, de 1998, e ImaginaRIO, 450 Janeiros de uma Cidade Surreal, de 2015”, descreveu a escola.
“Neste momento de dor, a Portela se solidariza com familiares, amigos, parceiros de composição, admiradores e toda a comunidade do samba. Noca da Portela deixa um legado de amor à música popular brasileira, ao samba e à nossa Majestade” completou a Portela.
O Fluminense Futebol Clube, time de coração do Noca, informou em nota que recebeu com enorme pesar a notícia do falecimento do compositor, a quem definiu como um dos grandes artistas tricolores da história do samba.
“Tricolor ‘de corpo e alma, de coração’, como cantou, Noca é um dos compositores de Gosto que me enrosco, samba da sua Portela de 1995 que ganhou as arquibancadas do Maracanã na voz da torcida do Fluminense, após encantar a Sapucaí”, apontou o clube.
“Noca nos deixa com muita tristeza, mas com orgulho imenso de poder dividir seu coração azul e branco com as três cores que traduzem tradição. Obrigado por tudo, Mestre”.
Fonte: Agência Brasil




